Categoria: Saúde

  • Incêndio em reator nuclear acende alerta: tratamento contra câncer pode ser afetado no Brasil?

    Caso no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares levanta dúvidas sobre produção nacional do lutécio-177, usado em terapias oncológicas.

    Saúde – Um incêndio registrado na sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-R1, em São Paulo, colocou em debate os possíveis impactos no tratamento de pacientes com câncer no Brasil. A unidade pertence ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e é considerada estratégica para o avanço da medicina nuclear no país.

    O incidente ocorreu nos dias 24 e 25 de março e, embora não haja registro de danos diretos à população, especialistas avaliam que o episódio pode trazer consequências futuras, especialmente na produção do Lutécio-177 — substância utilizada no tratamento de câncer de próstata e tumores neuroendócrinos.

    Impacto imediato é limitado

    Segundo o oncologista Denis Jardim, o efeito no curto prazo tende a ser pequeno. Isso porque o uso do lutécio-177 ainda é restrito a casos específicos e, atualmente, grande parte dos tratamentos no Brasil utiliza versões importadas do medicamento.

    Além disso, há alternativas terapêuticas disponíveis, como quimioterapia e terapias-alvo, que continuam sendo eficazes para muitos pacientes. “São indicações específicas. Existem outros tratamentos com eficácia semelhante”, explica o especialista.

    No caso do câncer de próstata, por exemplo, o medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária já é comercializado e não depende diretamente da produção nacional.

    Preocupação maior é com o futuro

    Apesar do impacto imediato ser considerado baixo, o cenário preocupa no médio e longo prazo. O reator do IPEN é o único no país com potencial para produzir o lutécio-177 em escala nacional, o que poderia reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento.

    Com a paralisação da unidade por tempo indeterminado — determinada pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear —, projetos de desenvolvimento e autonomia na produção do radioisótopo podem sofrer atrasos.

    A interrupção também afeta pesquisas científicas conduzidas no local, fundamentais para o avanço de novas terapias oncológicas no Brasil.

    Tratamento segue, mas dependência externa continua

    Hoje, pacientes que utilizam terapias com lutécio-177 não devem sofrer interrupções imediatas. No entanto, o episódio reforça a dependência do Brasil de insumos importados na área de medicina nuclear.

    Para especialistas, o caso evidencia a importância de investir em infraestrutura, segurança e produção nacional de radiofármacos — um passo essencial para ampliar o acesso a tratamentos inovadores e reduzir custos no sistema de saúde.

    Enquanto isso, o reator segue fora de operação, e a retomada das atividades dependerá da comprovação de condições seguras, mantendo em suspenso planos estratégicos para o futuro da oncologia no país.

  • ‘Prefiro desaparecer’: o que disse jovem espanhola em última entrevista dias antes de eutanásia

    Noelia Castillo morreu nesta quinta-feira (26) após passar por uma eutanásia legalmente autorizada. O procedimento foi liberado após uma longa briga judicial com seu pai.

    Saúde – A espanhola Noelia Castillo, que morreu nesta quinta-feira (26) após passar por uma eutanásia legalmente autorizada, deu sua última e única entrevista quatro dias antes do procedimento para a emissora espanhola Antena 3.

    Na conversa com a repórter, Noelia desabafou sobre seu desejo e sobre a recusa da família diante de sua decisão

    “Eles me dizem: ‘Você vai embora e nós ficamos aqui com toda a dor da sua partida’, mas eu penso: e toda a dor que eu já sofri? Só quero ir embora em paz e deixar de sofrer”, afirmou.

    A jovem disse que sua vontade era desaparecer.

    “Sempre me senti sozinha, nunca me senti compreendida, nunca tiveram empatia comigo. Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer, porque está cada vez pior”, declarou.

    Durante a entrevista, Noelia também relatou o sofrimento físico e emocional que enfrentava. Segundo ela, tinha dores constantes e dificuldade para dormir, além de falta de disposição para atividades cotidianas.

    “Dormir é muito difícil para mim, sinto dores nas costas, nas pernas, dor física diária. Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de comer, só descansar”, disse.

    Ela contou que enfrentava problemas de saúde mental desde a adolescência e que foi diagnosticada com transtornos psiquiátricos, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline.

    Noelia também relembrou episódios traumáticos ao longo da vida, incluindo dificuldades familiares, tentativas de suicídio e internações em centros psiquiátricos. 

    Apesar disso, afirmou que sua condição não a deixava totalmente incapacitada. “Não é verdade que eu esteja acamada. Eu me levanto, tomo banho sozinha, me maquio, me organizo sozinha”, explicou.

    Mesmo assim, disse estar decidida

    Já não posso mais com essa família, com as dores, com tudo o que me atormenta na cabeça. Não quero ser exemplo de ninguém, é simplesmente a minha vida”, afirmou.

    Questionada se se arrependia do procedimento, foi direta: “Não, eu tinha isso muito claro desde o início. A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve estar acima da felicidade de uma filha”, concluiu.

    A mãe de Noelia também falou ao canal. Yolanda Ramos afirmou que não concordava com a escolha da filha, mas respeitava.

    Foram três anos de altos e baixos, anos horríveis, em que rezei muito; mas se ela não quiser viver, não aguento mais”, disse.

    Yolanda afirmou também ter esperança de que a filha fosse desistir.

    “Não perdi a esperança de que, no último momento, quando colocarem o soro para sedá-la, ela queira parar tudo isso e mudar de ideia”, disse.

    Antes de iniciar o pedido de eutanásia, a jovem já vivia um histórico de sofrimento psicológico. Após episódios de violência sexual, desenvolveu um quadro de intensa fragilidade emocional. Nesse contexto, tentou suicídio ao se lançar de um prédio.

    A queda causou uma lesão grave na medula e resultou em paraplegia. Desde então, passou a depender de cadeira de rodas e a conviver com dor crônica e limitações físicas importantes.

    O procedimento foi realizado depois de um longo processo de avaliação médica e disputas judiciais que se estenderam por cerca de 601 dias.

    A condição foi avaliada por uma comissão independente, que concluiu que ela atendia aos critérios previstos na legislação espanhola para a eutanásia

    Antes da aprovação, o pai da jovem tentou barrar a decisão judicialmente, sob o argumento de que ela não teria condições psicológicas de decidir sobre a própria morte.

    A contestação levou o caso a diferentes instâncias da Justiça espanhola, incluindo tribunais superiores e até cortes europeias. Ainda assim, as decisões mantiveram o entendimento de que a jovem atendia aos critérios legais para a eutanásia.

    Segundo a mídia espanhola, pareceres técnicos indicaram que ela apresentava um quadro clínico irreversível, com dependência funcional importante, dor contínua e sofrimento considerado incapacitante —elementos exigidos pela legislação do país.

    Fonte: G1

  • Espanhola de 25 anos consegue autorização para eutanásia após anos de disputa judicial

    Caso envolve jovem com paraplegia e sofrimento crônico; decisão foi validada por instâncias médicas e judiciais na Espanha.

    Saúde – Uma jovem espanhola de 25 anos deve passar por eutanásia nesta quinta-feira (26) após obter autorização legal e médica para o procedimento, em um caso que mobilizou tribunais e especialistas ao longo de anos na Espanha.

    Noelia Castillo vive com paraplegia e dor crônica após uma lesão grave causada por uma queda de grande altura. A tentativa de suicídio ocorreu em 2022, em meio a um quadro de sofrimento psicológico intenso, desencadeado por uma violência sexual.

    Desde então, ela passou a depender de cadeira de rodas e a conviver com limitações físicas severas, dor persistente e condições emocionais irreversíveis.

    O pedido de eutanásia foi iniciado há cerca de dois anos e percorreu um longo caminho institucional. O caso foi analisado por equipes médicas, passou pela comissão responsável por avaliar esse tipo de solicitação e acabou sendo levado à Justiça após contestação familiar.

    A autorização para o procedimento não foi imediata. O pai da jovem tentou barrar a decisão judicialmente, sob o argumento de que ela não teria condições psicológicas de decidir sobre a própria morte.

    A contestação levou o caso a diferentes instâncias da Justiça espanhola, incluindo tribunais superiores e até cortes europeias. Ainda assim, as decisões mantiveram o entendimento de que a jovem atendia aos critérios legais para a eutanásia.

    Segundo a mídia espanhola, pareceres técnicos indicaram que ela apresentava um quadro clínico irreversível, com dependência funcional importante, dor contínua e sofrimento considerado incapacitante —elementos exigidos pela legislação do país.

    Além das limitações físicas, o caso reúne um histórico complexo de sofrimento psicológico. Ainda de acordo com a mídia espanhola, antes da lesão que a deixou paraplégica, a jovem já havia passado por episódios de violência e por atendimentos em serviços de saúde mental.

    Após a lesão, o quadro se agravou com dores persistentes, dificuldades funcionais e impacto significativo na qualidade de vida, segundo relatos publicados pela imprensa europeia.

    A combinação de fatores físicos e psíquicos foi considerada no processo de avaliação, que na Espanha leva em conta não apenas doenças terminais, mas também condições crônicas e incapacitantes.

    A eutanásia é legal na Espanha desde 2021 e pode ser autorizada em situações específicas.

    Para ter acesso ao procedimento, é necessário:

    • diagnóstico de doença grave e incurável ou condição crônica incapacitante,
    • sofrimento considerado intolerável,
    • pedido voluntário, informado e reiterado,
    • avaliação por mais de um profissional de saúde,
    • validação por uma comissão independente.

    O paciente também precisa estar mentalmente apto para tomar a decisão —ponto central no caso, diante da contestação familiar.

    No Brasil, a eutanásia é proibida e pode ser enquadrada como crime.

    O Conselho Federal de Medicina autoriza, no entanto, a chamada ortotanásia —quando tratamentos que apenas prolongam a vida são suspensos, priorizando o conforto do paciente.

    Esses casos geralmente são associados aos cuidados paliativos, abordagem médica voltada ao controle da dor e de outros sintomas em doenças graves, sem a intenção de antecipar a morte.

    O  caso chama atenção por envolver não apenas uma condição física irreversível, mas também sofrimento psicológico associado, um dos pontos mais sensíveis na aplicação da lei.

    Na Espanha, a legislação admite que o sofrimento psíquico seja considerado, desde que esteja associado a uma condição clínica grave e que o paciente tenha capacidade de decisão comprovada.

    A avaliação costuma envolver equipes multidisciplinares e etapas sucessivas justamente para evitar decisões precipitadas.

    Fonte: G1

  • FVS-RCP intensifica ações educativas para enfrentamento da esporotricose no Amazonas

    Com foco na comunidade, FVS-RCP fortalece ações educativas e reforça medidas simples para reduzir a transmissão da doença

    Saúde – Como parte das ações contínuas contra a esporotricose no estado, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realiza, nesta quarta-feira (25/03), um encontro estratégico para fortalecer a integração entre a vigilância ambiental e a educação em saúde.

    A iniciativa aposta no desenvolvimento de materiais educativos conectados à realidade da população, com linguagem clara e acessível, para ampliar a adesão às medidas de prevenção.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que a informação qualificada é uma aliada importante no controle da doença. “Medidas como a guarda responsável dos animais, a castração de gatos e o cuidado com animais doentes são essenciais para reduzir a transmissão”, afirma.

    A gerente de zoonoses, Érica Chagas, reforça que a resposta depende de atuação conjunta. “A esporotricose envolve saúde humana, bem-estar animal e meio ambiente, o que exige integração entre diferentes setores e a participação da população”, explica.

    Nesse contexto, a pedagoga da FVS-RCP, Ivanilde Mafra ressalta o papel da educação em saúde na mudança de comportamento. “Quando a população entende o problema, passa a adotar práticas de prevenção. Por isso, é fundamental usar uma linguagem adequada para alcançar diferentes públicos”, destaca.

    Recomendação principal 

    Para evitar o adoecimento por esporotricose, é importante evitar o contato direto com animais doentes, especialmente aqueles com feridas na pele, e buscar orientação nos serviços de saúde ao identificar sinais suspeitos. Essas medidas ajudam a reduzir o risco de transmissão da doença.

    Fonte: Cândido Miranda/ FVS-RCP

  • Quizzes educativos da FVS-RCP ampliam informação sobre malária ao público

    Ferramenta digital transforma informação em experiência educativa e aproxima diferentes públicos do tema

    Saúde – Com a proposta de aproximar a informação do cotidiano das pessoas, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) disponibiliza nesta quarta-feira (25/03) uma estratégia tecnológica voltada à conscientização sobre a malária: quizzes educativos adaptados para diferentes faixas etárias. Disponível no site www.fvs.am.gov.br.

    A ação busca transformar o aprendizado em uma experiência dinâmica, permitindo que os participantes testem o que sabem sobre prevenção, sintomas, tratamento e o ciclo de transmissão da malária no Amazonas.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que as estratégias de prevenção precisam acompanhar as novas formas de comunicação da sociedade.

    “Quando unimos tecnologia, interatividade e informação qualificada, conseguimos dialogar melhor com diferentes públicos. A proposta pedagógica estimula crianças, jovens e adultos a incorporarem hábitos de prevenção no dia a dia, no melhor estilo aprender brincando”, afirmou.

    O projeto foi idealizado pelo apoiador técnico da Diretoria de Vigilância Ambiental, Dê Ângelo Silva da Cruz, em parceria com a gerente de Vigilância de Doenças de Transmissão Vetorial da Malária, Myrna Barata Machado.

    Segundo Dê Ângelo Cruz, a gamificação tem se mostrado uma ferramenta cada vez mais eficaz na educação em saúde. “Quando a informação técnica chega ao cidadão por meio de jogos e tecnologias digitais, o aprendizado se torna mais leve e duradouro. Assim, aumentamos as chances de que as pessoas compreendam e adotem práticas importantes para prevenir a malária”, explicou.

    Foco na prevenção

    Para a gerente de Malária e Outros Hemoparasitas do DVA da FVS-RCP, Myrna Barata, a iniciativa também fortalece o diálogo entre a vigilância em saúde e a sociedade.

    “A malária ainda é um desafio constante na região amazônica. Por isso, levar esse tema para um ambiente digital e interativo, dentro de exposições ajuda a conversar com as famílias de uma maneira que muitas vezes os métodos tradicionais não alcançam”, ressaltou.

    A atividade reforça o movimento da FVS-RCP de incorporar novas tecnologias à comunicação em saúde, ampliando o acesso à informação e estimulando atitudes que ajudam a reduzir os riscos da malária no Amazonas.

    Fonte: Cândido Miranda / FVS-RCP

  • Caminhada de conscientização e enfrentamento à tuberculose, no Centro de Manaus

    Ação integra data mundial de combate à doença, celebrada nesta última terça-feira (24/03)

    Saúde – O Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), promoveu, na manhã desta terça-feira (24/03), uma caminhada alusiva ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose, no Centro de Manaus. A passeata iniciou as suas atividades na Praça Heliodoro Balbi e seguiu até o Teatro Amazonas.

    Reunindo gestores, profissionais de saúde, educação e sociedade civil, a ação teve como objetivo ampliar a visibilidade da doença, que ainda representa um importante desafio de saúde pública, e reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, enfatizou a importância do Estado na luta contra a tuberculose, lembrando que pacientes diagnosticados, bem como seus familiares, precisam ser acompanhados pelas unidades de saúde. “É uma data que traz a questão de toda a mobilização, toda a sociedade sensibilizada para a questão deste agravo, que é um agravo sério, mas que tem cura, tuberculose tem cura, desde que você consiga ter o diagnóstico precoce. O tratamento dura em média seis meses e é preciso completá-lo”, afirmou.

    Tatyana destacou, ainda, o papel da FVS-RCP no enfrentamento à doença. “Um dos escopos de trabalho da Fundação de Vigilância em Saúde é o Programa Estadual de Controle da Tuberculose. Então, todas as ações estratégicas para o enfrentamento da doença são sob a coordenação da FVS-RCP, tanto do eixo prevenção, diagnóstico e tratamento”.

    Segundo o coordenador do Comitê de Controle da Tuberculose do Amazonas, Euclides de Souza, a mobilização dos diversos setores da sociedade é de extrema relevância para o combate à doença. “O importante para nós, nesse 24 de março, é chamar a atenção da população de Manaus, do Amazonas e do Brasil para que a tuberculose está aí e nós, do âmbito social, sabemos que o serviço está à disposição de qualquer pessoa que procure uma unidade de saúde, para que a gente possa fazer o diagnóstico, fazer o tratamento e para que a pessoa não venha abandoná-lo”, ressaltou.

    Vacinação      

    Em 2025, o Amazonas registrou 4.519 casos novos e 281 óbitos. Embora ainda represente um desafio de saúde pública, observa-se desaceleração no aumento dos casos, reflexo da ampliação do diagnóstico e das ações de prevenção do Governo do Estado.

    Entre os avanços, destacam-se a descentralização do teste rápido molecular no interior, a ampliação do diagnóstico da infecção latente e o fortalecimento do tratamento preventivo, que cresceu cerca de 470% entre pessoas vivendo com HIV, no interior.

    Para seguir reduzindo esses índices, a FVS-RCP dispõe, como uma das frentes de atuação, a vacinação. “Nós temos a vacina BCG, que previne as crianças das formas graves da doença. Ela está disponível no Sistema Único de Saúde e é realizada logo ao nascer, então, está disponível nas maternidades e pode ser feita até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Então, verifique as carteiras da sua criança”, ressaltou a coordenadora do Programa Estadual do Controle da Tuberculose, Lara Bezerra.

    “Outra forma de prevenção é o diagnóstico precoce. São aquelas pessoas que têm sinais e sintomas da doença, para procurar a unidade de saúde mais próxima ser diagnosticada e realizar o tratamento. Além do diagnóstico precoce e tratamento oportuno, nós temos também o tratamento preventivo da tuberculose. A gente tem disponível regimes encurtados, ou seja, de três meses de tratamento, com doses semanais que reduzem até 90% o risco de adoecer por tuberculose no futuro”, acrescentou a coordenadora.

    Educação  

    A professora do magistério superior da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Mariana Brasil, esteve presente na caminhada e falou sobre a importância do tema na área educacional. “A tuberculose é uma doença endêmica aqui no Estado do Amazonas e no Brasil. Então, a importância [da tuberculose] está envolvida em vários âmbitos e é importante a gente estudar. A Ufam, em particular, está envolvida na extensão, na pesquisa e também, ali, na comunidade acadêmica no ensino. Através da informação, a gente consegue prevenir”, pontuou Mariana.

    Aluno do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professor Francisco Albuquerque, Lohan Sampaio, de 17 anos, avaliou como positiva a iniciativa da FVS-RCP. “É sempre muito bom ficar atento sobre essas doenças, porque elas são silenciosas, só aparece uma tosse. (…) Mas é sempre bom fazer exame, ir no posto [de saúde], como a moça falou, fazer o exame do escarro, porque muitas vezes a tuberculose não aparece e só vai ver quando ela está grave”, finalizou.

    Sobre a data

    A mobilização desta terça-feira integra o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, reforçando que a doença tem cura e que o diagnóstico e o tratamento são gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    Fonte: Tiago Corrêa/Secom

  • Tuberculose ainda mata milhões: diagnóstico precoce é chave para frear doença silenciosa

    No Dia Mundial da Tuberculose, especialistas reforçam importância de identificar sintomas e iniciar tratamento rapidamente.

    Saúde – Apesar de ser uma doença prevenível e curável, a tuberculose continua entre as principais causas de morte infecciosa no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de 10 milhões de pessoas são diagnosticadas todos os anos, evidenciando o desafio global no combate à infecção.

    Celebrado em 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose marca a descoberta do agente causador da doença pelo cientista Robert Koch, responsável por identificar o chamado bacilo de Koch. A data reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

    No Brasil, a doença apresenta maior incidência em populações vulneráveis. Um dos principais fatores de risco é o encarceramento, onde, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, a taxa de infecção pode ser até 26 vezes maior do que na população geral.

    Sintomas podem confundir e atrasar diagnóstico

    A tuberculose costuma se manifestar com sinais que facilmente se confundem com outras doenças respiratórias. Tosse persistente por três semanas ou mais, febre, suor noturno e perda de peso são os principais alertas.

    De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa com sintomas respiratórios prolongados deve ser investigada. Quando a doença atinge os pulmões — forma mais comum —, a tosse é o sintoma predominante.

    Como é feito o diagnóstico

    A confirmação da tuberculose envolve uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Entre os principais métodos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) estão:

    Teste rápido molecular (TRM-TB), que detecta o material genético da bactéria;

    Baciloscopia, utilizada para identificar o bacilo em amostras de escarro;

    Cultura da bactéria, que permite confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento;

    Teste de sensibilidade, essencial para identificar resistência a medicamentos;

    Radiografia de tórax, que auxilia na análise do comprometimento pulmonar.

    Outro exame importante é o teste de liberação de interferon-gama (IGRA), especialmente indicado para pessoas com HIV, contatos próximos de casos ativos e candidatos a transplantes. A vantagem é que o resultado não exige retorno ao serviço de saúde para confirmação.

    Diagnóstico rápido salva vidas

    A identificação precoce da tuberculose é determinante para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão. Após o diagnóstico, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS, com duração e esquema definidos conforme a gravidade e o estágio da doença.

    Mesmo com avanços na medicina, especialistas alertam que o maior desafio ainda é reconhecer os sinais a tempo. A tuberculose pode ser silenciosa no início, mas, quando não tratada, evolui e pode levar a consequências graves.

    O recado no Dia Mundial da Tuberculose é direto: informação, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento continuam sendo as principais armas para controlar uma doença antiga que ainda persiste como ameaça global.

  • Cientistas descobrem molécula que ‘mata de fome’ células cancerígenas sem afetar tecidos saudáveis

    Descoberta em fase inicial mostra mecanismo promissor ao interferir no metabolismo tumoral; especialistas alertam para longo caminho até uso clínico.

    Saúde – Uma estratégia considerada elegante do ponto de vista biológico —embora ainda distante da prática clínica— surge como nova aposta no combate ao câncer: usar uma versão “espelhada” de um aminoácido para frear o crescimento de células tumorais sem atingir tecidos saudáveis.

    O achado foi descrito por pesquisadores das universidades de Genebra e Marburg, em estudo publicado na revista Nature Metabolism, que identificou o potencial da D-cisteína, uma forma rara do aminoácido cisteína, de interferir diretamente no metabolismo de células cancerígenas.

     A descoberta parte de um conceito conhecido da biologia, mas pouco intuitivo fora do laboratório: algumas moléculas existem em duas versões quase idênticas, que são como a imagem de um espelho —iguais na composição, mas com encaixes diferentes no espaço, como as mãos direita e esquerda.

    No corpo humano, os aminoácidos (unidades que formam as proteínas) aparecem quase sempre na versão chamada “L”. É essa forma que as células reconhecem e utilizam no dia a dia. Já a versão “D”, embora muito parecida, costuma ficar à margem dos processos biológicos.

    Foi justamente essa versão “invertida” que os pesquisadores decidiram testar.

    Nos experimentos, eles observaram que algumas células cancerígenas têm uma espécie de “porta de entrada” específica —um transportador na superfície— capaz de captar a D-cisteína. Células saudáveis, em geral, não têm essa mesma facilidade.

    Uma vez dentro da célula tumoral, a molécula interfere em um ponto central do funcionamento celular: a produção de energia. Ela bloqueia uma enzima chamada NFS1, que atua dentro da mitocôndria, estrutura responsável por gerar energia e sustentar processos vitais da célula.

    Sem essa enzima, a célula entra em colapso funcional. Passa a produzir menos energia, acumula falhas no material genético e perde a capacidade de se dividir.

    Na prática, é como se o tumor fosse colocado em um estado de “fome metabólica”: as células ficam sem recursos para manter seu funcionamento e se multiplicar. Elas não necessariamente morrem de imediato, mas deixam de crescer, o que desacelera o avanço da doença.

    É justamente essa diferença na “porta de entrada” das células que torna a estratégia potencialmente mais precisa. Como a D-cisteína depende de um transportador específico —presente em maior quantidade em certas células tumorais—, seu efeito tende a se concentrar onde há doença.

    Na prática, isso significa explorar uma vulnerabilidade do próprio câncer, em vez de atingir indiscriminadamente todas as células que se dividem rápido, como ocorre em muitos tratamentos tradicionais.

    Esse comportamento ajuda a explicar por que, nos experimentos iniciais, tecidos saudáveis foram pouco afetados.

    Nos testes com camundongos portadores de tumores mamários agressivos, os pesquisadores observaram uma desaceleração relevante do crescimento tumoral, sem sinais importantes de toxicidade —um indicativo inicial de que é possível interferir no metabolismo do câncer com menor impacto sistêmico.

    Apesar do entusiasmo, o oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, ressalta que o caminho entre um mecanismo biologicamente plausível e um tratamento disponível é longo e frequentemente frustrante.

    Segundo ele, há múltiplos desafios na transição do laboratório para o organismo humano.

    “Nem sempre o que funciona em modelos experimentais é viável em termos de dose, segurança ou interação com outros medicamentos. Existe um grande caminho até que isso se torne clinicamente relevante”, diz.

    Do ponto de vista do funcionamento da célula, a estratégia não parece atuar destruindo diretamente as células tumorais —o chamado efeito citotóxico—, mas sim desacelerando sua multiplicação.

    Isso abre espaço para uma aplicação potencial como terapia adjuvante.

    Fonte: G1

  • Precisão no diagnóstico: FVS-RCP capacita profissionais para enfrentar a leishmaniose

    Treinamento fortalece a vigilância e amplia o acesso ao diagnóstico em municípios prioritários do Amazonas

    Saúde – Para ampliar o acesso ao diagnóstico da leishmaniose, especialmente em municípios com maior dificuldade, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) inicia, nesta segunda-feira (23/03), treinamento em diagnóstico laboratorial da doença, na sede do órgão, na zona oeste de Manaus.

    Com programação presencial até sexta-feira (27/03), a capacitação reúne atividades teóricas e práticas, com a participação de profissionais de Juruá, Alvarães, Benjamin Constant, Iranduba, Manaquiri, Anamã, Jutaí e Careiro da Várzea.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca o direcionamento estratégico da ação. “O Amazonas apresenta desafios geográficos e operacionais que impactam a identificação precoce da doença e o acesso aos serviços laboratoriais. Por isso, investir na qualificação é fundamental para ampliar a resposta nos territórios”, afirmou.

    Segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica, Alexsandro Melo, o treinamento abrange todas as etapas do diagnóstico. “Os participantes são capacitados em biossegurança, coleta e preparo de amostras, coloração de lâminas, manuseio de microscópios e leitura diagnóstica, fortalecendo a atuação técnica nos municípios”, explicou.

    Descentralização do serviço

    A iniciativa contribui para descentralizar o diagnóstico da leishmaniose, ampliando a capacidade de resposta local, reduzindo o tempo para confirmação dos casos e agilizando o início do tratamento.

    Para o enfermeiro do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE), Diego Queiroz, a capacitação tem impacto direto na assistência. “Com o diagnóstico mais rápido, conseguimos iniciar o tratamento de forma oportuna e adequada no Sistema Único de Saúde”, destacou.

    A biomédica do Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), Lisele Martins, reforça o ganho para a rede laboratorial. “Com profissionais mais qualificados, melhoramos a qualidade das amostras, reduzimos inconsistências e damos mais agilidade à liberação dos resultados”, afirmou.

    A FVS-RCP destaca que o fortalecimento da vigilância epidemiológica, aliado à qualificação das equipes, amplia a capacidade de enfrentamento da leishmaniose no estado.

    Fonte: Maíra Pessoa/ FVS-RCP 

  • Exame de sangue brasileiro promete revolucionar detecção precoce do câncer de mama com 95% de precisão

    Novo teste identifica sinais da doença em estágios iniciais e pode ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente onde a mamografia é limitada.

    Saúde – Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC pode transformar o diagnóstico do Câncer de mama no Brasil. Trata-se de um exame de sangue capaz de identificar a doença ainda em estágios iniciais, com precisão de aproximadamente 95% nos testes clínicos iniciais.

    Batizado de RosalindTest, o método detecta biomarcadores presentes no sangue que indicam a presença do tumor. A proposta é tornar o rastreamento mais acessível, rápido e menos invasivo.

    Tecnologia pode ampliar o acesso ao diagnóstico

    Embora não substitua a mamografia, o novo exame surge como uma ferramenta complementar — especialmente importante em regiões com dificuldade de acesso a exames de imagem.

    A ideia é que o teste funcione como uma triagem inicial: ao identificar possíveis sinais da doença, a paciente seria encaminhada para exames confirmatórios, acelerando o diagnóstico e o início do tratamento.

    Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

    Especialistas reforçam que detectar o câncer de mama cedo faz toda a diferença. Quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura podem chegar a 95%.

    Atualmente, a mamografia é recomendada principalmente para mulheres a partir dos 40 anos (ou 50 anos no Sistema Único de Saúde). No entanto, casos em mulheres mais jovens têm crescido, o que reforça a necessidade de ampliar estratégias de rastreamento.

    Cenário preocupa no Brasil

    De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a estimativa é de mais de 78 mil novos casos da doença por ano no país entre 2026 e 2028. O câncer de mama segue como o tipo mais comum entre mulheres.

    Embora a maioria dos casos esteja relacionada a fatores como envelhecimento e exposição hormonal, cerca de 10% a 15% têm origem genética, ligados a mutações como nos genes BRCA1 e BRCA2.

    Próximos passos

    Após a fase inicial de testes, os pesquisadores pretendem avançar com os trâmites para incorporar o exame ao sistema público de saúde.

    A proposta é criar uma linha de cuidado mais ampla, começando com o rastreamento por exame de sangue e avançando para exames de imagem e tratamento, com o objetivo de alcançar mais mulheres e reduzir diagnósticos tardios.

    Se aprovado em larga escala, o novo teste pode representar um marco na luta contra o câncer de mama — ampliando o acesso, antecipando diagnósticos e salvando vidas.