Deputado propõe barrar verba cultural para promoção política após escola anunciar homenagem a Lula no Carnaval

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Projeto “Cultura Sem Partido” quer proibir uso de recursos estaduais para enaltecer agentes públicos ou partidos.

Política – O anúncio do enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2026 provocou reação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O deputado estadual Thiago Gagliasso (PL) apresentou um projeto de lei que proíbe a utilização de recursos públicos estaduais destinados à cultura para promoção político-partidária.

A proposta, batizada de “Cultura Sem Partido”, foi protocolada após a escola divulgar que levará para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o desfile ocorrerá em ano eleitoral, parlamentares da oposição passaram a questionar a possibilidade de uso político de manifestações culturais que recebam, ainda que indiretamente, verbas públicas.

O que prevê o projeto

O texto estabelece a vedação expressa ao financiamento, com dinheiro público estadual, de iniciativas culturais que promovam, enalteçam ou favoreçam a imagem de agentes políticos com mandato, ocupantes de cargos públicos ou pré-candidatos.

De acordo com a proposta, será considerada promoção político-partidária qualquer ação cultural custeada com recursos do Estado que gere exaltação ou favorecimento de figuras públicas ou partidos. O projeto também define como “vantagem política indevida” a utilização de manifestações culturais tradicionais para produzir benefício ou prejuízo político direcionado.

Caso a medida seja aprovada e descumprida, as penalidades previstas incluem:

Suspensão imediata do repasse de verbas;

Devolução integral dos valores recebidos;

Aplicação de multa administrativa;

Proibição de acesso a novos recursos estaduais de cultura por até cinco anos.


Debate sobre liberdade artística

Ao defender a iniciativa, Gagliasso afirmou que o objetivo não é limitar a expressão cultural, mas impedir o que considera uso político de recursos públicos.

“O artista pode se expressar como quiser. O que não pode é usar dinheiro público do Estado para promover agente político ou partido. Cultura não pode virar palanque financiado pelo contribuinte”, declarou o parlamentar.

O tema deve gerar debate entre governistas e oposição, especialmente quanto aos limites entre liberdade artística, tradição carnavalesca e uso de recursos públicos.

Próximos passos

O projeto agora segue para análise nas comissões temáticas da Alerj. Após essa etapa, poderá ser encaminhado ao plenário para votação. A discussão promete mobilizar o meio cultural e o cenário político fluminense, principalmente diante da proximidade do calendário eleitoral de 2026.

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