Avisos desta segunda-feira (12) atingem do Sul ao Nordeste; ciclone que provocou estragos no fim de semana perde força e se afasta da costa.
Brasil – O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta amarelo para temporais em todo o Mato Grosso do Sul e áreas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás.
Também está em vigor nesta segunda-feira (12) um alerta amarelo para acumulado de chuvas em áreas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Há ainda um alerta amarelo para chuvas intensas válido no dia para Estados do Norte e do Nordeste do país. Um aviso também atinge especificamente o litoral da Bahia, incluindo Salvador.
Ciclone ainda atua no Sul do país?
A baixa pressão atmosférica que deu origem a um ciclone extratropical, com influência direta sobre o Sul do Brasil, se intensificou entre quinta-feira (8) e sexta-feira (9), entre o Paraguai e o norte da Argentina.
“Essa baixa pressão se expandiu e deu origem ao ciclone extratropical na madrugada do sábado (10), entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul”, disse a Climatempo.
No período, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul alertou para o risco de chuva muito volumosa e ventania em Estados gaúchos.
No sábado, a passagem de um tornado causou estragos e assustou os moradores de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. Nesta segunda-feira, este ciclone já segue sobre o oceano, afastando-se rapidamente do Brasil, diminuindo sua influência sobre o Sul do país.
Miguel Abdalla Neto, médico e ex-tutor de Andreas von Richthofen, foi localizado sem vida em casa; polícia apura causas da morte.
Brasil – Miguel Abdalla Neto, tio materno de Suzane e Andreas von Richthofen, foi encontrado morto em sua residência na tarde desta sexta-feira (9), na Rua Baronesa de Bela Vista, no bairro Vila Congonhas, zona sul de São Paulo. Médico ginecologista, ele era irmão de Marisa von Richthofen, mãe dos irmãos, assassinada em 2002 ao lado do marido, Manfred Albert von Richthofen.
Segundo informações da Polícia Militar, Miguel foi localizado ao lado da cama, já em rigidez cadavérica. A residência não apresentava sinais de arrombamento ou violência. De forma preliminar, a PM trabalha com a hipótese de mal súbito ou morte por causas naturais, mas o caso segue sob investigação para esclarecimento oficial.
Após o assassinato de Manfred e Marisa, crime que teve grande repercussão nacional, Miguel Abdalla Neto assumiu a guarda de Andreas von Richthofen, que ainda era menor de idade na época. O duplo homicídio, ocorrido em outubro de 2002, foi esclarecido pela polícia como um crime planejado por Suzane von Richthofen, com a participação dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.
Os três foram condenados pela Justiça e cumpriram pena, estando atualmente em liberdade. Após o crime, Miguel e Suzane protagonizaram disputas judiciais relacionadas à herança da família, avaliada à época em cerca de R$ 11 milhões, em valores atualizados.
Miguel chegou a ingressar com ação judicial para excluir Suzane da lista de herdeiros. Com a condenação dela, em 2006, Andreas von Richthofen foi nomeado inventariante do patrimônio da família. A morte de Miguel reacende a atenção sobre um dos casos criminais mais emblemáticos do país, agora sob um novo contexto investigativo.
De acordo com a Polícia Civil, o crime ocorreu na manhã da última quarta-feira (7); após o homicídio, o suspeito teria confessado o crime em mensagem e fugiu usando a motocicleta da vítima.
Brasil – Um homem, identificado como Raimundo César Pereira Faustino, é suspeito de matar a ex-esposa a tiros, na manhã da última quarta-feira (7), no município de Arara, no Curimataú da Paraíba.
De acordo com a PCPB (Polícia Civil da Paraíba), após o crime, o suspeito enviou um áudio à mãe da vítima confessando o homicídio e pedindo que ela fosse até o local para buscar o corpo. Em seguida, ele fugiu utilizando a motocicleta da própria vítima. O homem segue foragido.
A vítima, identificada como Ascleia Ferreira da Silva, trabalhava na UBS (Unidade Básica de Saúde) de Arara e tinha dois filhos.
Conforme informações do delegado Diógenes Fernandes, responsável pelas delegacias da região, o suspeito não aceitava o término do relacionamento.
O delegado informou que, no áudio enviado à mãe da vítima, o suspeito afirmou ter “chorado por sete dias seguidos” e disse que agora “quem ia chorar era ela”, em referência à ex-sogra.
Ainda de acordo com o delegado, equipes da Polícia Civil estão realizando buscas na zona rural do município para localizar o suspeito. O pedido de prisão já foi protocolado e Raimundo César Pereira Faustino segue foragido até a última atualização desta reportagem.
Mensagens apreendidas ligam lobista preso por fraudes no INSS a endereço associado ao filho do presidente Lula, em São Paulo.
Brasil – Mensagens obtidas pela Polícia Federal no curso das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, solicitou a entrega de uma encomenda em um apartamento alugado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com os dados apreendidos, em 6 de outubro de 2024, Antunes encaminhou a um funcionário o endereço de um imóvel localizado no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, pedindo a entrega de um “medicamento”. Na mensagem, o lobista orienta que a encomenda fosse destinada a Renata Moreira, esposa de Lulinha. O conteúdo das conversas integra relatórios da Polícia Federal.
O imóvel mencionado pertence formalmente ao empresário Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha, conforme registros cartoriais. O apartamento fica na rua Juriti, em uma área de alto padrão da capital paulista, e está alugado pelo filho do presidente.
Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que ele não tem conhecimento da encomenda nem qualquer relação com o episódio. O advogado Marco Aurélio de Carvalho negou a existência de proximidade entre Lulinha e o Careca do INSS e classificou as citações como uma tentativa de envolvê-lo indevidamente nas investigações sobre a fraude previdenciária.
As apurações da Polícia Federal investigam um esquema milionário de descontos irregulares em aposentadorias e pensões, que teria sido comandado por Antonio Carlos Camilo Antunes, preso desde setembro. Segundo os investigadores, o nome de Lulinha aparece em três núcleos distintos de dados, obtidos a partir da quebra de sigilo de investigados ligados ao lobista. As informações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF também analisa indícios de proximidade entre Antunes e pessoas do círculo social de Lulinha. Relatórios apontam que ambos teriam viajado juntos para Portugal em novembro de 2024. Além disso, o lobista teria transferido cerca de R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de sua esposa. Em uma das operações financeiras, Antunes teria mencionado que o valor seria para o “filho do rapaz”, referência ainda sob análise dos investigadores.
Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão e é citada como participante de ações de lobby no Ministério da Saúde em conjunto com o Careca do INSS, segundo a Polícia Federal.
Em dezembro do ano passado, após uma nova fase da Operação Sem Desconto, o presidente Lula afirmou que todos os envolvidos nas fraudes do INSS devem ser investigados, sem exceções. “Quem tiver culpa precisa responder”, declarou à época.
O apartamento de Moema já havia sido citado em investigações anteriores, durante a Operação Lava Jato. O imóvel, adquirido em 2009 por Jonas Suassuna, possui 524 metros quadrados, ocupa um andar inteiro do prédio e conta com três suítes, terraço gourmet, piscina e quatro vagas de garagem. Segundo a defesa, o contrato de locação permanece ativo.
Brasil – Alex Leandro Bispo dos Santos, principal suspeito de ter arremessado a própria esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, do décimo andar do prédio onde o casal morava, na zona sul de São Paulo, admitiu em um novo interrogatório que agrediu a vítima com tapas. Segundo ele, a intenção seria fazê-la retornar ao apartamento.
O depoimento foi prestado no dia 5 de janeiro. Na ocasião, Alex afirmou que mantinha com Katiane um relacionamento “saudável e tranquilo”, apesar de, segundo ele, a esposa apresentar um quadro depressivo. O suspeito relatou ainda que, na noite da tragédia, o casal esteve no camarote da balada Le Club, onde consumiram champanhe, tequila e cerveja.
De acordo com o investigado, ao chegarem em casa por volta das 4h, Katiane teria “surtado” durante uma discussão iniciada após ele comentar que pretendia visitar o filho. Questionado sobre as agressões registradas pelas câmeras de segurança, Alex disse que a esposa desceu duas vezes até a garagem do prédio e que, em uma dessas ocasiões, ele teria “perdido a cabeça”.
Sobre a porta do banheiro, encontrada destruída pela perícia, o suspeito alegou que a mulher teria ficado presa no local, motivo pelo qual precisou arrombá-la.
Relembre o caso
No dia 29 de dezembro de 2025, Maria Katiane Gomes da Silva caiu do décimo andar do prédio onde morava com o companheiro, na zona sul de São Paulo.
Imagens das câmeras de segurança mostram o casal chegando ao condomínio. Pouco depois, Katiane desce do carro, corre pela garagem e tenta se esconder atrás de uma pilastra. Em seguida, Alex sai do veículo e passa a procurá-la.
A jovem consegue entrar sozinha no elevador e subir até o apartamento. Logo depois, o suspeito entra em outro elevador. Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram barulhos intensos vindos do imóvel. Registros da perícia indicam danos no banheiro, com sinais claros de arrombamento da porta.
Minutos depois, Katiane volta a aparecer nas imagens da garagem. O vídeo mostra Alex segurando a mulher pelo pescoço, ela caindo no chão e sendo agredida. Em seguida, ele a empurra para dentro do elevador, e os dois sobem novamente ao apartamento.
Na sequência, Alex retorna sozinho pelo elevador. Ele aparece visivelmente transtornado, leva as mãos à cabeça e se agacha. Pouco depois, Katiane é encontrada caída na garagem do prédio. O suspeito se aproxima do corpo e aparenta tentar reanimá-la. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.
Mesmo apontado como principal suspeito, Alex participou do velório e do sepultamento da esposa, realizados no Ceará. Testemunhas relataram que ele chorou diante do caixão e acompanhou todos os ritos fúnebres.
Investigação
Alex Leandro foi preso no dia 9 de dezembro, acusado de violência doméstica. O caso está sob responsabilidade do 89º Distrito Policial (Jardim Taboão).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o suspeito permanece preso temporariamente, enquanto a Polícia Civil reúne provas, colhe depoimentos e trabalha na reconstituição dos fatos que antecederam a queda. Exames periciais também foram solicitados.
Suspeita é que os produtos tenham sido contaminados com uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.
Brasil – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a proibição da comercialização, da distribuição e do uso de alguns lotes de fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, da empresa Nestlé Brasil.
O comunicado foi divulgado pela agência nesta quarta-feira (7).
A decisão foi motivada por risco de contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. O consumo da toxina pode causar vômito persistente, diarreia ou letargia, que é a sonolência excessiva, lentidão de movimentos e raciocínio, e incapacidade de reagir e expressar emoções.
Investigado fingia liderar grupos de orações para conquistar confiança e extorquir vítimas; crimes foram registrados em seis estados brasileiros.
Brasil – A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã da última terça-feira (06), a Operação Fake Love, resultando na prisão de um homem de 42 anos em Feira de Santana. O suspeito, identificado como Ronny Kelton, é apontado como o autor de diversos crimes de estelionato afetivo, modalidade criminosa em que o agressor utiliza vínculos sentimentais para obter vantagens financeiras.
A estratégia do “falso pastor”
Segundo as informações da Polícia Civil, Ronny utilizava uma tática específica para conquistar a credibilidade de suas vítimas: ele se apresentava como pastor evangélico. Em um dos casos registrados em Feira de Santana, o investigado gerenciava um grupo de orações virtual, onde compartilhava mensagens religiosas diariamente. Essa presença constante e a imagem de homem de fé serviam de base para que as vítimas se sentissem seguras ao iniciar relacionamentos amorosos com ele.
Quando estabelecido o vínculo afetivo, o suspeito passava a solicitar transferências bancárias e outros benefícios financeiros. As investigações apontam que a fraude não se limitava apenas ao campo sentimental, abrangendo também o uso de documentos falsos e a invasão de dispositivos para concretizar os prejuízos patrimoniais.
Histórico Criminal
A operação revelou que Ronny Kelton possui um histórico criminal que se estende por diversos estados brasileiros. Além da Bahia, ele responde a inquéritos e ações penais nos seguintes estados: Pernambuco, Sergipe, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. As ações de Ronny não se limitava apenas em enganar mulheres nas redes sociais, mas também estabelecimentos comerciais foram alvo de suas fraudes.
Dos estados citados, na Bahia, o volume de denúncias é predominante. Há registros contra o suspeito na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos, em unidades territoriais de Feira de Santana e na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM). Na capital, Salvador, as delegacias da Pituba (16ª DT) e da Barra (14ª DT) também acompanham procedimentos relacionados ao investigado.
Prisão preventiva
A prisão realizada na última terça-feira (06), é de natureza preventiva, em cumprimento a um mandado expedido pela 1ª Vara Criminal de Feira de Santana. Após a detenção, o homem foi conduzido ao Complexo de Delegacias localizado no bairro Sobradinho.
O suspeito permanecerá à disposição do Poder Judiciário, enquanto as autoridades continuam a colher depoimentos e provas que podem ampliar o número de vítimas associadas ao seu nome.
O delegado responsável pela operação reforça o alerta das autoridades sobre os cuidados necessários ao estabelecer compromissos financeiros em relacionamentos iniciados em ambientes digitais como as redes sociais e aplicativos de relacionamentos.
Documento encontrado em Portugal reacende dúvidas sobre o caso de 2010; Arlie Moura afirma que soube da descoberta pela imprensa e pede investigação rigorosa.
Brasil – A reaparição do passaporte de Eliza Samudio, localizado em Portugal e sem registro oficial de saída do país, voltou a colocar em evidência um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil. O surgimento do documento levantou novas dúvidas sobre a cronologia dos fatos envolvendo o desaparecimento da modelo, ocorrido em 2010, e reacendeu questionamentos que, até então, pareciam encerrados.
Em entrevista exclusiva ao portal Bacci Notícias, Arlie Moura, irmão de Eliza, afirmou que foi pego de surpresa com a informação e revelou que, mais uma vez, a família não foi comunicada oficialmente pelas autoridades. Segundo ele, a descoberta chegou primeiro por meio das redes sociais e da imprensa.
“Referente a essa notícia do passaporte, fiquei sabendo por uma amiga minha em um grupo de WhatsApp. Depois foram chegando outras informações. Basicamente, eu recebi pela mídia, como sempre. Mesmo quando tinha contato com minha mãe, tudo o que acontecia em relação à minha irmã ou ao meu sobrinho a gente ficava sabendo pela imprensa”, relatou.
A existência do documento, sem registro migratório de saída, levanta dúvidas que, na avaliação de Arlie, precisam ser esclarecidas com base em dados oficiais. Ele questiona se houve emissão de uma segunda via do passaporte ou algum erro nos sistemas de controle internacional, reforçando que somente uma apuração detalhada pode oferecer respostas concretas.
A notícia teve impacto emocional significativo para o irmão de Eliza, especialmente por coincidir com a data que marcaria o aniversário de seu pai. Segundo ele, o momento trouxe lembranças dolorosas e reacendeu sentimentos difíceis, ainda que evite tirar conclusões precipitadas.
“Foi uma coisa que balançou bastante. Ainda mais hoje, que seria aniversário do meu pai. Mexe muito com a gente, traz lembranças, a cabeça começa a pensar em muitas coisas. Mas eu não vou afirmar nada. Tem que ser investigado pelas autoridades, puxar todos esses dados para a gente ter pelo menos um norte”, afirmou.
Apesar de admitir que qualquer nova informação desperta esperança, Arlie mantém cautela ao falar sobre a possibilidade de a irmã estar viva. Ele reconhece o conflito entre o desejo emocional da família e os elementos já apresentados ao longo das investigações.
“A gente espera que sim, mas por todos os fatos, por tudo o que aconteceu e foi divulgado, a gente tem ciência da realidade. Tem a questão do depoimento do Bruno, todas essas questões”, disse.
Ao recordar da irmã, Arlie traz à tona memórias fragmentadas da infância. Ele contou que a última vez que viu Eliza pessoalamente foi entre 2008 e 2009, em Foz do Iguaçu, quando ainda era criança. A lembrança que guarda é vaga, mas marcada pela imagem de uma mulher alta e pela convivência familiar antes da tragédia.
Sobre o goleiro Bruno, condenado pelo crime, Arlie afirma que nunca teve contato e não pretende ter. Ele diz não nutrir ódio, mas prefere manter distância absoluta.
“Não tive nenhum contato e não pretendo. Não é raiva, nem ódio. É só alguém com quem eu não quero contato. Ele no canto dele, eu no meu, assim como eu e minha mãe”, declarou.
Para Arlie, o reaparecimento do passaporte não encerra nem reabre certezas, mas reforça a necessidade de que todos os pontos ainda obscuros do caso sejam esclarecidos oficialmente, para que a família possa, finalmente, ter respostas definitivas.
Os participantes defenderam a autonomia do país vizinho, a busca pela paz e o respeito e solidariedade ao governo e povo venezuelanos.
Brasil – Sindicatos e movimentos sociais fizeram uma manifestação na tarde desta segunda-feira (5), na capital paulista, em que pediram a libertação de Nicolás Maduro. O ato ocorreu em frente ao Consulado dos Estados Unidos.
Os participantes defenderam a autonomia do país vizinho, a busca pela paz e o respeito e solidariedade ao governo e povo venezuelanos.
“A gente veio para esse ato hoje não só para demonstrar nossa solidariedade ao povo venezuelano, mas para conseguir colocar a posição dos estudantes da classe trabalhadora em relação aos ataques imperialistas, em especial dos Estados Unidos. O imperialismo, independente de qual país que seja, se coloca numa posição de dominação dos países, em especial os da periferia do capitalismo”, disse a estudante de Gestão de Políticas Públicas da USP Bianca Mondeja, integrante da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE).
A organização estudantil considera ser “inegociável” a “capacidade de autodeterminação” de um povo.
Para a professora Luana Bife, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela é “uma ingerência que desestabiliza social e economicamente um país”. “Um dia depois da invasão na Venezuela, Trump já reafirma a possibilidade de avançar militarmente contra outros países. A nossa posição central é pela autodeterminação dos povos”, reafirma.
O membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, defendeu a soltura imediata do presidente Maduro. “Estamos aqui solidários ao povo venezuelano em defesa da soberania e exigindo a soltura imediata do presidente Maduro. Porque na verdade é o continente, são as democracias no mundo que estão ameaçadas. E nós, muito particularmente, em função daquilo que o próprio Trump, sem meias palavras, diferente inclusive de outros, disse diretamente”, destacou.
Segundo Mauro, há cerca de 60 membros do MST na Venezuela hoje. De acordo com ele, a percepção dos integrantes do movimento é de um processo de retomada das mobilizações populares na Venezuela.
“Para muitas pessoas que não vão estar conosco nas ruas gerou uma indignação e esse sentimento patriota, que efetivamente aflora nesse momento. Isso está acontecendo inclusive dentro da Venezuela, mesmo com os setores de direita venezuelana. E a gente está assistindo isso dentro dos Estados Unidos também”, afirmou.
Ataque
Os Estados Unidos (EUA) lançaram no sábado (3) “um ataque de grande escala contra a Venezuela”, que sequestrou Maduro e sua mulher. Horas depois, em uma coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump anunciou que os EUA vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Nicolás Maduro, refutou, nesta segunda-feira (5), as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Durante audiência de custódia, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, Maduro disse ser inocente, qualificando a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”.
ONU
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se para discutir a ação militar dos Estados Unidos. Representantes da China e a Rússia condenaram fortemente o ataque militar e pediram a libertação imediata de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Os Estados Unidos negaram estar em guerra ou ocupar a Venezuela. O representante dos EUA na ONU, o embaixador Michael Waltz, disse que a ação em território venezuelano teve caráter jurídico e não militar.
Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), o embaixador brasileiro Sérgio França Danese disse que a paz na América do Sul está em risco.
Presidente interina
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela nesta segunda-feira (5). Ela é a primeira mulher na história do país a liderar o Executivo, já exigiu “a libertação imediata” de Nicolás Maduro, “o único presidente da Venezuela”, e condenou a operação militar dos Estados Unidos.
Ela era a vice-presidente do país antes do sequestro de Maduro. O Supremo Tribunal venezuelano indicou Delcy Rodríguez como chefe de Estado por um mandato renovável de 90 dias. Tanto o Exército como a Assembleia Nacional reconheceram Delcy Rodríguez como presidente em substituição a Nicolás Maduro.
A mulher havia sido detida horas antes, na tarde de sábado, suspeita de envolvimento em um caso de violência doméstica contra a companheira.
Brasil – A jovem Geovana Antonela Meireles Tavares, de 24 anos, foi encontrada morta na noite de sábado (3) dentro de uma cela do Departamento de Flagrantes da Polícia Civil, localizado no bairro Nova Porto Velho, em Porto Velho (RO). Antes de ser presa, ela chegou a publicar um vídeo nas redes sociais no qual fazia um longo desabafo sobre um suposto episódio de traição envolvendo a companheira.
No registro, Geovana inicia o vídeo afirmando que se trata de um “conselho do dia” e faz críticas ao que chamou de comportamento “mascarado” da parceira. “É melhor você ficar com um louco assumido do que com uma pessoa sensata, certinha, mascarada, que se esconde atrás de uma imagem de santa para a família, os amigos e o trabalho, mas que, por trás, faz várias besteiras”, disse.
Na sequência, a jovem argumenta que, embora considere certos comportamentos como curiosidades comuns, o que mais lhe causou sofrimento foi a quebra de confiança. “O pior disso tudo é a santa que acaba com o teu psicológico, que quebra a tua confiança, que mente até você descobrir. Aí, quando você descobre, ela confessa tudo”, relatou.
Geovana também usa o termo “narcisista” para se referir à companheira e afirma que, mesmo diante de evidências, a pessoa tentaria negar os fatos. “O narcisista, o mentiroso, ainda quer que você acredite que ele ou ela não fez nada, que foi algo momentâneo, que foi fragilidade ou carência”, declarou.
Outros trechos da mensagem:
Em outro trecho, a jovem afirma que prestava apoio constante à companheira e relata uma rotina de cuidados. “Eu acordava cinco horas da manhã para levar ela ao trabalho, depois ia para o meu, buscava ela, levava para a academia, fazia marmitas diferentes para ela não enjoar da comida, dormia com ela todos os dias e ajudava a fazer os curativos”, afirmou, ao dizer que se sentiu traída apesar do esforço que descreve.
Ao falar sobre si mesma, Geovana reconhece um comportamento impulsivo, mas afirma que sempre foi transparente. “Eu não sou santa. Quando eu sou ‘porra louca’, eu sou assumida. Nunca fui agressiva em outros relacionamentos, mas nesse eu me senti traída, oprimida, me senti no fundo do poço”, disse.
Ela também admite ter ultrapassado seus próprios limites. “Eu passei dos meus limites. Isso nunca tinha acontecido antes. Vai ter consequência para mim, assim como as atitudes dela também terão consequências”, afirmou, encerrando o vídeo ao dizer que estava organizando seus pertences para tentar se reestabelecer emocionalmente.
Entenda o caso
De acordo com informações preliminares divulgadas pelo portal Rondoniagora, Geovana havia sido detida horas antes, na tarde de sábado, suspeita de envolvimento em um caso de violência doméstica contra a companheira. A ocorrência teria sido registrada em uma residência localizada no bairro Escola de Polícia.
Por volta das 18h, agentes perceberam que a jovem estava desacordada dentro da cela. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas, ao chegar ao local, a equipe constatou que ela já estava sem sinais vitais.
As circunstâncias da morte ainda serão apuradas pelas autoridades competentes. O caso será investigado para esclarecer o que ocorreu durante o período em que Geovana esteve sob custódia policial.
*O suicídio pode ser prevenido. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la com ajuda médica. Conte também com o CVV pelo telefone 188.