Conta de luz puxa inflação em 2025, enquanto queda nos alimentos evita avanço maior dos preços

Escrito por

em

Energia elétrica sobe mais de 12% e lidera impacto no IPCA, mas safra recorde ajuda a conter inflação anual em 4,26%.

Economia – A energia elétrica residencial foi o principal fator de pressão sobre a inflação brasileira em 2025, mesmo com a desaceleração registrada no último mês do ano. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a conta de luz acumulou alta de 12,31% no ano e teve o maior impacto individual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou 2025 em 4,26%.

O aumento da energia elétrica respondeu por uma contribuição de 0,48 ponto percentual do índice anual. Segundo o IBGE, o encarecimento do serviço foi influenciado tanto pela adoção de bandeiras tarifárias ao longo do ano quanto por reajustes autorizados às concessionárias.

Além da energia, outros itens exerceram forte pressão sobre a inflação. Cursos regulares tiveram alta de 6,54%, com impacto de 0,29 ponto percentual, seguidos pelos planos de saúde, que subiram 6,42% (0,26 ponto), aluguel residencial, com elevação de 6,06% (0,22 ponto), e lanches, que ficaram 11,35% mais caros (0,21 ponto). Também figuraram entre as maiores altas produtos farmacêuticos, refeições fora de casa, café moído, itens de higiene pessoal, custos com empregado doméstico, condomínio e tarifas de água e esgoto.

Na direção oposta, a queda nos preços de diversos alimentos e bens de consumo ajudou a conter a inflação ao longo do ano. O arroz apresentou recuo expressivo de 26,56%, retirando 0,20 ponto percentual do IPCA. O leite longa vida caiu 12,87%, enquanto feijão-preto, batata-inglesa, alho e azeite de oliva também registraram reduções relevantes. Bens duráveis, como aparelhos telefônicos, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e automóveis usados, contribuíram para o alívio do índice.

O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de apenas 2,95% em 2025, a oitava menor desde o início do Plano Real. Segundo o IBGE, esse comportamento foi decisivo para limitar o avanço da inflação no ano.

De acordo com o instituto, a safra agrícola recorde registrada em 2025 teve papel fundamental na redução dos preços de alimentos básicos, aliviando o orçamento das famílias. A desvalorização do dólar frente ao real e a queda nos preços internacionais de commodities também contribuíram para o cenário mais favorável no setor.

Mesmo com a forte pressão exercida pela energia elétrica e pelos serviços, o desempenho dos alimentos impediu que a inflação superasse patamares mais elevados, mantendo o IPCA dentro de níveis considerados controlados ao longo de 2025.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *