Nem água nem R$ 15 mil’, lamenta agricultor que contraiu dívida e encontrou possível petróleo no Ceará

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Sidrônio Moreira, de 63 anos, fez um empréstimo em 2024 para perfurar dois poços em seu sítio na cidade de Tabuleiro do Norte e resolver um problema antigo na região: a falta de água encanada em casa.

Geral – O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou uma possível jazida de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE), não tinha intenção de achar o líquido. O seu objetivo inicial era encontrar água. Por isso, ele decidiu fazer um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar dois poços artesianos no sítio onde mora. No entanto, encontrou apenas um líquido denso, preto, com cheiro de combustível.

Este imbróglio, no entanto, está longe de terminar. A família, que não tem acesso à água encanada em casa — e, por isso, depende de adutora e carros-pipa — espera um laudo definitivo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para saber do que se trata o material estranho achado no quintal.

Ao g1, Sidrônio conta que pensou em perfurar os poços artesianos para tentar sanar um problema antigo que afeta a região. A ideia era “ficar sossegado”, mas, depois da possível descoberta de petróleo, o agricultor deve isolar as áreas das perfurações e evitar contato com o líquido preto. A dívida continua:

Sidrônio e a esposa, Maria Luciene, vivem com dois filhos no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro de Tabuleiro do Norte. Sem acesso à água encanada, a família depende de adutora e carros-pipa para o abastecimento. A renda vem das aposentadorias do casal e da venda de animais, feijão e milho

Depois do empréstimo, eles ficaram com as finanças comprometidas. Enquanto esperam uma resposta definitiva da ANP, Sidrônio não pode mais perfurar poços, e o problema da água continua. O caso começou em novembro de 2024, mas só neste ano a ANP visitou o local pela primeira vez

O vice-prefeito de Tabuleiro do Norte, Antério Fernandes, afirmou que uma nova adutora – uma espécie de tubulação subterrânea criada para transportar grande volume de água – está sendo construída na zona rural da cidade e deve atender mais de 700 famílias. Uma delas é a família de Sidrônio e Luciene. O prazo para a construção é o fim deste mês de março.

A família não faz planos caso o líquido “estranho” encontrado no terreno seja mesmo petróleo. Em relação a isso, eles preferem “manter os pés no chão”, como relatou ao g1 o filho de Sidrônio, Sidnei Moreira:

A resposta é complexa. Conforme os técnicos da ANP relataram ao g1, o agricultor não será dono do petróleo, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União.

No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual do lucro.

 primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia, já que outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos.

Fonte: G1

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