Antes de enfeitar a mesa ou vestir a camisa da seleção, o funcionário deve checar se a empresa permite acompanhar os jogos durante o expediente. Especialistas alertam que excessos e gafes podem prejudicar a imagem profissional.
Brasil – A Copa do Mundo 2026 começou nessa quinta-feira (10) e a estreia da seleção brasileira está marcada para este sábado (13). O clima de Mundial já começou a tomar conta do país, inclusive nos ambientes de trabalho.
A expectativa em torno dos jogos reacende dúvidas sobre folgas, flexibilização de horários e até como acompanhar as partidas durante o expediente.
No calendário da seleção brasileira, os três primeiros jogos serão à noite (horário de Brasília). A estreia acontece contra Marrocos, no sábado (13). Depois disso, o Brasil volta a campo em outras duas datas que caem em dias úteis.
Se avançar para a próxima fase, o cenário pode se repetir – o que significa mais partidas em dias de trabalho caso a seleção siga no torneio. A competição será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México.
No Brasil, é comum que empresas liberem funcionários em dias de jogo ou flexibilizem a jornada durante a Copa, mas isso não é uma obrigação legal.
Para quem vai seguir trabalhando normalmente, é importante ficar atento, já que nem todas as empresas adotam regras mais flexíveis durante a Copa. Quem pretende acompanhar os jogos durante o expediente deve verificar previamente se há autorização para esse tipo de prática.
Segundo Renato Mendes Baptista, CEO da Mendes Talent, o ideal é consultar as normas internas ou alinhar previamente com a liderança.
Segundo ele, gritos excessivos, provocações insistentes, palavrões e abandono das responsabilidades estão entre os comportamentos que mais geram desconforto no ambiente corporativo durante os jogos.
Outro ponto de atenção, segundo Renato, é o uso excessivo do celular e das redes sociais durante o expediente. Para ele, acompanhar rapidamente o placar não costuma ser um problema, mas o excesso pode transmitir falta de comprometimento e desatenção ao trabalho.
Equilíbrio entre lazer, respeito e responsabilidade
Segundo Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), a Copa pode fortalecer o clima organizacional, desde que o profissionalismo seja mantido. “A descontração não é um ‘passe livre’ para esquecer que estamos em um ambiente corporativo”, afirma.
De acordo com a especialista, o limite é ultrapassado quando o comportamento começa a afetar a rotina da equipe, atrapalhar entregas ou incomodar colegas que não estão acompanhando os jogos. Para ela, respeitar quem não gosta de futebol também faz parte da convivência profissional
A especialista orienta que trabalhadores conversem previamente com gestores e equipes para alinhar horários e demandas antes das partidas. Entre as alternativas estão antecipar entregas, utilizar áreas comuns da empresa para assistir aos jogos ou compensar horas posteriormente.
Ela explica que a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite acordos de compensação de jornada, prática adotada por muitas empresas durante eventos esportivos. “A produtividade não cai quando o colaborador se sente respeitado em seus momentos de lazer”, afirma.
Apesar do clima descontraído, Eliane alerta que algumas atitudes podem trazer consequências disciplinares. Xingamentos, provocações agressivas e ofensas direcionadas a colegas podem ser enquadrados como desrespeito ao código de conduta da empresa e até gerar punições.
Chave está no planejamento
Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, empresa do Talenses Group especializada em trabalho temporário e por projeto, afirma que a chave está no planejamento.
Segundo ele, muitas empresas conseguem criar ações leves, como transmissão dos jogos, flexibilização pontual de horários ou pausas programadas, sem impactar a operação. “O importante é alinhar previamente expectativas, prioridades e responsabilidades”, afirma.
Para evitar problemas, Fernando defende que o setor de Recursos Humanos (RH) da empresa estabeleça orientações claras antes do início dos jogos. As regras podem envolver:
- Horários;
- Uso de espaços comuns;
- Dress code (código de vestimenta);
- Consumo de álcool;
- Postura esperada durante as partidas.
O bom senso é importante, mas orientações claras ajudam a evitar ruídos”, explica. Ele também alerta para o consumo de álcool em confraternizações corporativas.
Segundo Fernando, as ações relacionadas à Copa devem ser opcionais, já que nem todos gostam de futebol ou querem participar das atividades internas.
“O ideal é evitar pressão social para participação e garantir que quem prefira manter a rotina normal também se sinta respeitado”, diz.
Na avaliação do especialista, a Copa pode tanto fortalecer a integração entre equipes quanto evidenciar problemas de convivência já existentes dentro das empresas.
Fonte: G1