Categoria: Saúde

  • Ministério da Saúde libera R$ 577,2 milhões pelo Pix da Saúde para acelerar obras do SUS

    Esse é o segundo maior investimento em infraestrutura da saúde pública e contempla 393 empreendimentos, ultrapassando a marca de 3 mil obras autorizadas pelo Novo PAC Saúde

    Saúde – O Ministério da Saúde libera, nesta sexta-feira (12), R$ 577,2 milhões por meio do Pix da Saúde para acelerar a expansão da infraestrutura do SUS em todo o país. Os recursos serão destinados a 393 empreendimentos por meio do Novo PAC Saúde, com foco na ampliação da capacidade de atendimento da rede pública e na redução dos vazios assistenciais, especialmente em regiões com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A iniciativa garante o repasse imediato de recursos federais para estados e municípios após a assinatura da Ordem de Serviço, o que simplifica o início das obras e agiliza a execução dos investimentos. 

    Desse aporte, R$ 552,6 milhões serão destinados ao início de 204 obras do Novo PAC Saúde, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros Especializados em Reabilitação (CER) e uma Oficina Ortopédica. Outros R$ 24,6 milhões serão repassados para o ressarcimento de 188 obras concluídas no âmbito do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Saúde. 

    Este é o segundo maior investimento em infraestrutura do SUS realizado pelo Ministério da Saúde. Em abril deste ano, foram anunciados R$ 1,2 bilhão para a construção de 541 novas unidades de saúde em 26 estados brasileiros. Com a emissão das novas ordens de serviço, o Novo PAC Saúde ultrapassa a marca de 3 mil obras autorizadas para início da execução em todo o país. 

    Novas unidades do SUS fortalecem o cuidado onde a população mais precisa 

    A mobilização nacional também marca a inauguração de 27 obras de saúde e saneamento em todo o país, somando R$ 47,9 milhões em investimentos. Com essas entregas, o Ministério da Saúde supera a marca de 100 obras concluídas e em funcionamento desde 2023. 

    Entre as estruturas inauguradas nesta sexta-feira, estão a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Aldeia Gameleira, no Ceará (CE), o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Santa Maria do Pará (PA) e a Unidade Básica de Saúde (UBS) de Manacapuru, no Amazonas (AM). Localizadas em territórios distantes dos grandes centros urbanos, as novas estruturas ampliam o acesso da população aos serviços de saúde, fortalecem a assistência em regiões historicamente desassistidas e contribuem para a redução das desigualdades no atendimento do SUS. 

    Novos equipamentos ampliam a oferta de cirurgias e exames especializados 

    Como parte da estratégia para ampliar a oferta de serviços especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, o Governo do Brasil também inicia hoje a entrega de 150 combos cirúrgicos (geral e oftalmológico) e 20 novos tomógrafos para hospitais em diferentes regiões do país. Esta é a segunda etapa da distribuição de equipamentos. Ao todo, serão entregues 300 combos cirúrgicos e 40 tomógrafos a 185 municípios de todos os estados. 

    Com investimento de R$ 546 milhões, os combos cirúrgicos vão viabilizar a realização de mais 428 mil cirurgias eletivas por ano. A distribuição de mais de 1.700 equipamentos permitirá a estruturação de novas salas cirúrgicas em todo o país. Os combos destinados à cirurgia geral são compostos por seis equipamentos cada e foram estruturados para ampliar a realização de procedimentos como vasectomias, laqueaduras e outras intervenções de baixa e média complexidade. 

    Já os combos oftalmológicos reúnem cinco equipamentos e têm como objetivo qualificar e expandir a oferta de procedimentos especializados, especialmente cirurgias de catarata. Quanto aos tomógrafos, a expectativa é ampliar a oferta em até 260 mil exames anuais no SUS, fortalecendo o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer em todo o país. 

    Mais de 974 obras retomadas pelo Ministério da Saúde 

    Em 2024, foi instituído o Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Saúde para regularizar, concluir e viabilizar o funcionamento de estruturas assistenciais financiadas com recursos federais. Até o momento, foram identificadas 5.652 obras elegíveis em todo o país. Dessas, 974 já foram reativadas ou repactuadas, o que permitiu ampliar a capacidade de atendimento da rede pública de saúde. Para apoiar essas ações, o Ministério da Saúde repassou mais de R$ 20,3 milhões no âmbito do pacto aos estados. 

    Com obras, equipamentos e novas unidades em funcionamento, foi ampliado a capacidade de realizar consultas, exames, cirurgias e serviços especializados para toda a população. Os investimentos reforçam o compromisso do Governo do Brasil com a redução das desigualdades no acesso à saúde e com a consolidação de uma rede pública mais moderna, resolutiva e acessível. 

    O Novo PAC Saúde já destinou R$ 34,8 bilhões para obras, equipamentos e veículos em todo o país. Entre as ações previstas estão a construção de 2.605 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 336 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 100 policlínicas, além da entrega de 4.643 ambulâncias do SAMU 192 e 1.323 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs).

    Fonte: Rafaelle Pereira – Ministério da Saúde

  • Festival de Parintins 2026 contará com Plano Especial de Vigilância em Saúde para reforçar atendimento durante o evento

    Documento estabelece estratégias de prevenção, monitoramento e resposta rápida para garantir a segurança sanitária de moradores e visitantes na 59ª edição da festa.

    Saúde – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgou o Plano Operativo de Vigilância em Saúde para o 59º Festival de Parintins, que acontecerá entre os dias 26 e 28 de junho de 2026. O documento reúne uma série de estratégias voltadas à proteção da saúde pública antes, durante e após a realização do maior espetáculo folclórico da região Norte.

    O planejamento estabelece diretrizes para fortalecer o monitoramento epidemiológico, sanitário e ambiental, além de ampliar a capacidade de resposta das equipes diante de qualquer situação que represente risco à população. As ações são direcionadas aos moradores, trabalhadores envolvidos na festa e aos milhares de turistas que devem passar pelo município durante o festival.

    Entre as medidas previstas estão inspeções sanitárias em estabelecimentos comerciais, fiscalização da qualidade da água para consumo, controle de vetores, vigilância de doenças transmissíveis, monitoramento laboratorial, acompanhamento dos atendimentos em saúde em tempo real e ações voltadas à saúde do trabalhador.

    O plano também contempla campanhas educativas sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), distribuição de insumos preventivos, comunicação de risco e orientações ao público, reforçando a importância dos cuidados individuais e coletivos durante os dias de intensa movimentação na cidade.

    Com expectativa de receber cerca de 25 mil espectadores por noite no Bumbódromo, além do grande fluxo em portos, aeroportos, hotéis, bares e restaurantes, o município contará com atuação integrada entre diversos setores da vigilância em saúde para acompanhar indicadores, identificar possíveis ocorrências e garantir respostas rápidas caso haja necessidade.

    A iniciativa reforça o compromisso das autoridades de saúde em assegurar que a 59ª edição do Festival de Parintins aconteça em um ambiente mais seguro, promovendo a prevenção, a assistência e a proteção da população sem comprometer a grandiosidade de um dos maiores patrimônios culturais do Brasil.

    Por Débora Alcântara

  • Por que o hemograma continua sendo um dos exames mais importantes

    Entenda como alterações no sangue podem indicar anemia, infecções e doenças hematológicas antes mesmo de surgirem sinais evidentes.

    Saúde – O hemograma é um dos exames mais solicitados na prática médica. Muitas vezes, ele faz parte de um check-up de rotina, é pedido antes de uma cirurgia ou aparece em uma investigação inicial quando a pessoa se sente cansada, fraca, com febre ou apresenta algum sangramento. Apesar de ser um exame simples e de baixo custo, o hemograma pode trazer informações muito importantes sobre o funcionamento do organismo.

    De forma geral, o hemograma avalia três componentes principais do sangue: os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas. Cada um deles tem uma função diferente. Os glóbulos vermelhos são responsáveis por transportar oxigênio para os tecidos. Os glóbulos brancos participam da defesa do corpo contra infecções. Já as plaquetas ajudam na coagulação, evitando sangramentos excessivos.

    Quando o exame aponta anemia e outras pistas sobre a saúde

    Quando olhamos para os glóbulos vermelhos, conseguimos identificar se a pessoa tem anemia, principalmente quando a hemoglobina está baixa. É importante entender que ter anemia nunca deve ser considerado normal. Além disso, a anemia não é uma doença única, mas pode ser a manifestação de diferentes condições ou de uma doença subjacente. Ela pode surgir por deficiência de ferro, falta de vitamina B12, perdas de sangue, doenças inflamatórias, alterações da medula óssea ou outras causas. Por isso, além de observar se a hemoglobina está baixa, o médico também avalia características das hemácias, o que ajuda a direcionar a investigação.

    Na deficiência de ferro, por exemplo, é comum que as hemácias fiquem menores e mais pálidas no exame. Esse quadro pode estar relacionado a uma alimentação inadequada, menstruação intensa, sangramentos gastrointestinais ou aumento da necessidade de ferro em algumas fases da vida. Já na deficiência de vitamina B12, as hemácias podem aparecer com tamanho aumentado. Além da anemia, a falta de B12 pode causar sintomas neurológicos, como formigamentos, alteração de sensibilidade e dificuldade de equilíbrio, em alguns casos.

    Alterações nos glóbulos brancos e nas plaquetas

    Os glóbulos brancos também merecem atenção. Eles podem aumentar em situações comuns, como infecções, inflamações e uso de alguns medicamentos. Mas também podem estar baixos, o que pode indicar maior risco de infecções ou sugerir problemas na produção dessas células. Em algumas situações, alterações importantes no número ou no aspecto dos glóbulos brancos podem levantar a suspeita de doenças hematológicas, como leucemias e linfomas.

    As plaquetas, por sua vez, ajudam o sangue a coagular. Quando estão muito baixas, pode haver maior tendência a sangramentos, como manchas roxas, sangramento gengival, sangramento nasal ou menstruação muito intensa. Quando estão muito altas, dependendo do contexto, podem estar associadas a processos inflamatórios, deficiência de ferro ou doenças da medula óssea. Por isso, a interpretação deve sempre considerar a história do paciente e outros exames complementares.

    O papel do hemograma no diagnóstico precoce

    Um ponto importante é que algumas doenças do sangue podem ser descobertas antes mesmo de causarem sintomas claros. Existem casos em que uma pessoa faz um hemograma por rotina e o exame mostra anemia importante, queda das plaquetas ou alteração expressiva dos glóbulos brancos. A partir daí, o médico solicita uma investigação mais detalhada e pode chegar ao diagnóstico de doenças mais graves, como uma leucemia. Nesses casos, o exame de rotina não previne a doença, mas pode permitir que ela seja identificada mais cedo, antes de complicações graves.

    Mesmo assim, muitas pessoas só procuram atendimento quando aparecem sintomas. Isso acontece por vários motivos: falta de tempo, medo de descobrir uma doença, dificuldade de acesso ao sistema de saúde ou a sensação de que exames só são necessários quando algo está claramente errado. O problema é que algumas alterações podem evoluir de forma silenciosa por semanas ou meses. Cansaço persistente, palidez, perda de peso inexplicada, febre recorrente, infecções frequentes, manchas roxas sem motivo aparente e sangramentos fora do habitual são sinais que não devem ser ignorados.

    É importante lembrar que o hemograma não dá todas as respostas sozinho. Ele é uma fotografia do sangue naquele momento e precisa ser interpretado por um profissional de saúde. Um resultado alterado não significa, necessariamente, uma doença grave. Da mesma forma, um resultado aparentemente normal não exclui todos os problemas de saúde. O valor do exame está justamente em orientar o raciocínio médico e indicar quando é necessário investigar melhor.

    Outro conceito importante é que a anemia não se transforma em leucemia. Na maior parte das vezes, a anemia tem outras causas, como deficiência de ferro, deficiência de vitaminas ou perdas de sangue. Entretanto, quando a anemia vem acompanhada de outras alterações no hemograma, como queda das plaquetas ou alterações importantes dos glóbulos brancos, é fundamental ter um olhar mais cuidadoso para o diagnóstico.

    Fazer acompanhamento regular, manter consultas de rotina e discutir os resultados com um profissional são atitudes simples que podem fazer diferença. O hemograma é apenas um exame, mas muitas vezes é o primeiro sinal de que o corpo precisa de atenção. Quando bem interpretado, ele pode ajudar a identificar deficiências nutricionais, infecções, alterações da coagulação e doenças hematológicas, contribuindo para diagnósticos mais precoces e tratamentos mais adequados.



    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Com investimento de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde, estudo brasileiro para tratamento de cânceres do sangue alcança 87,5% de eficácia

    Resultados revelam que nove em cada dez pacientes com câncer do sangue submetidos ao tratamento CAR-T Cell apresentaram redução significativa ou desaparecimento completo do tumor

    Saúde – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou nesta quarta-feira (10), em São Paulo, a apresentação dos resultados preliminares da terapia CAR-T Cell desenvolvida no Brasil. O tratamento demonstrou eficácia de 87,5% em pacientes com cânceres hematológicos, especialmente linfoma, com redução significativa ou desaparecimento completo dos tumores. Considerado um avanço histórico no enfrentamento dos cânceres do sangue no país, o estudo clínico recebeu investimento de R$ 100 milhões do Governo Federal e já foi aplicado em 25 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

    “Os resultados são muito animadores. Os pacientes já haviam passado por diversas linhas de tratamento, como quimioterapia, radioterapia e transplante, e encontram nessa nova terapia uma nova esperança de cura e qualidade de vida. Estamos construindo a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. Atualmente, 96% dos tratamentos oncológicos já são ofertados pelo SUS”, destacou Padilha.

    Assim, o avanço consolida o Brasil como referência em pesquisa e inovação na área da saúde. O projeto é realizado pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan, voltados a dois dos tipos mais agressivos de câncer no sangue: Leucemia Linfoide Aguda B e Linfoma Não-Hodgkin B. Atualmente, o tratamento no exterior custa em média R$ 500 mil dólares por paciente.

    A expectativa é que, com a confirmação dos resultados e o registro sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a terapia CAR-T passe a ser oferecida em todo o território nacional, ampliando o acesso da população a tratamentos de ponta desenvolvidos por universidades e cientistas brasileiros. A tecnologia é considerada menos agressiva do que as abordagens convencionais, como quimioterapia e radioterapia. O projeto prevê a infusão em 81 pacientes até o fim do ano, sendo que 75 deles já estão cadastrados.

    Os vetores utilizados na pesquisa são patenteados pelo Hemocentro e pela USP e, posteriormente, o tratamento poderá ser integralmente produzido nacionalmente por meio do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera), garantindo a soberania tecnológica em todo o processo. Com isso, o país pode ser capaz desenvolver e produzir um dos tratamentos oncológicos mais avançados, fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis). 

    Genomas SUS: mais R$ 180 milhões para desenvolver terapias seguras em tratamentos personalizados

    Durante a agenda, Alexandre Padilha anunciou R$ 180 milhões para a segunda fase do Projeto Genomas SUS. O investimento será destinado à ampliação da infraestrutura de pesquisa, ao fortalecimento dos laboratórios e à formação de profissionais especializados. A nova etapa prevê a análise e sequenciamento de 50 mil genomas de brasileiros, alcançando a marca de 71 mil genomas sequenciados e fortalecendo a rede nacional de laboratórios com a primeira unidade no centro-oeste (UnB). Na fase inicial, o Ministério da Saúde investiu R$ 92,2 milhões.

    O projeto também viabilizará o primeiro mapa genético brasileiro, com infraestrutura para que futuras políticas de prevenção, diagnóstico, farmacogenômica e medicina de precisão sejam baseadas em evidências reais da sociedade do país.

    “O Brasil é um dos países com maior diversidade genética. Estudos já publicados a partir de dados do Genoma SUS mostram isso, possibilitando que o nosso país desenvolva cada vez mais medicamentos seguros e personalizados”, pontuou o ministro Alexandre Padilha.

    O Genomas SUS constitui uma estratégia estruturante do Programa Genomas Brasil e está construindo a maior base genômica já desenvolvida no país. São reunidos dados de saúde e informações genéticas de pessoas de diferentes regiões do país, formando uma base nacional de conhecimento e auxiliando pesquisadores e profissionais de saúde a compreender melhor como as doenças se desenvolvem em diferentes grupos da população para a oferta de diagnósticos mais precisos e tratamento adequados no âmbito do SUS.

    Ampliação do cuidado básico e especializado do SUS paulista

    A agenda também marcou uma série de entregas do Novo PAC Saúde, com investimento de R$ 62,1 milhões para o estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, foram anunciados 15 novos veículos para 15 municípios por meio do Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. A iniciativa garante transporte adequado e seguro para pacientes que precisam se deslocar para consultas, exames e tratamentos especializados.

    Para fortalecer a Atenção Primária à Saúde, também foram entregues 51 novas ambulâncias do SAMU 192, com foco no atendimento das regiões de Araçatuba, Assis, Noroeste Paulista e Presidente Prudente. Além disso, os municípios de Dois Córregos e Santa Lúcia receberão uma Unidade Móvel Odontológica cada. Ainda na Atenção Primária, o Ministério da Saúde anuncia a entrega de 36 combos de equipamentos para Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Cada conjunto reúne 17 itens essenciais para ampliar a capacidade de atendimento, modernizar os serviços e contribuir para a redução das filas de consultas e exames no SUS.

    Também foram assinadas duas ordens de serviço para a construção de novas estruturas de saúde. Em Matão, terá início a construção de um novo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), que contará com uma estrutura própria e mais adequada às necessidades assistenciais e às diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Já em Franca, o ministro autorizou o início das obras de uma nova policlínica, com investimento federal de R$ 30 milhões, que beneficiará mais de 400 mil habitantes da Região de Três Colinas, ampliando o acesso da população a consultas, exames e procedimentos especializados.

    Fonte: Taís Nascimento – Ministério da Saúde

  • Mutirões do SUS vão realizar mais de 13 mil atendimentos especializados em territórios indígenas durante o mês de junho

    Ações do programa Agora Tem Especialistas vão ofertar consultas, exames e mais de 300 cirurgias oftalmológicas para povos indígenas do Ceará, Amapá, Pará e Pernambuco

    Saúde – Mais de 13 mil atendimentos entre consultas, exames e procedimentos especializados estão previstos para junho em territórios indígenas dos estados do Ceará, Pernambuco, Amapá e Pará. As ações integram o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, e são executadas pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

    Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI/MS), Lucinha Tremembé, ampliar o acesso dos povos indígenas à atenção especializada é um compromisso do SUS com a equidade. “Os povos indígenas têm direito ao mesmo acesso à atenção especializada disponível em qualquer parte do país. O que estamos fazendo é aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) desses territórios, reduzindo desigualdades e ampliando a capacidade de resposta da rede de saúde indígena. Essa é uma prioridade do Ministério da Saúde e da SESAI”, afirmou.

    Os cinco mutirões ocorrerão nos territórios atendidos pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Ceará, Pernambuco, Amapá e Norte do Pará e Guamá-Tocantins. A programação inclui consultas, exames diagnósticos, procedimentos especializados e cirurgias oftalmológicas em áreas como pediatria, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia e cirurgia geral.

    As ações contam com a parceria de instituições com experiência em territórios indígenas e regiões remotas, como o projeto Aldeia em Foco, a Associação Médicos da Floresta (AMDAF), o Hospital Einstein Israelita e a ONG Zoé.

    Desde o início da estratégia, em agosto de 2025, já foram realizados 14 mutirões em diferentes regiões do país, contemplando os territórios dos DSEI Alto Rio Solimões, Médio Rio Solimões, Vale do Javari, Xavante, Yanomami e Ye’kwana, Alto Rio Negro, Guamá-Tocantins, Altamira e Rio Tapajós. Em 2025, foram registrados mais de 9,5 mil procedimentos especializados. Em 2026, o número já ultrapassa 17 mil atendimentos entre consultas, exames e procedimentos.

    Na avaliação do diretor-presidente da AgSUS, André Longo, a estratégia amplia o acesso dos povos indígenas à atenção especializada. “O programa Agora Tem Especialistas nas Aldeias amplia o acesso à consultas, exames e procedimentos especializados dentro dos territórios indígenas. Isso significa aproximar o SUS de quem mais precisa. Essa estratégia reduz barreiras de acesso, diminui o tempo de espera por atendimento e fortalece a integralidade do cuidado, respeitando as especificidades culturais e as realidades de cada povo indígena”, afirma.

    O gestor executivo da Unidade de Saúde Indígena da AgSUS, Edson Oliveira, também destaca que os mutirões são estruturados a partir das necessidades identificadas pelas próprias equipes que atuam nos territórios.

    “Essas ações são construídas a partir das necessidades identificadas pelos próprios DSEIs e pelas equipes que atuam nos territórios. O objetivo é concentrar, em períodos oportunos e estratégicos, uma oferta qualificada de consultas, exames, procedimentos e avaliações especializadas, respeitando os aspectos culturais locais, ampliando a capacidade de diagnóstico e definindo condutas terapêuticas que muitas vezes não conseguem ser ofertadas de forma regular em regiões de difícil acesso”, explica

    Mutirões nos territórios indígenas

    No território Xukuru do Ororubá, atendido pelo DSEI Pernambuco, o mutirão de oftalmologia será realizado entre os dias 14 e 20 de junho, com atendimento a mais de 30 aldeias. Nos dias 1º e 2 de julho, serão realizadas cirurgias de catarata e pterígio em pacientes previamente triados.

    No DSEI Ceará, a ação contemplará os polos-base Anacé, Potyrô Tapeba, Aquiraz e Maracanaú. Já no DSEI Amapá e Norte do Pará, a Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá concentrará atendimentos especializados em ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e ultrassonografia.

    No território indígena Tumucumaque, também atendido pelo DSEI Amapá e Norte do Pará, os polos-base Bona e Missão Tiriyó receberão equipes multiprofissionais para atendimentos em oftalmologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e odontologia.

    No DSEI Guamá-Tocantins, a Terra Indígena Zo’é receberá atendimento especializado nos dias 20 e 21 de junho. Serão realizadas consultas, exames de imagem e cirurgias, com o apoio de um profissional fluente na língua Zo’é para garantir a mediação cultural e facilitar a comunicação com a comunidade.

    A iniciativa fortalece a oferta de serviços especializados do SUS em regiões remotas e contribui para garantir um cuidado mais próximo, oportuno e adequado às realidades dos povos indígenas. 

    Fonte: Adriã Galvão – Ministério da Saúde

  • Osteoporose na Menopausa: terapia de reposição hormonal auxilia no controle da massa óssea

    Médica ginecologista e obstetra, Aline Frota dá detalhes sobre o tratamento, que pode reduzir as complicações causadas pelo fim natural da fase reprodutiva da mulher, como a desordem esquelética

    Saúde – Você já deve ter ouvido falar que a menopausa pode causar ondas de calor, insônia, ganho de peso e até mesmo falta de libido, mas sabia que também promove um grande impacto nos ossos? A condição que marca o fim da fase reprodutiva da mulher pode acelerar a perda da massa óssea e aumentar o risco de uma doença silenciosa, que é a principal causa de fraturas na população acima de 50 anos: a osteoporose.

    Dados da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) apontam que a doença atinge três vezes mais mulheres que homens, principalmente por conta dos efeitos da menopausa. Isso porque o fenômeno reduz a produção de dois hormônios, sendo um deles o estrogênio, fundamental para a saúde osteoarticular das mulheres, conforme explica a médica ginecologista e obstetra Aline Frota, que também é pós-graduada em Ginecologia Endócrina e em Medicina da Obesidade.

    Além de regular o ciclo menstrual, o estrogênio tem um efeito protetor no sistema esquelético, pois contribui para a fixação do cálcio nos ossos. Então, quando ocorre a queda na produção deste hormônio, consequentemente, o processo de perda óssea é acelerado, já que o cálcio é o principal mineral para a manutenção da densidade, força e estrutura dos ossos. Óbvio que outros fatores podem acelerar o processo, mas alguns estudos indicam que a mulher pode perder até 20% da densidade óssea nos sete anos seguintes à menopausa”, pontua.

    Para driblar a falta de estrogênio no corpo e aliviar os sintomas da menopausa, incluindo o avanço da osteoporose, a médica – que compartilha diversas informações em seu perfil do Instagram (@dra.aline_frota) e no do Instituto Vitasee (@vitaseesaude), do qual é sócia-fundadora – recomenda a terapia de reposição hormonal.

    “Quando não há contraindicação, as mulheres podem ser submetidas à reposição dos hormônios femininos, que tem como um dos seus objetivos o auxílio no incremento da massa óssea. Neste caso, a dose certa e a via adequada variam conforme a situação médica de cada paciente, podendo ser terapia combinada (estrogênio + progesterona), estrogênio isolado, formulações locais (intravaginais), formulações sistêmicas (oral ou transdérmica)”, detalha.

    Prevenção

    Antes do tratamento com esse foco, é necessário avaliar a saúde dos ossos por meio da densitometria óssea, exame radiológico que detecta a quantidade de cálcio e outros minerais no sistema esquelético. “É um teste de imagem em que é possível detectar até mesmo a osteopenia, que é o estágio inicial da perda óssea”, destaca.

    Segundo Aline, a terapia hormonal é uma ferramenta eficaz para garantir a qualidade de vida das mulheres durante a menopausa, mas a decisão de iniciar a reposição precisa ser feita com acompanhamento médico, levando em consideração histórico pessoal, riscos e expectativas de cada paciente, até mesmo porque, a depender do grau do acometimento ósseo, há possibilidade de serem indicados tratamentos específicos, como bisfosfonatos, moduladores seletivos de receptores estrogênicos e terapias anabólicas ósseas.

    A médica ginecologista e obstetra salienta que, com exercícios físicos regulares, alimentação adequada e acompanhamento profissional, é possível atravessar a menopausa com bem-estar e saúde. “A principal observação é não deixar uma fratura acontecer para cuidar dos ossos. É necessário se atentar à saúde hoje para viver com mais qualidade amanhã”, finaliza.

    Fonte: Acrítica.com

  • Junho Vermelho: Complexo Hospitalar Sul reforça apelo por doações de sangue para salvar vidas no Amazonas

    Somente o Pronto-Socorro 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu utilizam cerca de 1.200 bolsas de sangue por mês. Cada doação pode beneficiar até quatro pacientes.

    Saúde – Em meio à campanha nacional Junho Vermelho, o Complexo Hospitalar Sul (CHS) intensificou o alerta sobre a importância da doação voluntária de sangue para garantir o atendimento de pacientes da rede pública de saúde do Amazonas. A necessidade é constante: apenas o Pronto-Socorro 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu consomem, em média, 1.200 bolsas de sangue todos os meses.

    As bolsas são essenciais para a realização de cirurgias, atendimentos de urgência e emergência, tratamentos oncológicos, assistência a pacientes renais, queimados e vítimas de acidentes. A manutenção dos estoques é considerada estratégica para evitar o comprometimento dos serviços hospitalares.

    Segundo o coordenador médico da Agência Transfusional do CHS, Paulo Raphael, a doação é um ato de solidariedade que faz diferença direta na rotina das unidades de saúde.

    “A Agência Transfusional garante suporte para atendimentos de emergência, cirurgias de urgência e procedimentos eletivos, além da assistência a gestantes e pacientes graves. A doação de sangue é fundamental para a continuidade desses serviços”, destacou.

    No Instituto da Mulher Dona Lindu, pacientes com cirurgias programadas também são incentivadas a mobilizar familiares e amigos para contribuir com os estoques. A estratégia ajuda a ampliar o número de doadores e fortalece a rede de apoio aos pacientes.

    De acordo com o supervisor do Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), Guilherme Salazar, a participação da comunidade tem sido essencial.

    “Hoje, o Dona Lindu realiza entre 170 e 200 cirurgias eletivas por mês. Cada paciente mobiliza, em média, cinco ou seis doadores. Essas doações ajudam a manter os estoques utilizados em toda a rede estadual”, explicou.

    A administradora Leila Silvana Figueiredo de Souza, de 65 anos, viveu essa experiência recentemente. Enquanto se preparava para uma cirurgia, reuniu familiares e amigos para colaborar com a causa.

    “Compartilhei um pedido nos grupos de mensagens e as pessoas foram se mobilizando para ajudar. Foi gratificante ver essa corrente de solidariedade”, relatou.

    Uma doação pode salvar até quatro vidas

    Muitas pessoas desconhecem que uma única bolsa de sangue pode beneficiar vários pacientes. Isso acontece porque, após a coleta, o material passa por um processo de separação em diferentes componentes, utilizados conforme a necessidade clínica de cada caso.

    A supervisora da Agência Transfusional do CHS, Elcir Coelho, explica que esse procedimento amplia significativamente o alcance de cada gesto de solidariedade.

    “Após a coleta, o sangue passa por um processo de separação dos componentes. Dessa forma, uma única bolsa pode gerar hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, permitindo atender até quatro pacientes”, afirmou.

    Saiba quem pode doar sangue

    Para se tornar doador, é necessário estar em boas condições de saúde, alimentado e ter dormido adequadamente na noite anterior à doação. Também é importante não ter consumido bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem o procedimento e informar à equipe médica sobre o uso de medicamentos ou tratamentos em andamento.

    O Complexo Hospitalar Sul reforça o convite para que a população adote a doação como um hábito regular, ajudando a manter os estoques em níveis seguros durante todo o ano.

    Onde doar em Manaus

    As doações podem ser realizadas na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), localizada na avenida Constantino Nery, nº 4.397, bairro Chapada, zona Centro-Sul de Manaus.

    O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h.

    Mais do que um ato de generosidade, doar sangue representa uma oportunidade concreta de salvar vidas. Em poucos minutos, um gesto simples pode oferecer esperança a pacientes que dependem desse recurso para continuar lutando pela própria recuperação.

  • Uso de cannabis pode elevar nível de testosterona? Veja o que diz estudo

    Pesquisa elaborada pela Universidade de Genebra aponta que o uso de cannabis não reduz os níveis de testosterona em homens jovens, podendo até aumentar sua síntese testicular.

    Saúde – Um estudo realizado pela UNIGE (Universidade de Genebra) aponta que ao contrário do que muitos podem pensar, o consumo de cannabis por homens mais jovens não reduz o nível de testosterona e pode até mesmo aumentar sua síntese testicular.

    A pesquisa, conduzida em colaboração com o Centro Suíço de Toxicologia Humana Aplicada, explica que esse aumento nos níveis hormonais não pode ser diretamente relacionado à fertilidade. Para embasar a tese, foi realizada uma análise hormonal detalhada de 94 recrutas suíços, com idades entre 18 e 23 anos.

    Os pesquisadores identificaram ainda dois novos biomarcadores hormonais que podem auxiliar na detecção do uso regular de cannabis.

    O que diz o estudo

    A Faculdade de Genebra, em parceria com o Centro Suíço de Toxicologia Humana Aplicada, analisou o perfil hormonal de 94 recrutas suíços, entre 18 e 23 anos, sendo 47 usuários de cannabis e 47 não usuários.

    O estudo avaliou centenas de hormônios esteroides, incluindo andrógenos, progestógenos e estrogênios, diferentemente de estudos anteriores, que focavam sobretudo na testosterona. Os resultados apontaram que os usuários de cannabis apresentaram níveis de testosterona cerca de 23% mais altos do que os não usuários.

    Segundo os pesquisadores, a elevação parece estar associada à produção hormonal nos testículos, especialmente nas células de Leydig, responsáveis pela síntese da testosterona.

    O estudo também identificou dois potenciais biomarcadores relacionados ao consumo da substância: a hidroxiprogesterona e a di-hidroprogesterona, metabólitos derivados da progesterona que apresentaram concentrações significativamente maiores entre os usuários.

    Elevação da testosterona com o uso de cannabis: o que significa?

    Apesar dos achados, os pesquisadores reforçam que o aumento da testosterona não deve ser interpretado como um indicativo de melhora na fertilidade. A relação entre níveis hormonais e qualidade do esperma é considerada complexa e ainda pouco compreendida.

    Uma das hipóteses é que o organismo esteja compensando uma possível redução na sensibilidade dos receptores de andrógenos causada pela cannabis.

    Além disso, os especialistas afirmam que ainda não é possível determinar as consequências clínicas do consumo regular da substância para a fertilidade masculina.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Como a tadalafila virou “hype” entre jovens e teve vendas 2.000% maiores em dez anos

    Impulsionado pelas redes sociais, o uso recreativo da tadalafila preocupa especialistas pelos riscos da automedicação

    Saúde – A tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil, ganhou popularidade entre homens jovens nos últimos anos. Além do uso recreativo para potencializar o desempenho sexual, o fármaco passou a ser divulgado nas redes sociais como um possível aliado da prática de musculação, apesar da ausência de comprovação científica para essa finalidade. 

    Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), obtidos pelo Terra, mostram essa realidade: as vendas da tadalafila saltaram de 3,2 milhões de unidades em 2015 para 74,9 milhões em 2025, um aumento superior a 2.000% em apenas dez anos.

    A popularização da tadalafila não aparece apenas nas estatísticas oficiais. Durante a apuração desta reportagem, relatos sobre o uso do medicamento surgiram com frequência em conversas informais com homens na faixa dos 20 e 30 anos, principalmente associados à busca por melhor desempenho sexual e, mais recentemente, à prática de exercícios físicos.

    órgão afirma que a busca por atalhos para melhorar o desempenho físico, impulsionada por conteúdos disseminados nas redes sociais, pode estimular o uso irracional de medicamentos.

    Segundo o CEATRIM, o uso indiscriminado da tadalafila pode provocar reações adversas e interações perigosas com outros medicamentos. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão dor de cabeça, indigestão, dor nas costas, rubor facial, congestão nasal e dores musculares. Em casos mais raros, o medicamento pode causar alterações na visão, na audição e até no ritmo cardíaco.

    O salto nas vendas
    O aumento da medicação foi impulsionado, em parte, pela popularização do medicamento nas redes sociais, onde passou a ser apresentado como uma ferramenta para melhorar o desempenho sexual e até mesmo o rendimento físico. A tadalafila deixou de ser associada apenas aos consultórios de urologia e ganhou espaço em vídeos de influenciadores que a promovem como uma espécie de “pré-treino”.

    A promessa de maior irrigação sanguínea e melhor desempenho nos exercícios estimulou até o surgimento de produtos à base de tadalafila em formato de gummies (balas mastigáveis). Em 2025, a Anvisa proibiu a comercialização desses produtos por questões regulatórias e de segurança.

    O remédio que virou recomendação entre amigos
    Todos os homens ouvidos para esta reportagem têm entre 26 e 30 anos e não serão identificados para preservar sua privacidade. Um dos jovens relatou conhecer amigos que fazem uso excessivo do medicamento.

    “Tenho amigo que já tomou até quatro comprimidos de uma vez. Depois ele sente dor de cabeça, dor nas costas e dor muscular. Fica até cansado. Eu nunca senti nada porque, quando tomo, é apenas um comprimido”, contou.

    Ele afirma que, na maioria das vezes, os homens não comentam com as parceiras que utilizaram o medicamento antes da relação sexual. “Eu pesquisei as contraindicações e mesmo assim tomei porque achei que seria melhor para a relação. Uso algumas vezes e ainda tenho medo dos efeitos colaterais.”

    O entrevistado, que trabalha em eventos noturnos, afirma que a procura pela medicação é frequente nesse ambiente. “Durante as festas, é comum alguém perguntar se tem quem venda tadalafila. Tem gente que lucra com isso: compra na farmácia e revende na noite. Uma caixa custa cerca de R$ 10, mas tem gente que vende um único comprimido por R$ 30.”

    Em uma conversa informal durante uma festa, diversos jovens relataram já ter utilizado a tadalafila. Alguns afirmaram que costumam tomar o medicamento em noites de balada, quando pretendem prolongar encontros sexuais. Um deles, que está em um relacionamento estável, disse que decidiu experimentar a substância para melhorar seu desempenho com a namorada. “Foi bom. Consegui ter várias relações seguidas”, contou.

    Outro amigo da mesma faixa etária relatou usar o medicamento com mais frequência. “Isso é problema de homem, você não vai entender”, respondeu ao ser questionado sobre as razões do uso.

    Durante a conversa, os participantes trocavam experiências e recomendações. Os usuários mais frequentes incentivavam os demais a experimentar a substância. “Não tem perigo nenhum”, repetiam.

    Um dos jovens afirmou que quase todo o seu círculo de amizades faz uso da medicação e que ele raramente fica sem uma cartela do remédio.“Eu tomo e tenho aquelas noites boas”, disse, entre risos. Ele também afirmou conhecer pessoas que utilizam a substância para praticar exercícios físicos. “Muitos amigos tomam até para treinar. Eles dizem que ajuda bastante e não faz mal.”

    para comprar o medicamento. Além disso, nas redes sociais, influenciadores acumulam milhões de visualizações ao compartilhar relatos sobre os supostos benefícios do remédio. Em muitos desses conteúdos, a tadalafila deixa de ser apresentada como tratamento para uma condição médica específica e passa a ser divulgada como uma espécie de “energético sexual” ou até mesmo como auxílio para a prática esportiva.

    Especialistas alertam, porém, que a automedicação e o uso recreativo podem trazer riscos à saúde e reforçar uma cultura de pressão por desempenho sexual que afeta principalmente homens jovens. Segundo o cardiologista Marcelo Bergamo, a tadalafila é considerada um medicamento seguro quando utilizada corretamente e sob orientação médica, mas não está livre de efeitos adversos.

    “O principal efeito da tadalafila é promover a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode levar à redução da pressão arterial. Em pessoas com doenças cardíacas, pressão baixa, arritmias ou problemas coronarianos, o uso sem avaliação médica pode aumentar o risco de tonturas, desmaios e, em situações específicas, complicações cardiovasculares mais graves”, explica.

    perigosa
    A situação se torna ainda mais delicada quando a tadalafila é associada a substâncias estimulantes, como cocaína, ecstasy e anfetaminas. “Essas drogas aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, enquanto a tadalafila promove vasodilatação. Essa combinação pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e aumentar o risco de arritmias, dor no peito, infarto e até morte súbita em pessoas predispostas”, alerta.

    O cardiologista destaca ainda que a interação mais perigosa ocorre com medicamentos à base de nitratos, frequentemente utilizados no tratamento de angina e outras doenças cardíacas. Entre eles estão a nitroglicerina, o mononitrato de isossorbida e o dinitrato de isossorbida. ‘Quando usados junto com a tadalafila, esses medicamentos podem provocar uma queda abrupta e potencialmente fatal da pressão arterial”, afirma.

    Além dos nitratos, o especialista recomenda cautela para pacientes que utilizam alguns medicamentos para hipertensão, alfabloqueadores indicados para problemas urinários e remédios que alteram o metabolismo da tadalafila. Apesar de muitos usuários associarem o risco apenas a pessoas mais velhas, Bergamo afirma que a juventude não elimina a possibilidade de complicações. “Eventos graves são incomuns, mas podem ocorrer, principalmente quando o medicamento é utilizado em doses elevadas ou associado ao consumo de álcool e drogas recreativas.”

    Entre os sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato estão dor no peito, falta de ar, palpitações intensas, desmaios, tontura importante, alterações súbitas da visão ou da audição e ereções dolorosas e prolongadas por mais de quatro horas, condição conhecida como priapismo.

    Para o cardiologista, o crescimento do uso recreativo entre jovens tem gerado preocupação entre médicos e sociedades científicas. “O uso recreativo pode criar uma falsa sensação de necessidade do medicamento para o desempenho sexual, especialmente entre jovens sem qualquer indicação clínica. Além disso, já existem relatos de atendimentos em pronto-socorro relacionados ao uso inadequado, incluindo episódios de hipotensão, desmaios, arritmias, priapismo e complicações decorrentes da associação com álcool e drogas ilícitas.”

    Bergamo reforça que a tadalafila não melhora a saúde cardiovascular nem protege contra problemas cardíacos. “Trata-se de um medicamento eficaz e seguro quando prescrito corretamente, mas seu uso indiscriminado, principalmente em contextos recreativos e associado a álcool ou drogas, pode trazer riscos reais à saúde cardiovascular e geral. O fato de ser amplamente conhecido não significa que seja inofensivo.”

    “Ansiedade de performance” e pressão por perfeição
    Para o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (UFRGS) e pesquisador do Instituto Ame Sua Mente, o aumento do uso de tadalafila entre jovens está ligado à combinação de acesso facilitado ao medicamento, ampla divulgação nas redes sociais e uma crescente insegurança em relação ao desempenho sexual.

    acreditar que estão performando bem por causa da medicação”, diz ele. Segundo o médico, isso faz com que eles passem a temer um mau desempenho sem ela. Para ele, a tadalafila pode mascarar a insegurança e a ansiedade de performance, mas não trata a causa do problema.

    Estanislau também destaca que o uso da substância frequentemente aparece associado ao consumo de álcool e outras drogas, dentro de um contexto de experimentação e busca por validação social. “Existe uma perda na confiança de que eles podem performar bem sem a medicação”, afirma.

    Na avaliação do psiquiatra, a obsessão pela performance afasta os jovens de experiências mais naturais de intimidade, autoconhecimento e aprendizado. “As falhas e os erros passam a ser vistos como algo muito grave”, explica, acrescentando que isso reduz a tolerância às frustrações e pode prejudicar a construção de relações afetivas mais saudáveis.

    Fonte: Terra

  • Laxante usado contra prisão de ventre mostra potencial para melhorar memória e concentração em pessoas com depressão

    Pesquisa aponta que a prucaloprida, medicamento já aprovado para constipação crônica, pode ajudar a reduzir a chamada “névoa mental” associada aos transtornos depressivos.

    Saúde – Um medicamento amplamente utilizado no tratamento da constipação crônica pode representar uma nova esperança para pessoas que convivem com dificuldades de memória e concentração após episódios de depressão. Um estudo publicado na revista científica Psychological Medicine revelou que a prucaloprida apresentou resultados promissores na melhora de funções cognitivas frequentemente afetadas pela doença.

    Os chamados sintomas cognitivos da depressão — conhecidos popularmente como “névoa mental” — incluem problemas de atenção, lentidão no raciocínio, esquecimentos e dificuldade para tomar decisões. Em muitos casos, essas alterações persistem mesmo após a melhora dos sintomas emocionais, comprometendo a qualidade de vida e o retorno às atividades diárias.

    Para investigar o potencial terapêutico da prucaloprida, pesquisadores recrutaram 50 adultos, com idades entre 18 e 40 anos, que já haviam enfrentado pelo menos dois episódios de depressão. Todos estavam recuperados havia, no mínimo, seis meses e não utilizavam medicamentos no período da pesquisa.

    Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um deles recebeu 2 miligramas de prucaloprida diariamente durante sete a dez dias — dose já aprovada para o tratamento da prisão de ventre crônica. O segundo grupo recebeu placebo, sem princípio ativo.

    Antes e após a intervenção, os voluntários passaram por uma série de avaliações voltadas à análise da memória de curto e longo prazo, velocidade de processamento de informações, funções executivas e reconhecimento emocional. Os resultados mostraram que aqueles que utilizaram a prucaloprida apresentaram melhor desempenho em tarefas cognitivas, com respostas mais rápidas e precisas em comparação ao grupo placebo.

    Segundo a pesquisadora Angharad de Cates, da Universidade de Birmingham e autora correspondente do estudo, os achados ajudam a lançar luz sobre um aspecto frequentemente negligenciado da depressão.

    “Os problemas cognitivos são uma característica importante da depressão e podem persistir mesmo quando o humor melhora. Nosso estudo sugere que um medicamento direcionado ao receptor de serotonina 5-HT4, já utilizado para constipação crônica, pode contribuir para a melhora do funcionamento cognitivo em pessoas com histórico da doença”, afirmou.

    A explicação para esse possível benefício está na atuação da prucaloprida sobre os receptores 5-HT4, estruturas relacionadas à serotonina, neurotransmissor que desempenha papel importante tanto na regulação do humor quanto nos processos de aprendizagem e memória.

    Para Susannah Murphy, professora associada da Universidade de Oxford e autora principal da pesquisa, o estudo abre caminho para novas abordagens terapêuticas.

    “Para muitas pessoas, a recuperação da depressão não é completa porque as dificuldades de memória e concentração continuam presentes. Esses resultados fornecem evidências iniciais de que medicamentos que atuam sobre o receptor 5-HT4 podem ajudar a restaurar aspectos importantes da função cognitiva”, destacou.

    Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, os próprios pesquisadores reforçam que são necessários estudos maiores e de longo prazo para confirmar a eficácia e a segurança da estratégia antes que ela seja incorporada à prática clínica. Por isso, especialistas alertam que a prucaloprida não deve ser utilizada por conta própria como tratamento para depressão ou problemas de memória.

    A pesquisa reforça uma tendência crescente na medicina: o reaproveitamento de medicamentos já aprovados para novas finalidades terapêuticas. Caso os resultados sejam confirmados em investigações futuras, o remédio poderá representar uma alternativa inovadora para combater uma das consequências mais persistentes e incapacitantes dos transtornos depressivos.