Categoria: Política

  • “Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, diz Lula sobre EUA

    Presidente elogiou retirada de credencial de agente norte-americano.

    Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou na quarta-feira (22) a ação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília.

    Segundo Lula, a medida corresponde ao princípio da reciprocidade.

    “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula, em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

    A iniciativa brasileira ocorreu após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, do país. O delegado teria atuado na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

    Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota publicada na rede X, que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada ontem (21) que o Brasil iria aplicar o princípio da reciprocidade “diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, como prevê acordo bilateral de cooperação na área policial.

    “A medida tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”, diz a nota.

    “O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança”, acrescenta, afirmando ainda sobre a adoção do mesmo tratamento ao agente norte-americano. 

    Entenda o caso 

    O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou na última segunda-feira (20) que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do território dos Estados Unidos. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

    Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. O ex-deputado Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.

    Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do país para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos.

    Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

    Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

    Novos agentes 

    No vídeo nas redes sociais, Lula anunciou ainda a contratação de 1 mil novos agentes, que irão reforçar a atuação da PF nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, a medida faz parte do compromisso do governo de combate ao crime organizado. 



    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Rede Sustentabilidade de SP manifesta apoio à pré-candidatura de Marina Silva ao Senado

    Partido da ex-ministra do Meio Ambiente também declarou apoiar a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado e fez críticas a gestão de Tarcísio de Freitas.

    Política – A executiva de São Paulo da Rede Sustentabilidade manifestou apoio à pré-candidatura de Marina Silva ao Senado e à de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado. A manifestação pública de apoio foi registrada em uma postagem nas redes sociais do partido na terça-feira (21).

    Ainda na postagem, a Rede diz reconhecer a ex-ministra do Meio Ambiente como “uma das maiores referências éticas e políticas do Brasil e do mundo” e elogia sua trajetória política, descrevendo-a pela “coerência” e “defesa intransigente da vida, da democracia e da sustentabilidade”.

    Ao falar especificamente do estado de São Paulo, a Rede classifica o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como “desastroso”, colocando a gestão do atual governador como um dos motivos pelos quais os desafios do estado foram “agravados” e aponta a pré-candidatura de Haddad “como parte do campo político comprometido com a reconstrução da capacidade pública do estado”.

    Membro da federação REDE-PSOL, o partido também reafirmou a importância de fortalecer o campo democrático e progressista no Brasil.

    “Nosso partido reafirma, ainda, a importância do fortalecimento do campo democrático e progressista – no Brasil e no mundo -, incluindo as pré-candidaturas proporcionais da Federação REDE-PSOL e das demais forças comprometidas com os direitos humanos, a sustentabilidade, a justiça social e a defesa das instituições democráticas”.

    Rede se manifestou após permanência de Marina no partido

    O apoio da Rede Sustentabilidade à pré-candidatura de Marina Silva ao Senado ocorre menos de um mês depois de o partido emitir uma primeira nota pública em que disse ter recebido com ‘indignação e perplexidade’ a notícia da permanência da ex-ministra no partido.

    Durante janela partidária deste ano, período em que é permitida a troca de partidos, estava sendo cogitada uma possível saída de Marina da Rede. No dia 4 de abril, ela confirmou que ficaria na legenda e agradeceu os convites recebidos e os diálogos que teve com outros partidos, como o PT, PV e PSOL.

    Na época do primeiro comunicado, emitido em 8 de abril, a Rede sinalizou um possível racha dentro do partido, quando afirmou que Marina se recusa a dialogar com a direção partidária, mas que apesar disso, “em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”. Ainda por meio do comunicado, a sigla argumentou que as especulações sobre a saída da ex-ministra do partido “sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita”.

    Ao anunciar sua permanência no partido, a ex-ministra do Meio Ambiente disse que decidiu ficar para reafirmar seu compromisso com a construção de um campo democrático, salientou seu apoio à candidatura de Lula para reeleição e à de Fernando Haddad para governador de São Paulo. Também aproveitou para comunicar oficialmente sua candidatura ao Senado pelo estado paulista.

    Mesmo permanecendo na Rede, estarei ao lado de candidaturas do campo democrático popular e sustentabilista nos mais diferentes partidos da frente Lula Presidente e Fernando Haddad governador de São Paulo”, afirmou.

    “Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB”, afirmou Marina.

    Fonte: G1

  • CCJ da Câmara dá aval à proposta que acaba com a escala 6×1

    Votação foi simbólica, ou seja, sem registro nominal de votos. Texto seguirá para uma comissão especial.

    Política – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, nesta quarta-feira (22), o parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso.

    Com o aval da CCJ, a proposta seguirá para uma comissão especial. O relatório do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) foi aprovado de forma simbólica, ou seja, sem o registro nominal dos votos dos parlamentares.

    O relatório de Azi se limita a analisar a compatibilidade do tema com a Constituição – a chamada admissibilidade. Para o parlamentar, o texto preenche os requisitos constitucionais para avançar no Congresso.

    O deputado elaborou relatório sobre dois textos apresentados por parlamentares de esquerda:

    • um proposto pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;
    • a segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor.

    Segundo Paulo Azi, a expectativa é de que a comissão especial para análise do tema seja criada ainda nesta quarta-feira pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O relator ainda não foi definido.

    Recomendações do relator

    Embora a análise da CCJ não avance sobre o mérito da PEC, Paulo Azi faz recomendações no relatório que apresentou nesta quarta.

    O parlamentar sugere, por exemplo, a discussão sobre uma regra de transição, progressiva, para a entrada das novas regras em vigor e adaptação do setor produtivo.

    “O comparativo internacional evidencia que diversas reformas (como no Chile, na Colômbia e no México) foram implementadas de forma gradual, com exemplos de redução de jornada implementada em duas etapas, com prazo diferenciado conforme o porte da empresa, bem como de adoção de cronogramas escalonados com reduções anuais sucessivas”, afirmou Paulo Azi.

    O deputado do União Brasil diz ainda que a reestruturação da jornada de trabalho “possui potenciais impactos que extrapolam a esfera trabalhista, alcançando o financiamento da Seguridade Social”, ou seja, impactos na Previdência Social.

    Paulo Azi também propõe uma compensação para as empresas, com a redução de tributos, especialmente sobre a folha de pagamentos, considerando a possibilidade de elevação de gastos com pessoal caso a redução de jornada entre em vigor.

    “Uma possibilidade para mitigar estes riscos da redução da jornada é fazer compensações fiscais, ou seja, reduzir tributos, especialmente sobre a folha, para os agentes que reduzirem sua jornada, o que foi seguido por alguns países europeus”, destacou o relator.

    Paulo Azi afirma que, se o texto for aprovado por Câmara e Senado e, posteriormente, promulgado pelo Congresso, será instituída a escala 4×3, com redução da jornada de 44 para 36 horas.

    Se aprovado na Comissão Especial, o tema terá de passar pelo plenário da Câmara antes de seguir ao Senado. Para a entrada em vigor, o fim da escala 6×1 também precisará do aval de senadores. Só assim, a norma poderá ser promulgada.

    Setor produtivo vê impacto sobre vagas

    Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.

    Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.

    Fonte: G1

  • Itamaraty diz que EUA não seguiu ‘boa prática diplomática’ ao pedir saída de delegado da PF envolvido na prisão de Ramagem

    Segundo o Itamaraty, a reciprocidade envolve a “interrupção imediata” das funções do representante norte-americano no Brasil. Marcelo Ivo de Carvalho é delegado da PF e atuava junto ao ICE em solo americano.

    Política – O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota nesta quarta-feira (22) na qual afirmou que o governo de Donald Trump não seguiu a “boa prática diplomática” ao mandar embora do país um delegado da Polícia Federal que atuava na Flórida e que estava envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).

    Diante disso, o Itamaraty diz ter informado à embaixada americana que aplicará o princípio da reciprocidade contra um funcionário americano.

    De acordo com o comunicado, o governo Trump descumpriu um trecho do acordo de cooperação entre os dois países. Isso porque adotou a medida contra o delegado brasileiro sem ter pedido esclarecimento sobre a atuação dele nem tentar um diálogo com o governo brasileiro.

    Ainda no comunicado, o Ministério das Relações Exteriores ressalta que toda a comunicação envolvendo o episódio — seja o aviso ao delegado brasileiro, seja a reunião com a embaixada americana — se deu de maneira verbal.

    Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro vinham reclamando desde segunda-feira que não houve uma notificação formal por parte do governo americano acerca do pedido para que o delegado Marcelo Ivo deixasse o país.

    De acordo com o Itamaraty, a reciprocidade aplicada neste caso envolve a “interrupção imediata” das funções do representante norte-americano no Brasil.

    Nesta terça-feira (21), a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada a dar explicações ao Ministério das Relações Exteriores a respeito do pedido do governo de Donald Trump para que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país.

    Segundo o comunicado divulgado nesta quarta, a decisão de retirar as credenciais de um agente americano que atua o Brasil foi comunicada nesta reunião.

    Nesta quarta, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse em entrevista à GloboNews que retirou as credenciais de trabalho de um servidor dos EUA, um agente de imigração americano, que atua na sede da PF em Brasília.

    “Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, disse Andrei durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

    Trata-se de um policial americano que, até a retirada das credenciais, trabalhava dentro de uma unidade da PF na capital federal.

    O diretor da PF explicou que, sem as credenciais, o agente deixa de ter acesso à unidade em que trabalhava, em Brasília, e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias dos EUA e do Brasil.

    Segundo Andrei, foi o mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho que atuava em Miami e que, na segunda-feira (20), teve ordem para deixar os EUA, segundo o governo daquele país. O diretor da PF negou que o brasileiro tenha sido expulso do país.

    Andrei esclareceu que o agente americano não será convidado a se retirar ou expulso do Brasil. “Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”.

    O pedido

    Na última segunda-feira (20), os Estados Unidos ordenaram que um delegado brasileiro envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixasse o país.

    Sem citar nomes, o governo americano afirmou em uma rede social que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país.

    A TV Globo confirmou com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que a autoridade citada é o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE).

    • Carvalho foi nomeado para atuar em Miami em março de 2023, em uma missão junto ao ICE com duração de dois anos.
    • Entre as funções está a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA.
    • Em março de 2025, o governo publicou uma portaria que prorrogou a permanência dele na missão até agosto deste ano.

    O delegado já deixou os Estados Unidos e retornou ao Brasil

    Fonte: G1

  • Defesa de Bolsonaro pede aval do STF para cirurgia urgente e alerta para dores intensas

    Advogados solicitam autorização imediata a Moraes para procedimento no ombro e destacam limitações físicas do ex-presidente.

    Política – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para a realização de uma cirurgia no ombro direito.

    O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e prevê que o procedimento seja realizado com urgência, já nos próximos dias.



    Dor persistente e limitações

    Segundo os advogados, Bolsonaro enfrenta um quadro de dor contínua e restrições de movimento, o que motivou a solicitação.

    A defesa argumenta que a cirurgia é necessária para garantir a “integridade física” e a “dignidade” do ex-presidente, além de pedir liberação para exames preparatórios e o processo de reabilitação após o procedimento.

    Contexto de saúde e prisão domiciliar

    Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília, medida autorizada por Moraes por um período de 90 dias devido a problemas de saúde.

    O ex-presidente foi diagnosticado com broncopneumonia bilateral, condição que levou à flexibilização do regime prisional.

    Quadro clínico em evolução

    Relatórios médicos indicam que Bolsonaro apresenta melhora gradual no quadro pulmonar e maior disposição no dia a dia.

    Apesar disso, ele ainda enfrenta sintomas como dores musculares, fadiga e episódios de soluço, que seguem impactando sua recuperação.

    Decisão ainda será analisada

    O pedido agora está sob análise do ministro Alexandre de Moraes, que deverá decidir se autoriza a realização da cirurgia durante o período de prisão domiciliar.

    A decisão pode influenciar diretamente o tratamento e a evolução do estado de saúde do ex-presidente nos próximos dias.

  • Em tom de deboche, Lula ironiza Donald Trump: ‘Dê o Nobel para ele’

    Lula ironiza Donald Trump em Portugal e denuncia falência da paz mundial sob controle das grandes potências.

    Política – Em agenda oficial em Portugal na terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o sarcasmo para comentar declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump. Durante encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, Lula ironizou a afirmação de Trump de que teria encerrado oito guerras.

    Em tom de deboche, o brasileiro sugeriu que o americano deveria receber logo um “Prêmio Nobel da Paz”, como solução definitiva para os conflitos globais. O presidente brasileiro aproveitou o palco europeu para reforçar sua defesa por uma reforma urgente no Conselho de Segurança da ONU.

    Segundo Lula, a estrutura atual é incapaz de conter o número recorde de conflitos armados no mundo. Para o petista, a ironia sobre Trump serve para destacar que a paz mundial exige soluções multilaterais sólidas e não apenas declarações unilaterais de líderes internacionais.



    Crise Diplomática no Caso Ramagem

    Apesar do tom irônico sobre Trump, a agenda internacional foi atropelada por uma grave crise diplomática. Lula subiu o tom ao comentar o pedido dos Estados Unidos para que o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo,deixe o país. Ivo foi o responsável pelo monitoramento que levou à prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, em solo americano. O governo dos EUA alega tentativa de “manipulação do sistema migratório”, acusação que o Brasil rebate como injustificada.

    Lula prometeu uma reação contundente baseada no princípio da reciprocidade.

    “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou o presidente.

    A ameaça de expulsar agentes norte-americanos que atuam no território brasileiro já é considerada uma tendência forte dentro do Itamaraty, caso Washington não apresente provas detalhadas das supostas irregularidades cometidas pelo delegado brasileiro.

    Acordo Mercosul e Barreiras Europeias

    Além das questões de segurança e diplomacia, Lula utilizou a agenda em Portugal para criticar o Parlamento Europeu. O presidente brasileiro condenou as tentativas de parlamentares europeus de barrar judicialmente o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O tratado tem previsão de entrada em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio, mas enfrenta forte resistência de setores agrícolas da Europa.

    O presidente defendeu que o acordo é vital para o equilíbrio econômico entre os blocos e que barreiras ideológicas não podem impedir o avanço comercial. Ao lado de Luís Montenegro, Lula buscou o apoio de Portugal, um dos maiores aliados do Brasil na Europa, para garantir que o cronograma do acordo seja mantido, apesar da pressão interna no bloco europeu.

    Substituição na PF e Desembarque de Delegado

    Enquanto Lula discursava na Europa, a Polícia Federal no Brasil já se movimentava para lidar com as consequências práticas do incidente. A corporação nomeou uma substituta para o cargo de oficial de ligação com o ICE (Imigração e Alfândega dos EUA), após a polêmica expulsão de Marcelo Ivo. O delegado Ivo, pivô da crise diplomática, tem previsão de desembarcar no Brasil ainda hoje, após ser convidado a deixar Washington de forma abrupta.

    O clima na PF é de indignação. Agentes federais consideram a ação dos EUA um desrespeito ao memorando de cooperação policial assinado entre os dois países. A visibilidade dada ao caso, com manifestações públicas da embaixada americana sobre “perseguições políticas”, é vista pelo governo brasileiro como uma interferência indevida em investigações judiciais internas do país.

    Perspectivas e Próximos Passos

    A situação atual é de extrema vigilância diplomática. O Itamaraty aguarda esclarecimentos formais que vão além das postagens em redes sociais feitas pelas autoridades americanas. Se as explicações não forem satisfatórias, o Palácio do Planalto deve assinar o decreto de expulsão de agentes dos EUA no Brasil ainda nesta semana. Lula deixou claro que a soberania brasileira será o guia das próximas ações, independentemente da pressão do governo Trump.


    Fonte e Foto: BacciNoticias

  • Desembargadora que recebeu R$ 91 mil vê magistratura em ‘regime de escravidão’

    Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, criticou restrições do STF a penduricalhos, alegando que a categoria não terá como pagar as próprias contas.

    Política – A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou durante sessão na Corte que a magistratura caminha para um “regime de escravidão” diante de restrições recentes aos penduricalhos. A declaração ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que extinguiu 15 benefícios, manteve oito verbas indenizatórias e fixou que essas parcelas não podem ultrapassar 35% do subsídio, limitado a R$ 46.366,19, teto do funcionalismo.

    A magistrada recebeu R$ 91 mil líquidos em março. No primeiro trimestre, acumulou R$ 216 mil em salários. Integrante da 3ª Turma de Direito Penal, ela chegou a desembargadora em julho de 2020, após 35 anos de carreira.

    O Estadão pediu manifestação do Tribunal de Justiça do Pará e da magistrada sobre as remunerações acima do teto. Porém, não havia recebido retorno até a publicação deste texto. Este espaço segue aberto.

    Durante a sessão, Eva do Amaral criticou a percepção pública sobre a categoria. “Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, afirmou. Em outro momento, disse que “daqui a pouco” magistrados, inclusive desembargadores, estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.

    A desembargadora reagiu ao uso do termo penduricalhos. “Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas como privilégios, como penduricalhos, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura, que hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não se vai ter, daqui a algum tempo, como pagar nossas contas”, declarou.

    Segundo ela, a situação financeira da categoria já afeta a rotina pessoal de magistrados. “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos, porque não vão poder pagar consulta”, disse. Em seguida, acrescentou. “Outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então, a situação que a magistratura vive hoje é essa.”

    ‘A população vai sentir’

    A magistrada ainda destacou o fim de benefícios. “Nós não temos direito mais a auxílio-alimentação, nós não temos direito a receber uma gratificação por direção de fórum, vão ser cortadas, já cortaram”, afirmou. Na sequência, reiterou a comparação. “Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão.”

    Ao defender a carga de trabalho da categoria, Eva do Amaral afirmou que a atividade vai muito além do expediente nos tribunais. “Eu gostaria, sim, que uma parte da população viesse a viver o dia a dia do juiz e do desembargador, para verificar como é que a gente trabalha. Ninguém trabalha só aqui”, disse. “Até porque se nós trabalharmos só aqui, aí que a justiça não vai andar. Nós trabalhamos um número enorme de horas extras em casa, sacrificando o fim de semana, quando a gente está de plantão. Nós, de plantão, não estamos aqui, mas estamos trabalhando em casa.”

    Eva afirmou que os efeitos das restrições serão percebidos pela sociedade. “A população vai sentir quando ela procurar a justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou.”


    Fonte e Foto: Estadão

  • Lula diz que quer a Venezuela sem a “tutela de ninguém”

    Em Barcelona, presidente defende que país vizinho decida seu próprio destino e seja feliz sem interferências externas.

    Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (17) que não quer ver a Venezuela sob a “tutela de ninguém”, ao responder à pergunta de um jornalista durante uma coletiva de imprensa, em Barcelona, ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

    “A Venezuela é um destino dos venezuelanos. Temos que respeitar a decisão de que a Venezuela cuide de seu destino […] O que eu quero é que a Venezuela fique bem, volte a ser um país feliz, sem tutela de ninguém”, declarou Lula.

    Sanchez também falou sobre o país ao ser perguntado sobre a presença de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, na Espanha, nesta sexta-feira (17).

    O primeiro-ministro afirmou que Corina Machado teve a oportunidade de se encontrar com ele durante a visita, mas recusou a reunião por não considerá-la “oportuna”. Sánchez reiterou que “está aberto” para um encontro com ela.

    Lula desembarcou em Barcelona na noite de quinta-feira (16) para cumprir agenda oficial na Europa, além da Espanha. O presidente possui compromissos previstos na Alemanha e em Portugal até a próxima terça-feira (21).

    Durante a passagem pelo primeiro país, Lula participa da 1ª Cúpula Brasil–Espanha ao lado do premiê. Ele também terá reunião com empresários de setores como agronegócio, energia, infraestrutura, telecomunicações e finanças.

    À noite, participa de um jantar oferecido pelo governo espanhol no Museu Nacional de Arte da Catalunha, no contexto do Fórum Democracia Sempre.

    No sábado (18), ainda na cidade, Lula participa da 4ª Reunião de Alto Nível do fórum, iniciativa voltada ao fortalecimento da cooperação internacional em defesa da democracia, além de evento com representantes da sociedade civil e sindicatos.

    Entenda a crise na Venezuela

    O país está sob a liderança interina da presidente Delcy Rodríguez, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro.

    Washington tem interferido diretamente no comércio de petróleo do país desde então.

    O envio de uma delegação de diplomatas venezuelanos aos EUA para reabrir a embaixada de Caracas em Washington.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • ‘Preciso dele feliz’, diz Vorcaro sobre imóvel para ex-presidente do BRB

    Segundo investigações, Paulo Henrique Costa negociou apartamentos por atuação em favor do Banco Master. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões, dos quais aproximadamente R$ 74 milhões foram efetivamente pagos.

    Política – A investigação da Polícia Federal (PF) que levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa revela mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre apartamentos que seriam oferecidos ao executivo para facilitar um esquema envolvendo o banco.

    Em uma das conversas, ao tratar de um imóvel, Vorcaro afirma a uma corretora: “Preciso dele feliz. Reverte isso aí”. Vorcaro procurou a profissional após o ex-diretor do BRB dizer que ficou decepcionado por não conseguir visitar um dos apartamentos que fazia parte do acordo entre eles.

    As mensagens fazem parte dos documentos da nova fase da Operação Compliance Zero obtidos pelo blog. A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (16).

    A PF ponta que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro em troca de supostamente facilitar os negócios entre os dois bancos. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões. Dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília e outros quatro na cidade de São Paulo.

    De acordo com as investigações, cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos. O pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube “da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina” ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.

    O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro.

    Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e de permitir negócios com o Banco Master sem lastro.

    Paulo Henrique Costa foi preso nesta quinta-feira (16), em Brasília, na quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele será encaminhado para o presídio da Papuda após passar pela audiência de custódia.

    Nesta etapa, está sendo investigado um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos.

    Ao longo da manhã de hoje, os agentes cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.

    Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março. Atualmente, ele está na Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro é investigado por crimes financeiros, além de envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e na montagem de uma espécie de milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.

    BRB e Master

    O Banco de Brasília (BRB) aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.

    A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central (BC) vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.

    Além da tentativa de compra, a Polícia Federal (PF) apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações

    Fonte: G1

  • Milhões em imóveis de luxo: o que a PF descobriu sobre ex-presidente do BRB

    Ministério Público, citando investigação da PF, aponta que Paulo Henrique Costa recebeu seis apartamentos de alto padrão e teve papel central em viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas Banco Master.

    Política – A PF identificou que o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa teria recebido seis imóveis de alto padrão, avaliados em R$ 146,5 milhões, localizados em São Paulo e no Distrito Federal.

    As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva de Costa nesta quinta-feira (16), no âmbito da 4ª fase da Operação Compliance Zero.

    Segundo a decisão, o ex-dirigente do BRB teve papel central na viabilização da aquisição de carteiras consideradas fraudulentas pela investigação envolvendo o Banco Master. Em troca, ele teria recebido vantagens indevidas por meio da transferência de imóveis de alto valor. Os elementos foram reunidos durante investigação da Polícia Federal e também constam na representação do MPF (Ministério Público Federal).

    O Ministério Público destaca ainda que parte desses valores, cerca de R$ 74,6 milhões, já teria sido paga. “Paulo Henrique Costa recebeu vantagem indevida consistente em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente pagos”, apontou a decisão.

    Ainda na decisão, o ministro também aponta o advogado Daniel Lopes Monteiro como peça-chave na estrutura jurídica do esquema, responsável por formalizar operações entre instituições e, segundo a investigação, ocultar os reais beneficiários das aquisições imobiliárias. Ele também teria obtido proveito econômico próprio superior a R$ 86 milhões.

    “O Ministério Público aponta sua atuação como agente-chave da vertente jurídica da estrutura criminosa, especialmente na formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias, havendo indicação, em princípio, de proveito econômico próprio de ao menos R$ 86.167.189,30”, afirmou o documento.

    Troca de mensagens e alinhamento de interesses

    Paralelamente, as mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação e citadas na decisão revelam uma relação de proximidade entre Paulo Henrique e Daniel Vorcaro, marcada por alinhamento de interesses e atuação conjunta.

    Segundo o documento, enquanto tratava de medidas e negócios dentro do banco que beneficiariam o empresário, Paulo Henrique também articulava a visita da esposa a um apartamento de alto padrão.

    “Amigo, a cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir. Além disso, dou muito valor ao alinhamento pessoal. E acho que estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil”, escreveu Costa a Vorcaro.

    Na resposta, o empresário demonstra sintonia. “Fala, amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto”, afirmou.

    Outras conversas reforçam a existência de negociações envolvendo imóveis. Em uma das trocas, Paulo Henrique cobra avanço na liberação de bens que, segundo a investigação, seriam transferidos por meio de pessoas jurídicas. “Amigo, pessoal esperando seu de acordo sobre os imóveis de São Paulo. Pode ajudar?”, questiona. Vorcaro responde que deu “carta branca” e pede detalhes sobre onde estaria o entrave.

    Na sequência, Paulo Henrique indica que segue pressionando para destravar o processo e sugere que está cumprindo sua parte no acordo. “Desculpe dar trabalho. É que estou focado na agenda que combinamos e fico em cima de todos os assuntos até resolver”, escreveu. Vorcaro minimiza a cobrança dizendo que “isso não é trabalho”.



    Fonte e Foto: JP Notícias