Repasses ocorreram em novembro de 2023, antes da operação Compliance Zero e da liquidação de instituições. Documentos constam em Relatório de Inteligência Financeira do Coaf.
Geral – Duas operações que envolvem pagamento ou recebimento de valor foram identificadas entre o escritório particular de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) e um fundo da Reag Investimentos — suspeita de atuar junto ao Banco Master para estruturar fundos usados em operações “atípicas”.
Os repasses somam quase R$ 43 milhões: um de R$ 32.541.248 e outro de R$ 10.394.973, ambos realizados em novembro de 2023 — mais de dois anos antes da operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag.
Ao longo dos meses seguintes, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Master e tentou comprar o banco. A transação foi barrada pelo Banco Central, e o BRB ainda tenta reaver o dinheiro.
As operações constam no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) feito pelo Coaf. A negociação foi revelada nesta quarta-feira (18) pelo blog da Malu Gaspar no Globo; o g1 também teve acesso à documentação.
As transações aconteceram entre o escritório particular de Ibaneis e o Laguz I Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados, que era administrada pela Reag e agora está sob gestão da Planner Corretora de Valores.
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No último dia 10, já havia sido revelado um contrato de milionário do escritório de Ibaneis com outro fundo da Reag, celebrado em maio de 2024.
De um lado, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e uma outra firma de advocacia. Do outro, o fundo “Reag Legal Claims”, que hoje se chama Pedra Azul FIDC.
No contrato, os escritórios de advocacia “cederam” ao fundo da Reag R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios ainda não recebidos de uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis).
Essa cessão funciona como uma antecipação de pagamento. Os escritórios venderam a dívida para o fundo por um valor menor que os R$ 38,12 milhões, mas receberam o dinheiro “no ato”.
O documento a que a TV Globo teve acesso não indica quanto foi efetivamente pago pela Reag, ou seja, qual foi o deságio da transação.
Em nota, a defesa de Ibaneis disse que o governador está afastado do escritório desde 2018, quando assumiu o cargo público. E negou a participação de Ibaneis nas negociações. Reag e BRB disseram que não iriam se manifestar.
Já o escritório particular de advocacia do governador declarou que recebeu apenas R$ 4 milhões dos R$ 38 milhões de honorários advocatícios vendidos à Reag e que o contrato foi um negócio jurídico regular.
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.
Em janeiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação do extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM — empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.
A medida aconteceu após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o envolvimento da empresa em irregularidades no sistema financeiro e a atuação de nomes ligados à antiga estrutura da gestora no suposto esquema de fraudes do Banco Master.
A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O nome da Reag, porém, não aparece apenas neste inquérito. Ela é investigada na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimento usados pela facção para lavagem de dinheiro.
Banco Master x BRB
O BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades.
Fonte: G1
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