Categoria: Economia

  • Ataque hacker desvia R$ 100 milhões e banco suspende Pix para conter crise

    BTG Pactual interrompe transferências instantâneas após invasão; parte do valor já foi recuperada e clientes não tiveram dados expostos.

    Economia – O BTG Pactual suspendeu temporariamente as operações via Pix após sofrer um ataque hacker no último domingo (22), que resultou no desvio de cerca de R$ 100 milhões.

    De acordo com informações iniciais, a instituição conseguiu recuperar uma parte significativa dos recursos. Ainda assim, o valor não recuperado até o início da tarde está estimado entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões.

    Em nota oficial, o banco afirmou que não houve acesso às contas de clientes nem vazamento de dados sensíveis, destacando que a invasão foi contida e está sendo investigada pelas equipes de segurança.

    Suspensão preventiva

    A interrupção do Pix foi adotada como medida preventiva para evitar novas movimentações suspeitas enquanto o sistema passa por auditoria. O banco não informou prazo para a normalização completa das operações, mas garantiu que trabalha para restabelecer o serviço o mais rápido possível.

    Mesmo com a suspensão, o BTG Pactual afirmou que segue atendendo clientes normalmente por seus canais digitais e oficiais, reforçando que outras funcionalidades bancárias continuam disponíveis.

    Alerta para segurança digital

    O episódio reacende o alerta sobre a segurança no sistema financeiro digital, especialmente em meios de pagamento instantâneos como o Pix, que movimenta bilhões diariamente no Brasil.

    Especialistas apontam que, apesar dos avanços em tecnologia e monitoramento, ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados exigem respostas rápidas e protocolos rigorosos de proteção por parte das instituições financeiras.

    O caso segue sob investigação, e autoridades devem apurar a origem da invasão e eventuais responsabilidades.

  • Leilão bilionário evita risco de apagão, mas pode elevar conta de luz em até 10%

    Contratação recorde de energia térmica garante segurança ao sistema, porém expõe falhas no modelo e deve pesar no bolso do consumidor.

    Economia – O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 cumpriu sua principal missão: evitar o risco de apagão no Brasil. Com a contratação de mais de 19 gigawatts (GW) de potência, majoritariamente de usinas termelétricas, o governo reforçou a segurança do sistema elétrico em um cenário de crescente dependência de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

    Mas o alívio no abastecimento vem acompanhado de um alerta: especialistas estimam que o impacto da contratação pode resultar em aumento de até 10% na conta de luz nos próximos anos.

    Conta bilionária para o consumidor

    Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que os contratos firmados no leilão devem gerar um custo superior a R$ 500 bilhões ao longo do tempo, com cerca de R$ 39 bilhões por ano apenas em receita fixa.

    Entidades como a Frente Nacional de Consumidores de Energia e a Abrace avaliam que o volume contratado foi elevado e tende a pressionar as tarifas. Para o ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Luiz Eduardo Barata, o impacto é inevitável:
    “É um volume significativo que vai se refletir diretamente na conta do consumidor”, afirma.

    Pressa custou caro

    A decisão de realizar o leilão mesmo com críticas ao modelo foi respaldada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou fragilidades na estrutura, mas optou por não suspender o certame diante do risco de desabastecimento.

    Na prática, o governo priorizou a segurança energética em detrimento da eficiência econômica. Especialistas avaliam que a pressa reduziu a competitividade e elevou os preços contratados.

    Para o ex-diretor da Aneel, Jerson Kelman, o problema começa no desenho do leilão. Segundo ele, a divisão por tipos de fonte — os chamados “cercadinhos” — limitou a concorrência e favoreceu determinados geradores.

    Predomínio de térmicas

    Dos 19,5 GW contratados, cerca de 17,5 GW são de usinas termelétricas, consideradas mais caras e poluentes. O modelo também permitiu a entrada de térmicas a carvão, o que gerou críticas por ir na contramão da transição energética.

    Para analistas, a forte dependência dessas usinas aumenta o custo estrutural do sistema, já que elas têm operação mais cara em comparação a outras fontes.

    Efeito colateral: baterias perdem espaço

    Outro ponto de preocupação é o impacto sobre tecnologias emergentes. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) alerta que a contratação massiva de térmicas pode reduzir o espaço para sistemas de armazenamento por baterias, considerados mais eficientes e com custo operacional até 50% menor.

    Segundo o presidente da entidade, Markus Vlasits, há risco de esvaziamento de futuros leilões voltados ao armazenamento, que ainda nem foram realizados.

    Governo comemora, mercado questiona

    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, celebrou o resultado e classificou o certame como “o maior leilão de térmicas da história”.

    Já críticos apontam que o governo agiu tardiamente. O ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana comparou a situação a “comprar comida quando já se está com fome”, indicando perda de poder de negociação e preços mais altos.

    Segurança garantida, eficiência em debate

    No fim, o leilão escancara um dilema histórico do setor elétrico brasileiro: garantir energia ou garantir preços baixos.

    O país conseguiu evitar um risco imediato de apagão, mas ao custo de contratos caros e de longo prazo. Agora, o desafio será equilibrar segurança energética com eficiência — sem transferir uma conta ainda mais pesada para o consumidor.

  • Governo Trump suspende sanções contra petróleo iraniano para tentar conter preços

    Medida permite a venda de petróleo que já está armazenado em navios no mar. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, a autorização é pontual e terá duração limitada.

    Economia – O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta sexta-feira (20) que o país vai suspender temporariamente parte das sanções ao petróleo do Irã, com o objetivo de conter a alta dos preços no mercado global.

    Na prática, a medida permite a venda de petróleo iraniano que já está armazenado em navios no mar. Segundo Bessent, a autorização é pontual e terá duração limitada. Ele não detalhou quando a decisão entra em vigor nem por quanto tempo ficará válida.

    Ele afirmou que os EUA usarão os barris iranianos contra Teerã para manter os preços sob controle enquanto dão continuidade à pressão sobre o país

    Com o início da guerra, em 28 de fevereiro, o petróleo disparou no mercado internacional e chegou a US$ 120 — o maior nível desde 2022. Depois, recuou, mas segue acima de US$ 100, ainda em nível bastante elevado.

    O governo de Donald Trump passou, então, a buscar formas de conter a alta da commodity, atento ao impacto no bolso dos eleitores americanos e às eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.

    Um dos principais fatores da disparada da commodity é o bloqueio, pelo Irã, do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial.

    A região — que também responde por cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios nas últimas semanas, após o Irã anunciar o bloqueio da área e ataques a petroleiros.

    Ao anunciar a suspensão das sanções, Bessent reforçou que a autorização temporária para venda do petróleo iraniano é estritamente limitada ao petróleo que já está em trânsito “e não permite novas compras ou produção”.

    Na semana passada, os EUA já haviam adotado medida semelhante em relação ao petróleo da Rússia, ao autorizar temporariamente a venda de cargas que estavam paradas em navios no mar.

    A licença, emitida pelo Departamento do Tesouro, permitiu a comercialização, até 11 de abril, de cargas de petróleo bruto e derivados embarcadas antes de 0h01 de 12 de março.

    Segundo Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin para assuntos econômicos, a medida deve liberar cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo para o mercado.

    Fonte: G1

  • Governo federal antecipa 13º de aposentados e pensionistas do INSS

    Pagamento será em duas parcelas; uma em abril correspondente a 50% sobre o valor do benefício, outra em maio com a diferença entre o valor total do 13º salário e o valor antecipado.

    Economia – O governo federal decidiu antecipar o 13º aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” desta quinta-feira (19).

    O pagamento será efetuado em duas parcelas:

    • a primeira corresponderá a 50% sobre o valor do benefício devido na competência de abril e será paga junto aos benefícios do mês;
    • a segunda parcela corresponderá à diferença entre o valor total do 13º salário e a parcela antecipada. O valor será pago junto aos benefícios de maio.

    Segundo o decreto, caso o benefício seja encerrado antes de 31 de dezembro de 2026, o beneficiário receberá o valor proporcional do 13º salário.

    Além disso, haverá um ajuste de contas entre o valor já pago e o valor efetivamente devido, aplicável tanto a benefícios temporários quanto a benefícios permanentes, caso a cessação ocorra antes da data programada.

    O pagamento vale para beneficiários que tenham recebido em 2025:

    • auxílio por incapacidade temporária;
    • auxílio-acidente;
    • aposentadoria;
    • pensão por morte; ou
    • auxílio-reclusão.

    O Ministério da Previdência informou que a antecipação vai injetar R$ 78,2 milhões na economia do país entre abril e maio.

    Fonte: G1

  • Zona Franca de Manaus em foco: ExpoPIM 4.0 apresenta dados e perspectivas

    Polo Industrial fechou o ano de 2025 com 553 fábricas em operação, faturamento de R$ 227,7 bilhões e 132 mil trabalhadores.

    Economia – A ExpoPIM 4.0 – A Nova Indústria do Brasil encerra nesta sexta-feira (20) no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. O evento reúne 115 estandes com representantes da indústria, instituições públicas e visitantes. A feira é organizada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em parceria com o Instituto Somar Amazônia.

    O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, apresentou dados do PIM e destacou o crescimento.

    Na abertura, o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, disse que a feira aproxima a sociedade da realidade do Polo Industrial de Manaus (PIM). Ele ressaltou que o objetivo é ampliar o conhecimento sobre o modelo. “Não se defende o que não se conhece. É preciso que cada um de nós divulgue, diariamente, a importância da Zona Franca de Manaus”, afirmou.

    Saraiva também falou sobre os desafios da expansão industrial, como infraestrutura e qualificação profissional. “Precisamos oferecer condições para a instalação de novas empresas e garantir a capacitação dos trabalhadores para as vagas que estão surgindo”, disse. Ele lembrou que há 195 projetos industriais em fase de implantação.

    O diretor-executivo do Instituto Somar Amazônia, Orsine Júnior, disse que a ExpoPIM 4.0 é uma vitrine do Polo Industrial de Manaus e de seus resultados. “Produzimos este evento para exaltar esse modelo exitoso e que o mundo saiba que aqui se faz o bem e se produz preservando”, afirmou.

    O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, destacou o alinhamento institucional em defesa da Zona Franca de Manaus. Ele ressaltou os avanços da reforma tributária e a atuação conjunta das lideranças.

    O senador Omar Aziz ressaltou a estabilidade da Zona Franca de Manaus e defendeu a diversificação da matriz industrial. “Não se tirou um milímetro das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus, e agora temos a obrigação de pensar no futuro, trazendo novos segmentos para a indústria e garantindo oportunidades para as próximas gerações”, afirmou.

    A programação da ExpoPIM 4.0 inclui palestras, painéis temáticos, rodadas de negócios e exposição de soluções tecnológicas. O foco é a modernização da indústria e a ampliação de oportunidades de investimento na região.

    Fonte: G1 Amazonas

  • Sob ameaça de greve, Lula endurece regras do frete e lança medida para proteger caminhoneiros

    MP prevê multas de até R$ 10 milhões para empresas e reforça fiscalização após alta do diesel aumentar tensão no setor.

    Economia – Em meio ao risco de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na quinta-feira (19), uma medida provisória que endurece as regras do transporte de cargas e amplia a proteção aos profissionais do setor. A iniciativa ocorre em um cenário de pressão crescente provocado pela alta do diesel.

    A nova MP estabelece multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem as normas, além da possibilidade de proibição de contratação de novos fretes. A medida tem como objetivo combater irregularidades e garantir o cumprimento da política de preços mínimos no transporte rodoviário.

    Controle mais rígido e fiscalização ampliada

    Um dos principais pontos da medida é a obrigatoriedade do uso do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações de frete. O sistema permitirá o monitoramento detalhado dos contratos, incluindo valores pagos e o piso mínimo exigido por lei.

    Com essas informações, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá identificar irregularidades e até bloquear operações realizadas abaixo do valor mínimo estabelecido.

    Em casos de descumprimento, empresas transportadoras poderão sofrer sanções que vão desde a suspensão do registro no RNTRC até o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos, especialmente em situações de reincidência. Transportadores autônomos (TAC), por outro lado, não serão alvo dessas suspensões.

    Pressão do diesel e risco de paralisação

    A medida provisória surge em um momento delicado. Caminhoneiros têm sinalizado a possibilidade de greve nacional em reação à recente alta do diesel, que elevou os custos da atividade e reduziu a margem de lucro dos profissionais.

    Na tentativa de evitar uma crise logística, o governo intensificou as articulações políticas e econômicas. Entre as estratégias em discussão está a negociação com estados para reduzir o ICMS sobre combustíveis, principal tributo que incide sobre o preço final ao consumidor.

    O ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou que o governo pretende agir com rigor contra práticas ilegais no setor. “Quem insistir em desrespeitar a tabela será responsabilizado, com medidas que interrompem a irregularidade e desestimulam a reincidência”, afirmou.

    Tentativa de evitar crise no abastecimento

    A nova MP faz parte de um conjunto de ações do governo para evitar uma paralisação semelhante à de 2018, que provocou desabastecimento e fortes impactos na economia brasileira.

    Com o reforço na fiscalização e punições mais duras, o Planalto tenta garantir maior equilíbrio nas relações entre transportadores e empresas contratantes, ao mesmo tempo em que busca conter os efeitos da alta internacional do petróleo sobre o mercado interno.

    O cenário segue em monitoramento, com o governo apostando que as novas medidas possam reduzir a tensão e afastar o risco de uma nova greve no setor.

  • Em evento em São Paulo, Lula confirma Dario Durigan como substituto de Haddad

    Secretário-executivo, que já ocupou cargo nos setores público e privado, ajudou nas políticas de aumento de tributos anunciadas nos últimos anos pela equipe econômica. À frente da Fazenda, terá de lidar com a crise externa e cenário conturbado pelas eleições.

    Economia – Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda para concorrer ao governo de São Paulo, o secretário-executivo Dario Durigan, número dois na linha de comando, deve chefiar a pasta até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A informação foi confirmada pelo próprio presidente nesta quinta-feira (19), durante um evento em São Paulo de abertura da 17ª Caravana Federativa. O petista lia a nominata, antes de discursar, quando pediu para Durigan se levantar para as pessoas o conhecerem

    Haddad estava presente na ocasião e também discursou em tom de balanço de gestão. Em sua declaração, ele destacou os desafios dos últimos anos na economia e agradeceu o apoio do Congresso Nacional na aprovação das pautas de interesse do governo

    Mas, eu faço questão de também cumprimentar os prefeitos do Brasil e de São Paulo, os governadores do Brasil, porque, sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós teríamos chegado até aqui”, reforçou.

    Trajetória de Durigan

    Desde 2023 no Executivo, Durigan ajudou nas chamadas “medidas de recomposição de receitas”, ou seja, nos aumentos de tributos anunciados pelo governo nos últimos anos, assim como na articulação e regulamentação da reforma tributária sobre o consumo e no fechamento de uma renegociação sobre a dívida dos estados, entre outros temas.

    Antes da área econômica, trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União, entre 2017 e 2019, e no setor privado, entre 2020 e 2023, como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Ele coordenava temas relacionados a políticas públicas e comunicação. Durigan também fez parte da equipe de Haddad em 2015 e 2016, na prefeitura de São Paulo.

    Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), o novo ministro da Fazenda tem perfil mais discreto, menos afeito aos holofotes. Entretanto, possui bom trânsito dentro do governo e é visto por interlocutores como bom articulador junto aos setores da economia real.

    À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan terá de coordenar as ações da área econômica do governo durante a campanha presidencial de Lula à uma nova reeleição, período que costuma ser tenso, marcado por embates com a oposição e divulgação de notícias falsas.

    Temas como o fim da jornada 6 por 1, do Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores, entre outros, devem entrar na pauta. A área econômica também citou, recentemente, a possível revisão de benefícios sociais e uma reforma de encargos sobre a folha de pagamentos.

    Outro assunto da pauta econômica em 2026 é a regulamentação e a transição da reforma tributária. O governo trabalha para implementar a CBS, seu imposto sobre consumo, em 2027 e, para isso, divulga normas operacionais de transição neste ano (período de testes).

    Na regulamentação da reforma tributária, embora boa parte dos temas já tenham sido abordados pelo Congresso, um deles, extremamente polêmico, ainda terá de ser debatido no Legislativo: o imposto seletivo, chamado de imposto do pecado.

    Pelas regras, esse imposto será cobrado sobre produtos com externalidade negativa na economia, ou seja, que geram problemas sociais e repercussões de aumento de gastos, como bebidas alcoólicas e cigarros, entre outros. O problema é que tende a haver um aumento de preços desses produtos com a regulamentação, um debate que acontecerá em ano eleitoral.

    Além disso, Durigan também terá de conduzir o processo orçamentário até o fim de 2026, período no qual o governo tem por meta retomar o superávit em suas contas (considerando os limites do arcabouço fiscal e o abatimento de precatórios)

    • Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
    • De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
    • Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
    • O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
    • Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo.
    • Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Além da busca por receitas para cumprir a meta fiscal, o novo ministro também terá de lidar com as restrições impostas pelo arcabouço fiscal.

    Segundo analistas, o espaço para os gastos livres dos ministérios será apertado neste ano, o que tende a levar a bloqueios de despesas dos ministérios.

    Fonte: G1

  • Petróleo dispara e ultrapassa US$ 115 após ataques no Oriente Médio

    Escalada entre Irã e Israel atinge instalações energéticas e eleva temor de crise global no abastecimento, com reflexos na inflação e nos juros.

    Economia – Os preços do petróleo voltaram a disparar no mercado internacional nesta quinta-feira (19), impulsionados pela escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a ultrapassar US$ 115, atingindo o maior patamar em mais de uma semana após novos ataques a instalações energéticas na região.

    A alta ocorre depois que o Irã lançou ofensivas contra infraestruturas de energia em resposta a um ataque de Israel ao campo de gás de South Pars, um dos maiores do mundo. A troca de ataques elevou o risco de interrupção no fornecimento global de petróleo, pressionando os preços.

    Durante o pregão, os contratos futuros do Brent chegaram a subir quase US$ 8, alcançando a máxima de US$ 115,10 por barril, antes de reduzir parte dos ganhos. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) também registrou volatilidade, sendo negociado próximo de US$ 100, após oscilar ao longo do dia.

    Risco de crise no abastecimento

    Analistas avaliam que os ataques diretos a instalações energéticas aumentam significativamente o risco de uma interrupção prolongada na oferta global.

    Segundo a especialista Priyanka Sachdeva, da Phillip Nova, a combinação de fatores geopolíticos agrava o cenário: a escalada militar, os danos à infraestrutura petrolífera e a instabilidade política no Irã indicam que o mercado pode enfrentar um período de forte pressão nos preços.

    Além disso, o petróleo americano WTI segue sendo negociado com desconto em relação ao Brent — o maior em mais de uma década — influenciado pela liberação de reservas estratégicas dos Estados Unidos e pelos custos logísticos mais elevados.

    Impacto na economia global

    A disparada do petróleo acende um alerta para a economia mundial. O aumento nos preços da energia tende a pressionar a inflação, elevar custos de transporte e produção e afetar diretamente o bolso dos consumidores.

    Com isso, bancos centrais podem ser forçados a reavaliar suas políticas monetárias, adiando cortes de juros ou até endurecendo medidas para conter a inflação.

    Especialistas apontam que, caso o conflito se intensifique, o petróleo pode manter trajetória de alta, ampliando os riscos de desaceleração econômica global e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros.

  • Governo propõe que estados isentem ICMS na importação de diesel até maio, com compensação de metade das perdas

    A decisão dos estados, porém, só será tomada até fim deste mês pelos estados. Nesta terça, governadores já haviam rejeitado pedido do presidente Lula de reduzir o imposto estadual sobre combustíveis.

    Economia – O governo federal propôs aos estados zerar o ICMS sobre importação do diesel até o fim de maio, sendo que metade de suas perdas seria compensada pela União.

    A informação é do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que se reuniu mais cedo, de forma virtual, com os secretários de Fazenda desses entes federativos.

    De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação do diesel custará R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1, 5 bilhão por mês aos estados.

    A decisão, segundo ele, será tomada até o dia 28 de março, quando está marcada uma reunião presencial sobre o assunto em São Paulo.

    Durigan também pediu aos secretários de Fazenda dos estados que eles enviem, ao governo, a lista de devedores contumazes (empresas que recorrentemente não pagam tributos) – na esteira da lei aprovada pelo Congresso Nacional sobre o assunto.

    Outro pedido é que as unidades da federação disponibilizem à Agência Nacional do Petróleo (ANP) suas notas fiscais de venda de combustíveis em tempo real, com o objetivo de ajudar na fiscalização de abusos nos preços cobrados. Segundo ele, 21 estados concordaram com o pedido.

    Governadores se manifestaram

    Nesta terça-feira (17), antes do encontro de hoje, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) negou pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o ICMS sobre o diesel 

    • O governo tenta conter o aumento no preço do diesel, que já ficou mais caro para os distribuidores.
    • Na semana passada, o Executivo anunciou redução de impostos federais sobre o diesel, além de subsídios para produtores e importadores.
    • A preocupação do Planalto é com os custos logísticos e seu impacto nos preços de alimentos e outros produtos.

    Ao mesmo tempo em que negocia com os estados, o governo preparou um pacote de medidas para endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete e punir empresas que descumprem a regra.

    Em manifestação pública divulgada no início desta semana por meio do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) avaliou que a redução do ICMS sobre o combustível prejudicaria o financiamento de políticas públicas.

    Os governos estaduais alegaram, ainda, que cortes no imposto estadual sobre o combustível “não costumam ser repassados ao consumidor final”.

    O Comsefaz acrescentou que a “reiterada prática mostra, com nitidez, que reduções de preços como as reduções tributárias não costumam ser repassadas ao consumidor final”.

    E cita publicação do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) do fim de 2025, segundo a qual “parte relevante do esforço tende a ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda, limitando seu efeito nas bombas”.

    “Não há, portanto, base empírica consistente para sustentar que uma nova perda do ICMS resultaria em benefício efetivo para a população, não entregando o efeito de fato esperado. Insistir nessa premissa desconsidera a dinâmica real do mercado de combustíveis e pode impor aos estados uma perda fiscal concreta, sem a correspondente contrapartida social”, dizem os secretários de Fazenda dos estados.

    O Comitê avalia que o resultado de uma redução no ICMS faria com que a população acabasse “arcando com uma dupla perda”.

    Guerra no Oriente Médio e disparada do petróleo

    O início da guerra no Oriente Médio têm pressionado o mercado internacional de energia, com disparada no preço do petróleo para um patamar acima de US$ 100 por barril (contra US$ 72 antes do conflito).

    A alta do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada.

    O conflito no Oriente Médio se instalou após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em território iraniano, com o objetivo declarado de neutralizar o programa nuclear do país.

    A magnitude da operação foi sentida de forma imediata com a notícia da morte de lideranças centrais do regime em Teerã, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, o que desencadeou retaliações iranianas com mísseis contra bases americanas e infraestruturas em países aliados na região.

    Essa instabilidade militar atingiu em cheio o Estreito de Ormuz, uma das principais vias do comércio energético mundial, por onde transita cerca de um quarto do petróleo global.

    Com a paralisação do fluxo de petroleiros e a ameaça constante de novos ataques, o mercado de energia entrou em um estado de tensão, com oscilações no preço do petróleo.

    Fonte: G1

  • BC deve cortar juros pela 1ª vez em quase dois anos nesta quarta, mas disparada do petróleo freia intensidade

    Essa é a expectativa da maior parte do mercado financeiro, que projeta uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Se confirmada, será a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024, ou seja, em quase dois anos.

    Economia – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (18) e deve iniciar o ciclo de corte da Selic, taxa básica de juros da economia, atualmente em 15% ao ano.

    Essa é a expectativa da maior parte do mercado financeiro, que projeta uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Se confirmada, será a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024, ou seja, em quase dois anos. Mas também há analistas que projetam manutenção do juro.

    O começo do processo de queda dos juros no Brasil deverá acontecer apesar das incertezas internacionais, decorrentes da guerra no Oriente Médio — que tem pressionado o petróleo para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito.

    A disparada do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada.

    O que dizem analistas

    Sem o fator guerra, os economistas dos mercado financeiro projetavam um corte maior na taxa de juros nesta semana, de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Mas ajustaram suas projeções para uma redução de menor intensidade, para 14,75% ao ano.

    Foi o que aconteceu com a estimativa do Itaú, que passou a projetar uma redução menor dos juros “em meio à incerteza mais elevada e a um balanço de riscos menos favorável, associado à alta relevante nos preços do petróleo”.

    A equipe de macroeconomia do ASA também reduziu de 0,5 ponto para 0,25 ponto sua projeção de corte na Selic, para 14,75% ao ano, ou seja, com um “início de ciclo de flexibilização mais cauteloso” por conta da alta no preço do petróleo.

    Como as decisões são tomadas

    Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.

    Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

    Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos.

    Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.

    • Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
    • Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o terceiro trimestre de 2027.

    Fonte: G1