Pioneiro do cancelamento, Fratus cita polêmicas, rivalidade com Cielo e admite: “Eu era uma granada”

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Medalhista olímpico fala sobre diagnóstico de bipolaridade, relembra episódio da entrevista polêmica nos Jogos de 2016 e revela Olimpíadas em que mais se divertiu: “Em Paris, como comentarista”

Esporte – Se há uma palavra que pode definir o nadador Bruno Fratus, é “autenticidade”. Dono de uma sinceridade ímpar, o velocista protagonizou um dos episódios mais polêmicos de um atleta brasileiro em Olimpíadas, na já famosa entrevista após a final dos 50m livre nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, que lhe rendeu críticas e muitos ensinamentos. Mas Fratus vai muito além disso. Em entrevista concedida ao quadro Abre Aspas, do ge no Rio de Janeiro, o agora ex-nadador falou sobre a maior rivalidade que teve nas piscinas.

– A primeira grande rivalidade que eu tive na carreira foi com o Cesar Cielo. Dividíamos a piscina no Clube Pinheiros, de 2007 até 2012. Era uma rivalidade que acredito era até recíproca. Quando ele fundou o PRO 16, chamou todo mundo que treinava com a gente, menos eu e outra nadadora (risos). Havia de fato uma rivalidade, e era algo que me inspirava muito. Eu tinha ali do lado o recordista mundial, campeão mundial e campeão olímpico. Se eu não aproveitasse essa oportunidade de colar no cara para melhorar, eu estaria sendo burro.

A polêmica e histórica entrevista à repórter Karin Duarte após o sexto lugar nos 50m livre nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, quando Fratus deu a resposta irônica “Não, tô felizão” ao ser perguntado se estava chateado após a prova, teve um estopim: a confusão de um repórter estrangeiro.

– Teve um repórter gringo que pede para falar comigo e eu vou. Eu achava que era por eu ser o brasileiro da prova. O repórter fala: “Anthony Ervin, depois de não sei quanto tempo, você ganha a prova de novo”. Confundiu as tatuagens nos braços. Eu olhei para a cara dele: “Você assistiu à prova?”. Ele ficou sem entender, e eu segui reto. Antes ou depois disso o Xuxa me dá um abraço. Falou que não queria falar nada pra mim, só me dar um abraço. Eu dou uma desabada. O seu ídolo, o cara que te inspirou a ser nadador, está ali pronto para te dar um abraço depois de uma prova dessa… Foi puxado para mim. E chega a vez de falar com a Globo. Eu estava com essa raiva do repórter que me confundiu, essa frustração da prova, o coração aberto de quem abraçou o cara que é meu ídolo até hoje… Eu estava sem filtro nenhum.

Após duas Olimpíadas, Fratus chegou a Tóquio sem as amarras e a pressão dos Jogos anteriores. Se em Londres e no Rio de Janeiro a ansiedade por uma medalha estava à flor da pele, na capital japonesa, ele, mais experiente e ciente da importância dos aspectos mentais em uma prova tão exigente como os 50m livre, decidiu apenas desfrutar do momento.

– Em Tóquio eu entro leve, me veio um sentimento de gratidão, de estar na minha terceira final olímpica, competitivo, em um estado mental forte. Aqueles sabotadores em ocasiões anteriores não existiam mais, eu controlava praticamente todos e acaba dando certo. Faço uma prova muito calculada, sem emoção nenhuma, objetiva, execução fria, analítica, não foi aquela explosão. Não foi aquela relação de granada e rifle. Eu sabia onde eu estava indo, onde queria acertar, e deu certo.

Ficha Técnica

  • Nome: Bruno Giuseppe Fratus
  • Idade: 36 anos (30 de junho de 1989)
  • Principais títulos na natação: Medalha de bronze nos 50m livre em Tóquio-2020, medalhas de prata nos Campeonatos Mundiais de Budapeste-2017 (duas) e Gwangju-2019 (uma), medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011 (2), Toronto-2015 (1) e Lima-2019 (2), e medalhas de ouro e bronze no Campeonato Pan-Pacífico de Gold Coast-2014.

Fonte: Globo Esporte

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