Petista defendeu integração dos países do bloco acima de posições ideológicas. Lula também pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de terremotos na Venezuela.
Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante cúpula de líderes do Mercosul, que vai tentar a reeleição em outubro deste ano para “garantir” a democracia no Brasil.
O petista deu a declaração durante fala de improviso em Assunção, após ler um discurso com tom institucional sobre as relações entre os países do Mercosul; e do bloco com outros países e grupos econômicos.
O presidente disse que a democracia voltou a ser ameaçada mundialmente, mencionando tentativas de golpe, inclusive no Brasil.
Lula tentará um quarto mandato como presidente no Brasil nas eleições deste ano. O petista deve ter como principal adversário Flávio Bolsonaro (RJ), filho de Jair Bolsonaro que é pré-candidato pelo PL.
O presidente do Brasil comentou os 35 anos do Mercosul, afirmando que a criação do bloco foi uma resposta ao passado autoritário na região.
Durante o pronunciamento, Lula defendeu integração entre os países do Mercosul acima das posições ideológicas de cada presidente.
“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando. Nunca vai conseguir se transformar em um bloco econômico de muita vitalidade”, disse o petista.
Sem citar o avanço de partidos de direita na América do Sul, o petista disse que o Mercosul é a “melhor opção institucional” em uma região polarizada. E que “ninguém é dono” do continente.
Além de Lula, a reunião do bloco desta terça contou com as presenças dos presidentes do Paraguai, Santiago Peña; Uruguai, Yamandú Orsi; do Chile, José Antonio Kast; e do Equador, Daniel Noboa.
O presidente da Argentina, Javier Milei, que é adversário político de Lula, alegou compromissos locais no país vizinho e não compareceu à reunião de chefes de Estado.
Aliado da família Bolsonaro, Milei, que se encontrou com Flávio nesta segunda (29), enviou como representante para a reunião do Mercosul o chanceler Pablo Quirino.
PIX no Mercosul
Ainda no discurso, Lula propôs o compartilhamento de experiências em inteligência artificial e sugeriu que a arquitetura do PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, sirva de base para uma infraestrutura comum de pagamentos no Mercosul.
O petista disse que o objetivo da criação dessa ferramenta seria reduzir custos e ampliar o uso de moedas locais.
Homenagem à Venezuela
Durante a reunião desta terça, os líderes do Mercosul fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de dois terremotos na Venezuela na semana passada. O ato foi proposto por Lula, no início do discurso na 68ª Cúpula de presidentes do Mercosul.
O número oficial de mortes após os terremotos na Venezuela chegou a 1.719 nesta terça, mas continua crescendo
Milhares de pessoas estão desaparecidas e desabrigadas. Ao discursar na reunião do Mercosul, Lula mencionou as vítimas e pediu cooperação entre os países.
No discurso, Lula defendeu a criação de um fundo para desastres naturais na América do Sul. Ele disse que o fundo é uma “necessidade estratégica” para os países da região e propôs um mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais e de financiamento para adaptação climática
O presidente também mencionou o impacto das guerras, como instabilidade e elevação dos preços de alimentos e energia.
O presidente apresentou dados sobre a evolução econômica do bloco. Disse que o comércio interno saltou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025.
Ele citou a ratificação de acordos comerciais com Singapura e Europa, além do avanço de diálogos com Canadá, Índia e Vietnã.
Fonte: G1