Após 12 anos do acidente entre micro-ônibus e caminhão em Manaus, familiares e sobreviventes convivem com os ecos da tragédia: ‘ainda dói’

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Caso, ocorrido em 28 de março de 2014, deixou 16 mortos e é lembrado como um dos mais graves da história da capital amazonense. Ao g1, familiares de mortos e sobreviventes relembram noite trágica.

Manaus – Um dos acidentes de trânsito mais graves da história de Manaus completa 12 anos neste sábado (28). A colisão entre um caminhão e um micro-ônibus do transporte executivo, em 28 de março de 2014, na Avenida Djalma Batista, deixou 16 mortos em uma das principais vias da capital.

O acidente ocorreu por volta das 19h40 de uma sexta-feira, em horário de grande movimentação de veículos. O caminhão, que prestava serviços terceirizados para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), perdeu o controle, atravessou o canteiro central, invadiu a contramão e colidiu de frente com o micro-ônibus da linha 825, que estava lotado.

O trânsito intenso dificultou a chegada das equipes de resgate. Muitos passageiros ficaram presos às ferragens, o que tornou o trabalho ainda mais complexo. Entre os mortos estavam os motoristas dos dois veículos, uma criança e uma mulher grávida. Médicos chegaram a realizar o parto do bebê, mas ele também não resistiu.

Mais de uma década depois, familiares de vítimas e sobreviventes ainda convivem com os ecos da tragédia.

Mais de uma década depois, familiares de vítimas e sobreviventes ainda convivem com os ecos da tragédia

Um dos mortos no acidente foi o autônomo Sebastião Araújo, que voltava para casa quando o acidente aconteceu, em 2014. Ao g1, Roseana Araújo, filha de Sebastião, contou que a família sente muito a falta dele doze anos após a perda.

Gisele Costa era cobradora do micro-ônibus naquela noite e está entre os sobreviventes da tragédia. Ela relatou ao g1 que carrega até hoje as marcas físicas e emocionais do acidente, e relembrou a noite como um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Gisele contou que sofreu ferimentos graves, incluindo fraturas no fêmur, colo do fêmur e patela do joelho, além de traumatismo craniano, contusão pulmonar e hemorragia interna. Ela ficou em coma por 10 dias, passou cerca de um mês internada e precisou ser submetida a sete cirurgias.

Ao falar sobre o impacto da tragédia, ela destacou a dor das famílias que perderam parentes e classificou o acidente como resultado de imprudência.

Laudos periciais elaborados após o acidente indicaram que o motorista do caminhão havia consumido álcool e cocaína antes da colisão. Os exames também descartaram falhas mecânicas no veículo.

O documento concluiu que houve imprudência por parte do condutor ao ingerir substâncias entorpecentes. Ainda de acordo com os peritos, a velocidade do caminhão estava entre 80 e 90 km/h, acima do permitido para a via, que é de 60 km/h.

Dados do laudo oficial do Instituto de Perícia da Polícia Civil do Amazonas, divulgados em abril daquele ano, também apontaram que a alta velocidade do caminhão foi a causa determinante do acidente. O documento diz que o condutor desenvolveu velocidade acima do limite estabelecido pela legislação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Na época do acidente, a Prefeitura de Manaus decretou luto oficial de três dias. Um mês depois, o local onde ocorreu a tragédia também recebeu grades de proteção e sinalização que, segundo a Seminf, são similares à estrutura utilizada nas pistas de corrida de Fórmula 1. Foram utilizados 125 metros da estrutura de ferro para evitar que veículos ultrapassem a via contrária em casos de acidentes.

Em 2018, quatro anos após a tragédia, a prefeitura inaugurou um memorial em homenagem às vítimas construído sob o viaduto Ayrton Senna. A cerimônia contou com a presença de familiares, amigos e autoridades, além da realização de um culto ecumênico.

O Complexo Viário 28 de Março, na Avenida Torquato Tapajós, recebeu este nome em referência à data da tragédia.

Doze anos depois, a lembrança do acidente ainda mobiliza familiares e reforça o alerta sobre os riscos da imprudência no trânsito.

Fonte: G1 Amazonas

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