Grupo teria usado golpes digitais para invadir sistemas sigilosos e intimidar opositores; dois servidores do BC foram afastados.
Geral – A polícia encontrou indícios de que a “turma” de Daniel Vorcaro teria acessado indevidamente sistemas sigilosos de órgãos públicos, caso da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. O banqueiro foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4).
A investigação mostra que ele se infiltrou nesses sistemas usando diferentes métodos. “Na Polícia Federal, por exemplo, ele conseguiu senhas do Ministério Público Federal e da PGR através de um sistema de um golpe chamado ‘phishing’, que é apresentar para funcionários aleatórios uma tela de troca de senha falsa”, explicou a jornalista Malu Gaspar, que revelou bastidores do caso, no podcast O Assunto desta quinta (5).
O “phishing” é um golpe digital que usa mensagens falsas (e-mails, SMS, links) para enganar pessoas e roubar informações confidenciais, como senhas e dados bancários.
“Ele entrou no sistema da Polícia Federal por meio de um escrivão aposentado da Polícia Federal, que foi preso agora nessa operação, e atuava como intermediário para obter senhas de funcionários da Polícia Federal. Abriu inquéritos, abriu investigações, comprou informações de todo mundo que ele conseguiu e com isso ele monitorava a própria investigação sobre ele mesmo”, explica Gaspar.
As apurações também indicam a possível participação de servidores do Banco Central no esquema. Dois funcionários foram afastados de suas funções: Belline Santana e Paulo Sérgio Souza.
Na decisão que determinou a prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, afirmou que os indícios reunidos vão além de crimes financeiros e apontam para a existência de uma “milícia privada” destinada a intimidar opositores.
Também foram presos na operação o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, suspeito de ser o operador financeiro do esquema de fraudes, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Fonte: G1
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