Categoria: Economia

  • Supersexta da inflação traz dados do Brasil e dos EUA sob sombra da guerra

    Números do IPCA e CPI de março serão divulgados nesta sexta-feira em meio a incertezas globais com conflito no Oriente Médio.

    Economia – A agenda econômica desta sexta-feira (10) tem como destaques os dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos no mês de março, indicadores que serão acompanhados de perto pelo mercado financeiro e por bancos centrais, à medida que buscam pistas dos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial.

    Por aqui, os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) serão publicados às 9h, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Já às 9h30, o Departamento do Trabalho dos EUA divulga o CPI (na sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor).

    Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, ressalta que os dados saem em um momento de grande pressão sobre as autoridades monetárias com incertezas sobre desfechos nos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.

    “Nossa expectativa de inflação é que, nos próximos números, apareçam de forma clara os resultados do conflito no Oriente Médio sobre os preços brasileiros, resultando em preços mais elevados – o que vai gerar um cenário desafiador para as expectativas de inflação do Banco Central, porque isso tem potencial para pressioná-las ainda mais”, indica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

    As expectativas vinham se deteriorando continuamente desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no dia 28 de fevereiro.

    Nos cinco dias úteis até a última quinta-feira (2), a mediana do mercado apontava alta de 0,7% na comparação mensal de março do IPCA, segundo apuração do BC (Banco Central).

    Após dados já elevados na prévia apurada pelo IPCA-15, o Santander foi um dos que revisou suas expectativas para cima, prevendo alta de 0,72% em relação ao mês anterior, e 4% em relação ao ano passado.

    A principal fonte de dispersão para as projeções está na calibração do aumento de dois itens voláteis, segundo análise de Adriano Valladão, economista do banco espanhol: gasolina e alimentos para consumo doméstico.

    IPCA pressionado

    Analistas e casas consultadas pelo portal esperam reflexos claros da guerra nos dados desta sexta.

    “A gente está sofrendo um choque importante agora, um choque de oferta por conta da alta dos preços do petróleo e isso cria um ruído adicional na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil para a convergência da inflação”, diz Roberto Padovani, economista-chefe do BV, que vê o IPCA em alta de 0,71% na margem mensal, e de 3,97% no acumulado do ano.

    Alimentos e combustíveis são os destaques que Padovani aponta como pesos ao bolso do consumidor brasileiro no mês de março.

    Além destes componentes, itens do núcleo da inflação – que buscam identificar a tendência de longo prazo dos preços, excluindo itens voláteis – têm mostrado “surpresa altista” nas últimas leituras, destaca o economista Ederson Schumanski no relatório macroeconômico de abril do BTG Pactual.

    “O processo de desinflação iniciado ao longo do ano passado começa a dar sinais de estabilização. […] Alimentação no domicílio começando a pressionar, principalmente por produtos in natura e proteínas. Serviços continua sendo o grupo mais resiliente, em linha com um mercado de trabalho apertado e expectativas desancoradas”, pontua, ressaltando como a guerra deve impactar os preços no longo prazo.

    “Riscos que estavam assimétricos para baixo viraram. Petróleo no nível atual traz viés altista na nossa projeção do ano. […] Adicionalmente, podemos ver pressão adicional em alimentos no segundo semestre por efeito secundário da alta do diesel.”

    Outros componentes que devem apresentar alta nesta leitura de inflação são bens industriais, vestuário e energia elétrica, segundo análise pré-IPCA do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.

    Além das pressões trazidas por passagens aéreas e de combustíveis impactando fretes e insumos, a consultoria 4intelligence aponta que devem aparecer, nas leituras ao longo do ano, contaminações por conta de reajustes mais fortes de energia elétrica e o aumento da tributação sobre cigarros.

    Impacto na política monetária do Banco Central

    As pressões advindas dos componentes destacados “constituem desafio para o BC”, aponta o Daycoval.

    Considerando o cenário como um todo, a 4intelligence avalia que “aumentaram as chances de que a inflação permaneça acima do limite superior da meta, de 4,5%, por mais de seis meses consecutivos, o que reforça a assimetria altista do balanço de riscos”, consequentemente afetando o trabalho do Banco Central.

    “Nessas circunstâncias, a postura cautelosa reiterada pelos diretores do Banco Central em relação aos próximos passos da política monetária mostra-se não apenas prudente, mas necessária. […] Avaliaremos o desenrolar do cenário externo nos próximos dias para recalibrar nossas projeções para os próximos movimentos da taxa básica Selic e para o nível que ela atingirá no final do ciclo de cortes”, diz relatório semanal da casa.

    Inflação dos EUA

    Principal indicador de preços acompanho pelo Federal Reserve, o PCE já havia reforçado na quinta-feira (8) que a inflação norte-americana segue bem acima da meta de 2% do BC dos EUA, segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    Contudo, o indicador ainda não incorporava o impacto da guerra do Oriente Médio na economia.

    “O fato de o PCE de fevereiro não capturar o choque mais amplo do fechamento de Ormuz reforça a visão de que o Fed ainda opera num ambiente de ‘inflação residual’, em que o núcleo já está acima da meta antes mesmo de o impacto de petróleo e frete se propagar integralmente para serviços e manufatura”, destaca Zogbi.

    Desse modo, ela ressalta que os dados do CPI de março devem vir mais fortes na publicação desta sexta-feira.

    Padovani, do BV, ressalta que os preços de energia e combustíveis devem pressionar o índice, com o impacto do conflito nas bombas.

    “No caso norte-americano, simplesmente a gente não vê convergência, no caso brasileiro a gente vê uma convergência, mas muito lenta. Isso antes do choque. Com o choque, essa dificuldade vai ser ampliada, e por esse aspecto os dois indicadores da manhã são importantes nos Estados Unidos e no Brasil. A gente vai avaliar qual é o impacto econômico e quais são os desafios para os bancos centrais”, pontua.

    O consenso do mercado projeta um CPI geral em torno de 1% na base mensal para março, a maior variação em um ano, com o núcleo em torno de 0,3%. Na base anual, o CPI geral deve ficar perto de 3%, abaixo do pico de 2022, mas ainda acima da meta de 2% do Fed.

    “Parte do choque de energia já está rodando no CPI de março, sobretudo porque o preço da gasolina nos EUA subiu cerca de 35% a 40% desde o início do conflito, com o valor médio de galão ultrapassando US$ 4,09 e chegando perto de recordes históricos”, explica Zogbi.

    “Se o CPI vier no piso das expectativas, o Fed tende a reforçar a visão de que cortes de juros em 2026 serão poucos e diluídos no tempo, com foco em observar a trajetória de serviços e expectativas. Por outro lado, se mostrar nova aceleração, a chance de corte em 2026 recua e aumenta a possibilidade de aperto adicional, especialmente se o mercado de trabalho continuar firme e os preços de energia não caírem rapidamente”, conclui.

    Em relatório desta semana, o Itaú BBA alertou que bancos centrais ao redor do mundo devem manter juros mais elevados em decorrência do choque causado pela guerra no Oriente Médio.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Dólar cai a R$ 5,06, menor valor em 2 anos; Ibovespa supera os 195 mil pontos e bate novo recorde

    A moeda americana recuou 0,78%, negociada a R$ 5,0629, de olho no frágil cessar-fogo no Oriente Médio. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 1,52%, aos 195.129 pontos.

    Economia – O dólar fechou em queda de 0,78% nesta quinta-feira (9), cotado a R$ 5,0629 — menor valor em dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,52%, aos 195.129 pontos, e bateu um novo recorde.

    Os investidores continuaram atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A trégua anunciada entre Estados Unidos e Irã enfrenta episódios de violação e novas tensões, o que mantém o mercado em alerta. Ainda assim, o cenário é de otimismo.

    Estados Unidos e Irã enfrenta episódios de violação e novas tensões, o que mantém o mercado em alerta. Ainda assim, o cenário é de otimismo.

    O cessar-fogo anunciado há dois dias é visto como frágil. Teerã disse que ilhas foram atingidas e denunciou ataques de Israel no Líbano. Outros países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irã.

    Esse cenário eleva o temor de interrupções na oferta global de petróleo, já que o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais da commodity, voltou a ser fechado durante as tensões. Por volta das 16h, o barril do Brent subia 2,59%, a US$ 97,20.

    O movimento levou as ações da Petrobras, de grande peso no Ibovespa, a subir quase 3% nesta quarta-feira, puxando o índice para cima.

    Os investidores seguem atentos à situação no Oriente Médio, já que ainda há dúvidas sobre a continuidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

    A trégua anunciada há dois dias vem sendo marcada por episódios de tensão e relatos de ataques durante o próprio período de pausa nos combates.

    Na quarta-feira (8), houve registros de ofensivas de ambos os lados. O Irã afirmou que ilhas iranianas foram atingidas e denunciou ataques de Israel no Líbano.

    Ao mesmo tempo, países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram disparos de mísseis e drones iranianos mesmo após o início da trégua.

    Nesta quinta-feira (9), Israel voltou a bombardear alvos no Líbano.

    Diante desse cenário, cresce o receio de impactos na oferta de petróleo, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz. Por volta das 8h45 (horário de Brasília), o barril do Brent subia 3,82%, a US$ 98,57.

    Os principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta quinta-feira (9), de olho nos desdobramentos da guerra.

    O Dow Jones subiu 0,58%, aos 48.185,80 pontos. O S&P 500 avançou 0,62%, aos 6.824,63 pontos, enquanto o Nasdaq teve ganhos de 0,83%, aos 22.822,42 pontos.

    Já as bolsas europeias fecharam em queda, devolvendo parte dos ganhos registrados na véspera. O índice pan-europeu STOXX 600, por exemplo, recuou 0,15%.

    Entre os principais mercados da região, o CAC 40, da França, teve queda de 0,22%, enquanto o DAX, da Alemanha, caiu 1,14%. O FTSE 100, do Reino Unido, registrou baixa de 0,05%.

    Nas bolsas asiáticas, o clima também foi de cautela.

    Mercados da China e de Hong Kong fecharam em queda, refletindo a preocupação com o conflito. O índice de Xangai recuou 0,72%, enquanto o CSI300 caiu 0,64%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,54%.

    Outros mercados da região também operaram sem direção única. O índice Nikkei, no Japão, caiu 0,73%, e o Kospi, na Coreia do Sul, recuou 1,61%. Por outro lado, a bolsa da Austrália subiu 0,24%.

    Fonte: G1

  • Governo estuda liberar R$ 17 bilhões do FGTS para ajudar trabalhadores endividados

    Segundo o Ministério do Trabalho, proposta prevê R$ 10 bilhões para pagar dívidas do cartão de crédito e R$ 7 bilhões para trabalhadores com saque-aniversário e saldo bloqueado.

    Economia – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estuda liberar cerca de R$ 17 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar trabalhadores a pagar dívidas, especialmente as do cartão de crédito. A proposta ainda está em análise e pode ser lançada pelo governo nos próximos dias.

    Segundo a pasta, o plano prevê duas medidas diferentes:

    • 1. Liberação de até R$ 10 bilhões

    A primeira medida prevê a liberação de um valor entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões para ajudar trabalhadores a quitarem dívidas.

    A iniciativa, no entanto, não deve contemplar todos os brasileiros: o foco será em pessoas de menor renda, com exclusão de quem recebe salários mais altos — como na faixa de R$ 20 mil, por exemplo. O entendimento da pasta é que essa faixa de renda teria mais condições de arcar com os débitos.

    O Ministério, no entanto, não detalhou se já existe um teto salarial específico definido para essa proposta.

    • Liberação de R$ 7 bilhões a 10 milhões de pessoas

    Já a segunda medida, divulgada anteriormente, prevê a liberação de cerca de R$ 7 bilhões para aproximadamente 10 milhões de trabalhadores. O valor é destinado a quem aderiu ao saque-aniversário, foi demitido e teve parte do saldo do FGTS bloqueada como garantia de empréstimos bancários.

    Na prática, essa segunda proposta busca devolver valores que ficaram bloqueados além do necessário nessas operações. Quando o trabalhador antecipa o saque-aniversário, a Caixa Econômica Federal retém parte do saldo do FGTS como uma garantia do empréstimo — uma espécie de reserva para cobrir o pagamento caso o trabalhador tenha dificuldade de quitar a dívida.

    Segundo o Ministério, no entanto, esse bloqueio costuma ser superior ao valor real da dívida. Em um exemplo citado, podem ser retidos R$ 10 mil como garantia para cobrir um débito de cerca de R$ 6,4 mil. A diferença — que não corresponde à dívida — fica indisponível para o trabalhador.

    A proposta em estudo prevê justamente a liberação desse excedente, com depósito direto na conta do trabalhador. A medida, nesse caso, deve alcançar quem utilizou a antecipação do saque-aniversário entre janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025.

    Para entrar em vigor, será necessária a edição de uma Medida Provisória (MP). Diferentemente da medida de até R$ 10 bilhões, essa iniciativa não terá recorte por faixa de renda, já que se trata de recursos que já pertencem ao trabalhador, mas que permaneceram retidos em excesso.

    Governo quer unificar dívidas

    Como antecipado pelo blog do Valdo Cruz, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer tentar socorrer os brasileiros endividados reunindo todas as dívidas das pessoas físicas em uma só.

    O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram nesta semana para definir quais serão as medidas adotadas na nova proposta de refinanciamento das dívidas de brasileiros.

    A ideia é reunir a dívida do cartão de crédito, crédito pessoal e outras num só débito e trocá-las por uma nova dívida, com juros mais baixos e desconto no principal que pode chegar, em alguns casos, a 80%.

    Além de unificar as dívidas em uma só, todo processo de renegociação será feito diretamente com bancos, para tornar o processo mais rápido.

    Os bancos, para refinanciar e conceder descontos no principal da dívida, vão receber verbas possivelmente do Fundo de Garantia de Operações. Se as dívidas refinanciadas não forem pagas, os bancos terão garantia de que vão receber os valores refinanciados.

    A proposta está entre as prioridades do governo neste ano e tem um componente eleitoral, principalmente em um momento em que o presidente Lula enfrenta novamente uma fase de piora na aprovação de sua gestão

    Fonte: G1

  • Inflação dos alimentos da cesta básica aumenta em todas as capitais

    Levantamento é do Dieese e da Conab.

    Economia – Os custos para aquisição dos alimentos da cesta básica subiram nas 27 capitais, segundo monitoramento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo permanece com o maior valor apurado, de R$ 883,94, enquanto Aracaju tem a cesta mais barata, uma média de R$ 598,45.

    Os alimentos com maior impacto foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, todos com aumento, sendo que os três primeiros tiveram impacto decisivo das chuvas nas principais regiões produtoras. Na contramão, o açúcar teve queda no custo médio em 19 cidades, relacionada ao excesso de oferta.

    Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, as cidades com aumento mais expressivo foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Entre os valores nominais, além da capital paulista há destaque para as cidades do Rio de Janeiro (R$ 867,97), de Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93), com as demais capitais tendo valores médios abaixo do patamar dos R$ 800.

    Com o salário mínimo a R$ 1.621,00 o trabalhador nessas cidades precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta. Ainda que alto, o valor apresentou queda se comparado à renda, em relação ao ano passado.

    “Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%”, indicou o levantamento.

    Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos, enquanto em fevereiro era de 93 horas e 53 minutos. Se comparado com março de 2025, considerando o conjunto restrito de 17 capitais analisadas, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.

    O estudo permite comparar, ainda, o aumento desde o ano passado, e aponta que houve alta em 13 cidades e queda em quatro nos últimos 12 meses, com destaque para os aumentos em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação de intervalo anual é limitada a 17 capitais, pois o Dieese não realiza levantamentos mensais nas cidades de Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luiz e Teresina.

    Regime de chuvas

    O estudo indica que o valor do feijão subiu em todas as cidades. O grão preto, pesquisado nos municípios da Região Sul, do Rio de Janeiro e de Vitória, apresentou alta, com percentuais entre 1,68%, em Curitiba, e 7,17%, em Florianópolis. Para o grão carioca, coletado nas demais capitais, os aumentos ficaram entre 1,86%, em Macapá, e 21,48%, em Belém. A alta do feijão ocorreu devido à restrição de oferta, por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra, mostra o levantamento.

    “Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais, só que o que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e a gente tem uma área plantada menor”, explicou Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).

    Lüders lembrou que a produção ainda tem atraso considerável em outras áreas, como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas levou a uma janela menor entre culturas e forçou a substituição por um tipo de feijão preto destinado principalmente ao mercado indiano.

    “Os números que a gente tem hoje não refletem a nossa realidade, a gente tem tido menos o carioca, pois é um feijão que o governo não garante preço, já que o preço mínimo existe para enfeite, o produtor não se beneficia em nenhum momento disso não há mercado externo”. Esses fatores levaram a uma diferença considerável entre o feijão carioca e o feijão preto, variedades mais procuradas nos maiores mercados.

    O grão carioca chega a ser vendido hoje a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda de fato a partir dos meses de agosto, setembro e outubro, quando se colhe a safra irrigada. O feijão preto ainda tem um valor melhor, em torno de R$ 200 a 210 a saca, pois há muito estoque das duas colheitas de 2025, mas esse excedente será pressionado já que se plantou pouco na segunda safra, que é a do começo do ano, e a cultura sofreu impacto da chuva forte no Paraná. A expectativa é de uma inversão de preços, com o feijão preto mais caro do que o carioca em 2026.

    “Isso é terrível para os produtores. A exportação diminuiu em 2025, isso é cíclico. O estímulo para plantar o feijão carioca é muito grande, e isso é um risco pois pode derrubar o preço”, complementa o analista.  

    A estimativa da Conab indica uma produção superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O impacto do aumento do custo de fertilizantes e de combustíveis ainda não foi sentido pelo setor, o que aumenta a incerteza. Há expectativa de aumento global dos valores de alimentos.

    Salário mínimo

    O Dieese também mostra o valor ideal do salário mínimo. Para isso, considera a cesta mais cara, em São Paulo e os custos básicos que dariam conta das necessidades garantidas na Constituição para o trabalhador e sua família: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em março, o valor para uma família de quatro pessoas seria R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo. Na comparação com março de 2025 o mínimo necessário seria de R$ 7.398,94 ou 4,87 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.


    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Justiça derruba imposto de exportação a petroleiras

    Juiz entende que o imposto pode ser inconstitucional. Em março, o governo havia elevado o imposto de exportação sobre petróleo de zero para 12% para cobrir a isenção de tributos federais sobre o diesel e os primeiros estímulos aos importadores do combustível.

    Economia – A Justiça Federal do Rio de Janeiro emitiu uma liminar isentando a TotalEnergies, Repsol Sinopec, Petrogal (da Galp), Shell e Equinor de um imposto sobre as exportações de petróleo bruto, conforme mostra um documento judicial visto pela Reuters.

    A decisão desta quarta-feira (8) afirma que o imposto de 12%, instituído há cerca de um mês após o salto nos preços do petróleo devido à guerra entre Estados Unidos-Israel e o Irã, pode ser inconstitucional. Uma decisão definitiva ainda está pendente.

    Em sua decisão, o juiz afirmou que o próprio governo brasileiro reconheceu que o imposto foi criado para gerar receita, o que ele classificou como um “verdadeiro desvio de finalidade”.

    A isenção pode criar um problema para o governo, uma vez que a taxa visava cobrir perdas de arrecadação decorrentes de cortes de impostos sobre combustíveis. A estatal brasileira Petrobras, maior exportadora de petróleo do país, não é afetada pela decisão.

    As críticas ao imposto aumentaram nesta quarta-feira (8), com o grupo de lobby do setor de petróleo, Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), afirmando que a taxa é um obstáculo a novos investimentos no país. Enquanto isso, as grandes petrolíferas enfatizaram que o Brasil precisa de “estabilidade” fiscal e regulatória.

    O Ministério de Minas e Energia do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. No início da quarta-feira, o ministro Alexandre Silveira defendeu o imposto como uma medida excepcional devido ao impacto do conflito no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil.

    No mesmo evento em que o IBP e as petrolíferas criticaram o imposto, Silveira disse que as empresas estão lucrando com o conflito no Oriente Médio e podem “pagar um pouco mais” para ajudar o governo a subsidiar o combustível.

    O imposto é uma taxa temporária projetada para durar até o final deste ano e visa aumentar o refino doméstico e garantir o abastecimento interno, informou o governo na época de seu lançamento.

    Fonte: G1

  • Dólar opera em queda e vai a R$ 5,06 com trégua no Irã; Ibovespa bate novo recorde

    Na véspera, a moeda americana avançou 0,17%, negociada a R$ 5,1549. O principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 0,05%, aos 188.259 pontos.

    Economia – O dólar operava em queda de 1,13% nesta quarta-feira (8), cotado a R$ 5,0965 perto das 13h15 e alcançando o menor patamar em quase dois anos. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,0654. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrava alta de 1,95% no mesmo horário, aos 191.934 pontos. Na máxima, foi aos 193 mil pontos.

    Os mercados ao redor do mundo acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Um acordo temporário entre Estados Unidos e Irã ajudou a reduzir parte das tensões e passou a influenciar o comportamento dos preços no mercado internacional.

    No exterior, investidores repercutem a decisão de EUA e Irã estabelecerem um cessar-fogo de duas semanas, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. A suspensão temporária dos ataques teve reflexo imediato no mercado de petróleo, que registrou queda na noite de terça-feira.

    Pouco antes das 9h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência global, recuava 15,31%, para US$ 92,54. Já o WTI, usado como referência nos EUA, caía 17,26%, para US$ 93,43.

    O acordo foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações entre os países estão previstas para ocorrer em Islamabad, capital paquistanesa.

    Além da questão geopolítica, investidores também aguardam a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. O documento detalha as discussões que levaram à decisão de manter os juros no país.

    No Brasil, a agenda desta quarta-feira inclui a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado, prevista para começar às 9h.

    Cessar-fogo no Irã

    O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) uma trégua temporária nas tensões com o Irã. Segundo ele, o governo americano decidiu adiar por duas semanas um ultimato que previa novos ataques, abrindo espaço para negociações entre os dois países.

    Trump havia estabelecido prazo até 21h de ontem (horário de Brasília) para que o Irã aceitasse um acordo e garantisse a reabertura completa da passagem marítima.

    Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que resolveu suspender temporariamente as ações militares após um pedido de autoridades do Paquistão, que atuam como mediadoras nas conversas entre os dois países.

    O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações ocorrerão em Islamabad, capital do país. O objetivo é buscar um entendimento mais amplo entre as partes.

    De acordo com autoridades da Casa Branca, o acordo de trégua também envolve Israel. Veículos da imprensa israelense afirmaram ainda que o cessar-fogo inclui o Líbano.

    Trump declarou que os objetivos militares dos EUA no Irã já foram alcançados e que as negociações para um acordo definitivo de paz estariam avançadas.

    Segundo ele, Washington recebeu de Teerã uma proposta com 10 pontos, considerada uma base possível para negociação. O presidente afirmou ainda que a maior parte das divergências entre os dois países já teria sido resolvida.

    Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo foi fechado. Ele afirmou que o Irã vai suspender ações defensivas, desde que os ataques contra o país também sejam interrompidos.

    Araghchi acrescentou que, durante o período de trégua, a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, embora com algumas condições

    As bolsas de valores ao redor do mundo operavam em alta nesta quarta-feira.

    Nos EUA, os principais índices de Wall Street já indicavam um dia positivo antes mesmo da abertura do pregão

    No pré-mercado, os contratos futuros do S&P 500 subiam 2,7%, enquanto os do Dow Jones avançavam 2,6%. Já os futuros do Nasdaq registravam alta de 3,4%.

    Na Europa, os mercados também apresentavam ganhos expressivos. Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o índice pan-europeu STOXX 600 avançava 4,05%, aos 614,52 pontos.

    Entre as principais bolsas da região, o CAC 40, da França, subia 4,5% por volta do meio-dia. O DAX, da Alemanha, avançava quase 5%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, registrava alta de 2,9%.

    Na Ásia, os mercados também fecharam em alta. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 3,1%, para 25.893,02 pontos, enquanto o Shanghai Composite, da China, avançou 2,7%, para 3.995,00 pontos.

    O Nikkei 225, do Japão, terminou o pregão com alta de 5,4%, aos 56.308,42 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou ganho de 6,9%, aos 5.872,34 pontos.

    Fonte: G1

  • Petróleo despenca após Trump suspender ataques ao Irã

    Barril do petróleo bruto WTI caiu 11%, para menos de US$ 101, após presidente americano adiar ultimato.

    Economia – O preço do petróleo despencou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma suspensão de duas semanas nos ataques ao Irã.

    O barril de West Texas Intermediate (WTI), petróleo bruto usado como referência nos EUA, caiu 16%, para menos de US$ 95.

    Os contratos futuros do S&P 500 subiram mais de 2% e o dólar recuou de forma generalizada, após ter sido o principal refúgio dos investidores durante a turbulência.

    Trump afirmou que este será um cessar-fogo bilateral condicionado à reabertura pelo Irã do Estreito de Ormuz, área entre o Golfo do Omã e o Golfo Pérsico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

    O bloqueio imposto pelo Irã abalou os mercados de energia e levou a uma alta de quase 70% no preço do petróleo WTI desde o início do conflito, em fevereiro.

    Trump havia dado até as 21h desta terça-feira (horário de Brasília) para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse o Estreito de Ormuz — rota por onde passa grande parte do petróleo mundial.

    O presidente dos EUA tinha prometido destruir pontes e usinas de energia do Irã. Mais cedo, ele afirmou que uma “civilização inteira” morreria com os ataques previstos para esta terça.

    Depois, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.

    “Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, afirmou.

    Com o anúncio, os contratos futuros indicavam ganhos generalizados nas bolsas da Ásia, que vinham sendo pressionadas pela guerra e pela alta dos preços de energia, enquanto os contratos futuros dos Treasuries de 10 anos subiram cerca de 15 pontos.

    Fonte: G1

  • Crise do petróleo expõe fragilidades e cobra preço de decisões estratégicas no Brasil

    Alta global reacende debate sobre refino, estoques e dependência de derivados; país está mais protegido que outros, mas ainda enfrenta vulnerabilidades.

    Economia – A nova crise do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã, voltou a testar a capacidade dos países de reagirem a choques energéticos — e no Brasil, escancarou um problema antigo: a dependência de derivados mesmo sendo um grande produtor de petróleo.

    Embora o país tenha ampliado suas exportações de petróleo bruto nos últimos anos, garantindo certa segurança quanto ao abastecimento da matéria-prima, o consumo interno depende cada vez mais de produtos refinados, como diesel e gasolina. E é justamente nesse ponto que surgem as fragilidades.

    Exportador de petróleo, importador de diesel

    O Brasil produz petróleo em volume suficiente para atender sua demanda, mas ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Isso ocorre porque o parque de refino nacional não acompanha o ritmo da produção, criando um desequilíbrio estrutural.

    Esse cenário já havia sido apontado em estudos da Fundação Getulio Vargas, que destacavam a necessidade de fortalecer a capacidade de refino para reduzir a exposição a crises internacionais.

    Agora, com a disparada dos preços globais, o tema voltou ao centro do debate.

    Petrobras acelera planos

    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal estuda antecipar a autossuficiência na produção de diesel. A meta anterior era atender até 80% da demanda interna, mas pode ser ampliada para 100% em até cinco anos.

    O principal eixo dessa estratégia é a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cuja expansão deve dobrar a capacidade de produção de derivados até o fim da década.

    Decisões do passado cobram a conta

    A trajetória da refinaria ilustra o desafio. Anunciada em 2005 como parceria entre Brasil e Venezuela, a obra acabou sendo assumida integralmente pelo país após a saída do parceiro. Problemas políticos e investigações interromperam a expansão por anos.

    Agora, com a retomada do projeto, o governo tenta recuperar o tempo perdido em um momento de pressão internacional.

    Mundo reage com estoques estratégicos

    Enquanto o Brasil corre para ampliar o refino, outros países já contam com mecanismos mais robustos de proteção. A Agência Internacional de Energia coordena reservas estratégicas que somam bilhões de barris entre seus membros.

    Recentemente, a entidade articulou a liberação de cerca de 400 milhões de barris para reduzir os impactos do fechamento de rotas críticas, como o Estreito de Ormuz.

    Países como Estados Unidos, Japão e Alemanha mantêm estoques capazes de sustentar meses de consumo em situações de emergência — uma estratégia criada após crises históricas, como o choque do petróleo de 1973.

    Brasil em posição intermediária

    Apesar das limitações, o Brasil não está entre os países mais vulneráveis. Por ser produtor relevante, especialmente com o pré-sal, o país tem maior segurança no acesso ao petróleo bruto.

    Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, essa produção funciona como uma espécie de “reserva estratégica natural”. Ainda assim, a falta de estoques físicos relevantes e a dependência de importação de derivados seguem como pontos de atenção.

    Desafio estrutural

    A crise atual evidencia que o problema não é apenas conjuntural, mas estrutural. O Brasil precisa equilibrar sua posição de grande exportador de petróleo com a capacidade de processar internamente o que consome.

    Sem isso, o país continuará exposto às oscilações do mercado internacional — pagando mais caro sempre que o barril dispara.

    No cenário global de incertezas, a conta chega não apenas no preço dos combustíveis, mas também na forma de decisões estratégicas que, agora, precisam ser revistas com urgência.

  • Governo zera PIS e Cofins sobre o combustível de aviação para conter alta do preço das passagens aéreas

    Combustível passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciada pela Petrobras na última semana.

    Economia – O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (6), um pacote de medidas para reduzir os impactos da alta do querosene de aviação em meio à escalada do preço do produto.

    O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciado pela Petrobras na última semana.

    O reajuste ocorreu em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.

    As medidas são:

    • zerar PIS/Cofins para as empresas aéreas, o que gera uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível;
    • prorrogar o pagamento da tarifa de navegação. As empresas pagarão apenas em dezembro as tarifas da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho;
    • abrir duas linhas de crédito.

    A primeira linha de crédito conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas.

    Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou instituição por ele habilitada.

    A segunda linha de crédito terá foco no capital de giro de seis meses, com recursos de R$ 1 bilhão, e condições financeiras e elegibilidade a serem definidas ainda pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco assumido pela União.

    As linhas se somam ao mecanismo já adotado pela Petrobras de mitigação do aumento do preço do QAV, anunciado na semana passada.

    Na semana passada, a Abear afirmou que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens.

    Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%.

    A declaração ocorreu poucas horas após a confirmação oficial de que a Petrobras elevaria os preços às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato.

    Ao todo, mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo.

    Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115.

    Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 0,35%, a US$ 100,23. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97.

    Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores

    A Petrobras, por sua vez, anunciou em comunicado uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho.

    Fonte: G1

  • Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos preços de combustíveis

    Medida para reduzir preço do combustível traz impacto de R$ 4 bilhões, metade para os estados. Governo também vai zerar PIS/Cofins que incidem sobre o biodiesel e o querosene da aviação.

    Economia – O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo.

    Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das medidas anunciadas será de R$ 31 bilhões. Mas, segundo ele, não terá impacto fiscal, pois será compensado por receita advinda do óleo diesel e royalties, por exemplo.

    As ações contemplam subvenção ao diesel importado, ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e ao querosene da aviação.

    A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual).

    O objetivo central é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

    Somado ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52.

    A divisão busca repartir o custo da medida e facilitar a adesão dos governos estaduais, reduzindo a pressão sobre apenas um nível de governo.

    Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio desse ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal.

    Pelo lado dos estados, o subsídio será feito por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O fundo é usado pelo governo federal para repassar recursos mensalmente aos governos estaduais.

    Agora, parte desse dinheiro será retido, em valor equivalente a R$ 0,60 por litro, que cada estado vai contribuir.

    O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

    O benefício será direcionado aos importadores de diesel, empresas responsáveis por trazer o combustível do exterior para complementar a oferta no país.

    Entre as medidas anunciadas estão uma medida provisória, um projeto de lei e decretos que buscam conter os impactos da alta dos combustíveis decorrentes da guerra no Oriente Médio.

    A medida também cria uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, que se somará àquela de R$ 0,32/litro que já está em vigor.

    Essa subvenção será realizada apenas com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês.

    A medida durará por dois meses, podendo ser prorrogada por igual período. Os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.

    O governo também vai publicar um decreto que zera o PIS/Cofins que incidem sobre o biodiesel. Segundo o Palácio do Planato, a medida vai gerar uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível.

    O combustível renovável hoje é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, em uma proporção de 15%.

    O governo também subsidiará o gás de cozinhaSegundo o governo, haverá uma compensação relativa à diferença entre o preço nacional e o internacional, que será coberto por uma subvenção de até R$ 330 milhões.

    De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a isenção do Pis/Cofins, tanto para o biodiesel quanto para o querosene da aviação, será compensada pelo ajuste da alíquota dos cigarros.

    Segundo o Ministério da Fazenda, o apoio financeiro não terá validade nos estados que não aderiram ao acordo com o governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, 25 estados já aderiram ao programa.

    Diante do risco de as passagens aéreas aumentarem em até 20%, o governo federal anunciou que vai zerar o PIS/Cofins até o final do ano sobre o querosene da aviação.

    O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciada pela Petrobras na última semana.

    Também será lançada duas linhas de crédito. Uma delas será ofertada pelo Fundo Nacional da Aviação (Fnac) e terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas.

    As tarifas de navegação também serão prorrogadas. As taxas referentes aos meses de abril, maio e junho serão pagas pelas empresas aéreas somente no mês de dezembro.

    A medida surge em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento.

    Como o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o cenário externo tem impacto direto nos preços internos e no custo de vida da população.

    Com o aumento do petróleo no mercado internacional, o custo do diesel sobe rapidamente, o que pode gerar risco de desabastecimento ou aumentos mais bruscos.

    Fonte: G1