Rodovia que deveria ligar Manaus a Porto Velho; ausência de ligação terrestre eficiente encarece fretes e impacta economia do estado.
Amazonas – A BR-319, rodovia federal que liga Manaus a Porto Velho, completa 50 anos sem nunca ter sido totalmente concluída. Meio século depois, a estrada segue sem funcionar como prometido, e os impactos dessa ausência continuam pesando na economia do Amazonas.
Considerada uma via emblemática, a BR-319 é a única ligação terrestre do estado com o restante do país. Na prática, porém, a falta de estrutura impede o funcionamento pleno da rodovia, o que compromete o transporte de cargas, a mobilidade de pessoas e toda a cadeia logística.
Trechos em condições precárias, com buracos e lama, dificultam o tráfego ao longo da estrada. A situação afeta diretamente empresas de transporte e passageiros que dependem da via.
Uma dessas empresas atua na região desde o início da rodovia. O coordenador comercial Robert Rodrigues relatou as dificuldades enfrentadas nas viagens e os desafios para manter a operação diante das condições da estrada.
Mas os impactos da BR-319 vão além de quem precisa trafegar por ela. A falta de uma ligação terrestre eficiente afeta todo o estado, especialmente no custo de mercadorias e insumos.
Um dos reflexos mais imediatos está no valor do frete. Segundo o presidente da Fecomércio Amazonas, Aderson Frota, o custo logístico no estado é um dos mais altos do mundo. Ele defende que a rodovia poderia facilitar o abastecimento e reduzir os custos para a população.
No Distrito Industrial de Manaus, os efeitos da ausência da BR-319 são ainda mais evidentes. Sem uma ligação terrestre eficiente, muitas empresas precisam recorrer a alternativas mais caras, como o transporte aéreo, o que reduz a competitividade.
É o caso de uma fábrica do setor de relógios. Segundo o diretor Leandro Belecam, a necessidade de rapidez nas entregas obriga a empresa a optar pelo modal aéreo, que tem custo mais elevado.
Sem a rodovia, outra alternativa é o transporte fluvial. Atualmente, mais de 90% das mercadorias que chegam ao Amazonas dependem dos rios. Em períodos de seca severa, a logística é comprometida e os custos aumentam, impacto que chega diretamente ao consumidor.
De acordo com o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a BR-319 poderia servir como uma alternativa importante nesses períodos.
Para quem trabalha diretamente com logística e transporte de cargas, a ausência da rodovia representa desafios diários, como aumento no tempo de entrega, custos mais altos e falta de previsibilidade, segundo o vice-presidente da Fetramaz, Fábio Goubert.
Especialistas apontam que a BR-319 não resolveria todos os problemas logísticos do estado, mas seria uma alternativa estratégica, principalmente em momentos de crise climática. Estudos indicam que a integração entre diferentes modais — rodoviário, fluvial e aéreo — pode ser um caminho para melhorar o escoamento de produtos.
O especialista em logística Roberto Júnior reforça a importância dessa diversificação para reduzir gargalos no transporte.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que esteve em Manaus na quinta-feira (26), também comentou os entraves para a recuperação da rodovia, que envolvem principalmente questões ambientais e a necessidade de conciliar desenvolvimento com preservação.
Mesmo após cinco décadas, a BR-319 continua no centro do debate entre crescimento econômico e proteção ambiental. Enquanto isso, o Amazonas segue como o único estado brasileiro sem uma ligação rodoviária eficiente com o restante do país.
Fonte: G1 Amazonas
Deixe um comentário