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  • MP-AM investiga falta de transporte para universitários de Guajará

    Atualmente, 42 estudantes do período noturno enfrentam dificuldades para frequentar as aulas por não contarem com condução regular.

    Amazonas – A ausência de transporte interestadual para alunos do ensino superior e técnico levou o Ministério Público do Estado do Amazonas a instaurar um inquérito civil para investigar a situação no município de Guajará. Atualmente, 42 estudantes do período noturno enfrentam dificuldades para frequentar as aulas por não contarem com condução regular nem auxílio-transporte.

    Estudantes fazem deslocamento diário

    Segundo a denúncia que motivou o procedimento, os alunos residentes em Guajará precisam se deslocar todos os dias até Cruzeiro do Sul, no Acre, para frequentar cursos técnicos e universitários. Sem apoio público para custear o trajeto, muitos enfrentam risco de evasão escolar e prejuízos à permanência nos estudos.

    A investigação foi determinada pelo promotor de Justiça Ney Costa Alcântara de Oliveira Filho, que busca verificar a responsabilidade do poder público e a existência de políticas voltadas ao transporte de estudantes em rotas intermunicipais e interestaduais.

    Direito à educação em risco

    Para o promotor, a situação pode comprometer um direito fundamental garantido pela Constituição Federal.

    “O acesso à educação constitui direito social fundamental assegurado pelos artigos 6º, 205 e 208 da Constituição Federal, impondo ao Poder Público o dever de garantir não apenas a oferta do ensino, mas também as condições materiais indispensáveis, entre as quais se inclui o transporte escolar digno e regular, especialmente quando se trata de estudantes residentes em localidades distantes ou em região de fronteira”, destacou.

    Órgãos foram notificados

    Como parte das diligências, a Promotoria notificou a Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas (Seduc) e a Prefeitura de Guajará.

    A Seduc deverá, no prazo de 15 dias, informar:

    previsão orçamentária para atendimento da demanda;

    cronograma de solução do problema;

    existência de programa ou planejamento de auxílio-transporte para universitários do interior.

    Já o município deve esclarecer se há tratativas formais com o Governo do Estado para viabilizar cooperação ou parceria que resolva a situação.

    Apuração busca garantir igualdade de acesso

    O Ministério Público avalia que a eventual omissão do poder público pode afetar diretamente a igualdade de acesso e permanência no ensino superior.

    “Nesse aspecto, a omissão estatal compromete a igualdade de acesso, a permanência na escola e a própria efetividade do direito à educação”, concluiu o promotor Ney Alcântara.

    O inquérito segue em andamento e poderá resultar na adoção de medidas administrativas ou judiciais para assegurar o transporte aos estudantes.

    Fonte: AM POST