Justiça manda soltar MC Ryan SP da cadeia, mas impõe medidas cautelares como entrega do passaporte

Desembargadora afirmou que prisão preventiva não pode ser mantida sem que haja elementos suficientes para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Federal. Justiça Federal destacou que, até o momento, nenhum dos investigados foi formalmente denunciado.

Celebridades – A Justiça Federal concedeu habeas corpus e determinou a soltura do funkeiro MC Ryan SP, preso na investigação da Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. O cantor foi preso em 15 de abril e, desde o dia 30, está na Penitenciária II de Mirandópolis, no interior.

A Justiça também concedeu liberdade a Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo. Os influenciadores Chrys Dias e sua esposa, Débora Paixão, também foram beneficiados pela medida.

A decisão também afeta Diogo Santos de Almeida e impõe medidas cautelares, como a proibição de deixar o país sem autorização judicial e a entrega do passaporte

Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior. O inquérito aponta ainda suposta ligação com exploração de apostas ilegais, rifas clandestinas e lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas.

“É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, escreveu a magistrada ao citar voto anterior da 5ª Turma do TRF-3.

A decisão também afirma que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para facilitar investigações e que não havia demonstração concreta de que MC Ryan SP pudesse interferir na produção de provas. Segundo o documento, os equipamentos eletrônicos e materiais necessários para a apuração já haviam sido apreendidos pela Polícia Federal.

Os desembargadores ainda apontaram excesso de prazo na investigação. O entendimento foi o de que, mesmo considerando a complexidade do caso, os prazos previstos no Código de Processo Penal para conclusão do inquérito e oferecimento de denúncia não estavam sendo respeitados.

Apesar da soltura, MC Ryan SP terá de cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão:

  • Comparecer a todos os atos do processo;
  • Informar eventual mudança de endereço;
  • Comparecer mensalmente em juízo;
  • Não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial;
  • Não sair do país sem autorização da Justiça e entregar o passaporte, caso possua.

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano. Na ocasião, a Justiça Federal aceitou o pedido da PF e decretou a prisão preventiva de MC Ryan SP, do funkeiro MC Poze do Rodo, do empresário Raphael Sousa Oliveira — apontado como criador da página Choquei — e de outros investigados.

Segundo a PF, o esquema funcionaria por meio da movimentação de recursos ligados a apostas ilegais, rifas digitais e lavagem de capitais. As investigações apontam o uso de empresas de fachada, “laranjas”, operações com criptoativos e remessas internacionais para ocultar a origem do dinheiro.

No documento judicial, MC Ryan SP é apontado pela Polícia Federal como “beneficiário final” da estrutura investigada. A PF afirma que empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

A investigação também cita outros nomes apontados como integrantes da estrutura financeira do grupo, entre eles Tiago de Oliveira, Alexandre Paula de Sousa Santos, Rodrigo de Paula Morgado e Henrique Alexandre Barros Viana.

A 5ª Vara da Justiça Federal em Santos, no estado de São Paulo, aceitou em 23 de abril o pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva do MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei e de outros investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

O pedido foi feito após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus. Com o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas, a PF avaliou que há elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas.

Após a decisão judicial, a esposa de MC Ryan SP, Giovana Roque, foi vista deixando o Centro de Detenção Provisória de Belém, na Zona Leste de São Paulo, aos prantos. O cantor segue detido no local.

Os alvos tinham sido presos temporariamente no último dia 15 em uma operação da Polícia Federal. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior.

No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado.

Contudo, segundo a PF, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos.

A PF também apontou risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.

Com a decisão judicial, 36 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em prisões preventivas e 3 em prisões domiciliares. São eles:

  • preventiva;
  • Leticia Feller Pereira: prisão preventiva;
  • Alex Lima da Fonseca: prisão preventiva;
  • Jiawei Lin: prisão preventiva;
  • Thadeu José Chagas Silveira: prisão preventiva;
  • Renan Costa da Mota: prisão preventiva;
  • Marcus Vinicius Rodrigues de Assis: prisão preventiva;
  • Guilherme Ricardo Fuhr: prisão preventiva;
  • Jonatas Cleiton de Almeida Santos: prisão preventiva;
  • Fernando de Sousa: prisão domiciliar;
  • Débora Vitória Paixão Ramos: prisão domiciliar;
  • Estefany Pereira da Silva: prisão domiciliar.

Em uma rede social, a defesa de MC Ryan SP comentou a solicitação da PF de mais tempo de prisão e disse que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido”.

“Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida”, escreveu.

Fonte: G1

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