Tag: tratamento

  • Abril Azul: como é e para que serve o tratamento medicamentoso para crianças autistas

    Desmistificando o Tratamento Medicamentoso para Crianças com Autismo e Seu Papel Essencial na Qualidade de Vida”

    O mês de abril marca, no Brasil e no mundo, a campanha de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O ‘Abril Azul’ reforça a necessidade de informação qualificada sobre o tema, sobretudo sobre um dos pontos que mais geram dúvidas entre famílias: quando e por que um médico pode indicar medicamentos para crianças autistas.
    Uma das dúvidas iniciais sobre o uso de medicamentos é se o autismo “tem cura”. A condição não é uma doença, mas um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por alterações na comunicação social e no comportamento. O tratamento, portanto, não visa “curar” o paciente, mas sim auxiliar no controle de sintomas associados que prejudicam o desenvolvimento, a aprendizagem e a qualidade de vida.
    O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 2,4 milhões de pessoas com o diagnóstico, o que corresponde a 1,2% da população brasileira. Entre crianças e adolescentes de até 14 anos, o número chega a aproximadamente 636 mil.

    Quando medicar
    Farmacêutica da rede FarmaBem, Jéssica Cardeal diz que o tratamento é indicado quando sintomas como irritabilidade intensa, agressividade, ansiedade, hiperatividade, distúrbios do sono e dificuldades de atenção comprometem de forma significativa a rotina da criança. Ela ressalta que a medicação entra como suporte, não como substituto das demais intervenções.
    “O medicamento nunca age sozinho. Ele é parte de um conjunto que envolve terapia, acompanhamento pedagógico e suporte familiar. O objetivo é reduzir barreiras que impedem a criança de aproveitar ao máximo as outras formas de tratamento”, afirma.
    Entre os fármacos mais utilizados estão os antipsicóticos atípicos, como risperidona e aripiprazol, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em crianças com TEA. Eles atuam sobre receptores de dopamina e serotonina, neurotransmissores, que são substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre células nervosas, e ajudam a reduzir comportamentos de automutilação e crises de agressividade.
    Para casos com hiperatividade e déficit de atenção associados, médicos podem indicar metilfenidato, substância amplamente utilizada no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e que auxilia no controle dos impulsos.

    Acompanhamento
    O uso de qualquer medicação em crianças exige monitoramento contínuo. Jéssica Cardeal ressalta que a adesão correta ao tratamento e a comunicação com o profissional de saúde são determinantes para o resultado.
    “Os pais precisam observar e relatar qualquer mudança no comportamento ou no sono da criança. Alguns efeitos adversos, como ganho de peso ou sonolência excessiva, precisam ser comunicados ao médico imediatamente para que a dose seja ajustada ou o medicamento seja substituído”, diz a farmacêutica.
    A automedicação é um risco grave nesse contexto. Substâncias como benzodiazepínicos, usados para ansiedade e insônia, e anticonvulsivantes, indicados para controle de crises epilépticas, frequentemente associadas ao TEA, têm janela terapêutica estreita, o que significa que a margem entre a dose eficaz e a dose tóxica é pequena. O uso sem prescrição pode agravar quadros comportamentais e causar dependência.
    O acompanhamento multidisciplinar, com médico, farmacêutico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, continua essencial. “A farmácia tem papel ativo nesse processo. Orientar sobre posologia, interações medicamentosas e armazenamento correto faz parte do suporte que oferecemos às famílias”, conclui Jéssica Cardeal.

    Foto: Freepik

    Por Agência de Comunicação Repercussão

  • Tratamento pioneiro com células-tronco reverte malformação em bebês

    Terapia com células-tronco reverteu a malformação em todos os bebês participantes do estudo. Condição afeta os movimentos da criança.

    Saúde – Pesquisadores descobriram que um tratamento pioneiro com células-tronco pode reverter o quadro de espinha bífida aberta, uma malformação congênita grave no tubo neural do embrião que, por consequência, prejudica o fechamento completo da coluna vertebral e o canal espinhal do feto durante a gestação.

    A condição, também chamada de mielomeningocele, pode afetar os movimentos e o controle da bexiga e do intestino do bebê pelo acúmulo excessivo de líquidos no cérebro.

    Ela é a forma mais comum e grave de espinha bífida e ocorre com mais frequência em países de baixa renda.

    O tratamento atual para a condição é baseado em uma cirurgia para a correção do defeito na medula espinhal do feto. No entanto, dados mostram que cerca de 60% dos bebês ficam sem andar ou se movimentar de forma independente, mesmo após o procedimento.

    Já com a adoção da nova terapia com células-tronco, todos os recém-nascidos vieram ao mundo sem complicações.

    A descoberta foi liderada pela cirurgiã fetal e neonatal Diana Farmer, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista The Lancet nesse sábado (28/2).

    “Inserir células-tronco em um feto em desenvolvimento era algo totalmente desconhecido. Estamos entusiasmados em relatar um ótimo nível de segurança. Isso abre caminho para novas opções de tratamento para crianças com defeitos congênitos. O futuro é promissor para a terapia celular e gênica antes do nascimento”, afirma Diana em comunicado.

    Células-troncos se mostraram promissoras

    Inicialmente, os pesquisadores testaram o tratamento com células-tronco provenientes da placenta em ovelhas. Todas as submetidas à terapia conseguiram andar e ficar de pé com independência, enquanto os animais que receberam apenas a cirurgia não.

    Com os dados positivos, o próximo passo foi testar em humanos. Seis gestantes passaram por cirurgia com células-tronco entre a 24ª e a 25ª semana de gestação. Após o procedimento, os bebês nasceram por volta da 34ª semana de gestação.

    Nenhum deles apresentou sinais de infecção e vazamento de líquido cefalorraquidiano. Também havia a preocupação de que as células-tronco pudessem provocar câncer nos recém-nascidos, mas nenhum crescimento tumoral foi detectado.

    As crianças tinham sinais de que uma herniação da fossa posterior havia sido revertida. A condição faz com que uma parte do cérebro desça para o pescoço e bloqueie a circulação do líquido cefalorraquidiano.

    “Este é um passo importante rumo a um novo tipo de terapia fetal, que não apenas repara, mas também pode ajudar a curar e proteger a medula espinhal em desenvolvimento”, exalta o coautor do artigo, Aijun Wang.

    Apesar dos resultados promissores, ainda são necessários estudos maiores para obter mais dados sobre a eficácia a longo prazo do novo tratamento. A equipe já recebeu autorização para realizar uma pesquisa clínica com 29 participantes.

    Além disso, Diana afirma que é necessário aguardar as crianças tratadas no estudo atual atingirem os dois anos, uma vez que esta é a idade que elas aprendem a andar.


    Fonte e Foto: Metrópoles