Durante audiência de custódia, defesa da influenciadora alegou que ela é mãe de uma criança de 9 anos e citou entendimento do STF que permite prisão domiciliar para mulheres com filhos pequenos em casos sem violência.
Geral – A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra pediu prisão domiciliar durante audiência de custódia realizada após a prisão dela na quinta-feira (21). Os advogados alegaram que ela é mãe de uma criança de 9 anos e que os fatos investigados ocorreram em 2020.
“A prisão hoje é ilegal em razão de que ela é mãe de uma criança de 9 anos”, afirmou uma das advogadas durante a audiência
Segundo a defesa, a investigação não envolve crimes com violência ou grave ameaça e, por isso, a prisão preventiva seria “exacerbada”.
Deolane foi presa durante a Operação Vérnix, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pedido da defesa de Deolane tem como base um entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018, no julgamento de um habeas corpus coletivo que determinou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar para mulheres grávidas ou mães de crianças de até 12 anos em casos sem violência ou grave ameaça.
A advogada e influenciadora foi transferida nesta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Com capacidade para 714 detentas, atualmente a unidade está superlotada e abriga 873 presas.
A investigação, chamada de Operação Vérnix, começou há sete anos e também mira Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, além de parentes dele e operadores financeiros do grupo.
Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como uma espécie de “caixa do crime organizado”, recebendo valores em contas pessoais e empresariais, misturando os recursos com dinheiro de atividades legais e devolvendo quantias ao PCC para dificultar o rastreamento da origem ilícita do dinheiro.
A defesa de Deolane afirmou inicialmente que estava “se inteirando dos fatos”. Posteriormente, em nota, a defesa da advogada ressaltou a inocência de Deolane e afirmou que “os fatos serão devidamente esclarecidos por esta”.
Os investigadores afirmam que o esquema envolvia uma rede complexa de movimentações entre contas de pessoas físicas e jurídicas, numa etapa conhecida como “dissimulação”, usada para afastar o dinheiro de sua origem criminosa.
Segundo o delegado Edmar Caparroz, responsável pela investigação, o PCC utilizaria a projeção pública e o patrimônio de Deolane para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Fonte: G1
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