Aumento de acidentes fatais reacende debate sobre eficácia das “corujinhas”, transparência na arrecadação de multas e investimentos em segurança viária.
Manaus – A Prefeitura de Manaus renovou um contrato de R$ 23,7 milhões para manutenção e operação dos radares eletrônicos de fiscalização, conhecidos popularmente como “corujinhas”, em meio ao aumento dos índices de mortalidade no trânsito da capital. Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) apontam que o número de mortes registradas entre janeiro e abril de 2026 cresceu 18% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o levantamento, foram contabilizados 86 óbitos nos quatro primeiros meses deste ano, contra 75 ocorrências registradas no mesmo intervalo de 2025. Os números levantam questionamentos sobre a efetividade da política pública de fiscalização eletrônica implantada nos últimos anos com o objetivo de reduzir acidentes e preservar vidas.
Uma das vítimas mais recentes da violência no trânsito foi o vigilante Eduardo Silva, de 40 anos. Ele morreu após um grave acidente ocorrido na manhã da última sexta-feira (29), na avenida Rodrigo Otávio, zona centro-sul da cidade. O caso causou forte impacto no trânsito da região e ampliou o debate sobre a segurança viária em Manaus.
Os radares eletrônicos começaram a ser ampliados durante a gestão do ex-prefeito David Almeida. Na época, a administração municipal defendia a medida como uma estratégia para reduzir infrações e acidentes. Atualmente, a cidade conta com 61 equipamentos em operação, mais que o dobro dos 27 radares existentes em 2025.
Apesar da ampliação do sistema, especialistas, motoristas e parlamentares têm questionado a localização de alguns equipamentos e a ausência de informações atualizadas sobre os resultados obtidos com a arrecadação das multas.
Dados divulgados anteriormente pelo IMMU mostraram que, entre julho e agosto de 2025, quando havia 27 radares em funcionamento, mais de 156 mil infrações foram registradas. Estimativas divulgadas na época apontavam uma arrecadação próxima de R$ 20 milhões apenas naquele período. Desde então, não foram apresentados novos balanços públicos detalhando o volume de autuações ou os valores arrecadados com o aumento do número de equipamentos.
A falta de transparência sobre esses recursos motivou a apresentação de propostas na Câmara Municipal de Manaus. Entre elas está o Projeto de Lei nº 346/2026, de autoria do vereador Rodrigo Guedes, que busca obrigar o Executivo a divulgar informações detalhadas sobre a arrecadação proveniente das multas de trânsito e sua destinação.
Outra proposta semelhante, apresentada anteriormente pelo vereador Paulo Tyrone, também aguarda avanço na tramitação legislativa.
Enquanto o debate permanece aberto, motoristas e representantes da sociedade civil cobram esclarecimentos sobre quanto foi arrecadado com as autuações, como os recursos estão sendo aplicados e quais medidas concretas estão sendo adotadas para reduzir o número de mortes nas vias da capital.
A discussão ganha força diante do crescimento dos acidentes fatais e da expectativa de que investimentos em fiscalização sejam acompanhados por ações de educação no trânsito, melhorias na sinalização e intervenções estruturais capazes de aumentar a segurança de condutores, motociclistas, ciclistas e pedestres.
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