Petista afirma que mundo vive momento crítico e acusa líder norte-americano de substituir o multilateralismo pelo unilateralismo.
Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na sexta-feira (23), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria tentando criar uma espécie de “nova ONU”, na qual exerceria controle absoluto das decisões globais. A declaração foi feita após Trump anunciar, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, a proposta de criação de um chamado “Conselho de Paz”.
Segundo Lula, a iniciativa representa uma ameaça direta ao sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial. O presidente brasileiro afirmou que a proposta ignora debates históricos sobre a reforma da Organização das Nações Unidas e concentra poder nas mãos do líder norte-americano.
“A carta da ONU está sendo rasgada. Ao invés de corrigir e fazer a reforma que defendemos desde 2003, com a entrada de novos países como Brasil, México e nações africanas, o presidente Trump propõe criar uma nova ONU em que ele é o único dono”, disse Lula durante a cerimônia do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, na Bahia.
O Brasil foi convidado pela Casa Branca para integrar o conselho proposto por Trump, mas, até o momento, o Palácio do Planalto não confirmou se aceitará participar. Integrantes do governo avaliam com cautela a iniciativa, principalmente diante de pontos considerados centralizadores e da ampliação da atuação do grupo para além do conflito na Faixa de Gaza.
Durante o discurso, Lula alertou para o que classificou como um cenário internacional preocupante. “Estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo substituído pelo unilateralismo de Trump. Está prevalecendo a lei do mais forte”, afirmou.
O presidente também reforçou o discurso de soberania adotado pelo governo brasileiro nos últimos meses, especialmente após o anúncio do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Lula, o Brasil não aceita relações de submissão no cenário internacional.
“O Brasil quer ter relação com Estados Unidos, Cuba, China, Índia e Rússia. Não temos preferência. O que não aceitamos é voltar a ser colônia para alguém achar que pode mandar na gente”, concluiu.
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