Com trajetória de oito anos na indústria, profissional relata rotina, diversidade e senso de comunidade dentro do Distrito Industrial, que atualmente mantém mais de 129 mil empregos diretos no início de 2026.
Manaus – No Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta-feira (1º), o engenheiro de qualidade Gabriel Siza representa a rotina de milhares de profissionais que ajudam a movimentar o Polo Industrial de Manaus. Há cerca de oito anos na indústria, ele contou em entrevista ao g1 que construiu a carreira passando por diferentes empresas e acompanhando de perto a dinâmica do setor no Amazonas.
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus indicam que o polo mantém mais de 129 mil empregos diretos no início de 2026, refletindo a dimensão da atividade industrial no estado.
A experiência no Polo Industrial de Manaus, segundo Gabriel, vai além do ambiente de trabalho. Gabriel destaca o senso de comunidade criado dentro do Distrito Industrial, onde profissionais de diferentes empresas e áreas convivem diariamente.
Cultura e diversidade
Atualmente atuando em uma empresa do setor de tecnologia, Gabriel também destacou a presença de companhias internacionais no polo e a convivência entre diferentes culturas.
Tem empresas chinesas, japonesas, europeias, e todas acabam se adaptando ao nosso jeito. A gente mostra nossa cultura, nosso jeito de trabalhar, e isso é muito valorizado”, afirma.
Para ele, o reconhecimento da mão de obra local é um dos pontos que sustentam o modelo ao longo dos anos.
Mais de 129 mil trabalhadores movimentam Zona Franca
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus apontam que o modelo industrial segue com mais de 129 mil trabalhadores diretos em atividade no início de 2026.
De acordo com o balanço do primeiro bimestre do ano, o PIM fechou fevereiro com 128.985 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. A média mensal de empregos diretos nos dois primeiros meses do ano foi de 129.254 postos, indicando estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho ocorre em um cenário de manutenção da atividade industrial. Entre janeiro e fevereiro, o polo faturou R$ 37,04 bilhões, praticamente estável frente aos R$ 37,37 bilhões registrados no ano anterior. Em dólar, o faturamento chegou a US$ 6,73 bilhões.
Apesar da estabilidade na receita, o setor apresentou avanço nas exportações. No acumulado do bimestre, as vendas externas somaram US$ 125,29 milhões, crescimento de 27,28% na comparação com 2025.
Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, os números refletem um momento de equilíbrio do modelo.
Recorde recente de empregos
O atual patamar de empregos se mantém próximo do maior já registrado na história do polo. Em 2025, o PIM atingiu recorde de 131.446 trabalhadores em abril, consolidando o melhor resultado desde a criação do modelo.
O número representou crescimento tanto em relação ao mês anterior quanto na comparação anual, reforçando a recuperação da indústria e a ampliação da mão de obra no estado.
Setores que mais empregam e produzem
No início de 2026, os segmentos que mais contribuíram para o faturamento do polo foram:
- Duas rodas (20,82%)
- Bens de informática (18,85%)
- Eletroeletrônico (15,91%)
- Químico (12,16%)
- Termoplástico (9,14%)
- Metalúrgico (8,87%)
- Mecânico (8,59%)
Entre os destaques do período, o setor de bebidas teve alta de 43,64% no faturamento. Já na produção, os celulares lideraram em volume, com mais de 1,8 milhão de unidades fabricadas, enquanto o segmento de duas rodas produziu 379 mil motocicletas.
O que é a Zona Franca de Manaus
Criada em 1967, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento baseado em incentivos fiscais para atrair indústrias à Amazônia. A iniciativa permite a redução ou isenção de impostos para empresas do Brasil e estrangeiras que produzem na região, estimulando a economia local.
Atualmente, o polo reúne mais de 500 empresas e é responsável pela fabricação de itens presentes no dia a dia dos brasileiros, como televisores, celulares, motocicletas, computadores e eletrodomésticos.
Com validade garantida até 2073 e respaldo na Constituição Federal, a Zona Franca segue como um dos principais pilares econômicos do Amazonas, combinando geração de empregos com desenvolvimento industrial em plena região amazônica.
O modelo, inclusive, é garantido pela Constituição Federal de 1988 e também está no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, um documento que contém regras de transição do texto constitucional antigo para o atual.
Fonte: G1 Amazonas