Caso medidas propostas pelos Estados Unidos sejam aprovadas, produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas de até 37,5%, elevando custos e reduzindo a competitividade no mercado americano.
Economia – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu um sinal de alerta para os impactos de um possível endurecimento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo projeções da entidade, cerca de um terço das exportações brasileiras para o mercado norte-americano poderá ser atingido por tarifas que somam até 37,5%.
O percentual representa um aumento de 27,5 pontos percentuais em relação à tarifa atualmente aplicada, de 10%. Outros 3,6% dos produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos poderão ser afetados por uma sobretaxa adicional de 2,5%.
As medidas foram propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e ainda estão em fase de discussão. Caso sejam aprovadas, poderão afetar diversos setores da economia brasileira.
Entenda o novo tarifaço
No início deste mês, o USTR propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros que não estejam enquadrados nas categorias classificadas como sujeitas às chamadas “tarifas de segurança nacional”.
Segundo o órgão norte-americano, a iniciativa decorre de investigações relacionadas a temas como políticas brasileiras de comércio digital, determinadas tarifas aplicadas pelo país e questões ligadas ao combate ao desmatamento ilegal. As apurações foram conduzidas com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para investigar práticas consideradas injustas nas relações comerciais internacionais.
Paralelamente, outra investigação conduzida pelas autoridades americanas avaliou a atuação de quase 90 países em relação ao combate ao trabalho forçado. O Brasil está entre as nações analisadas sob a alegação de não adotar ou fiscalizar de maneira suficientemente rigorosa restrições à importação de produtos fabricados nessas condições.
Nesse caso específico, a proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5%.
Taxa pode chegar a 37,5%
Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos brasileiros, a sobretaxa total pode alcançar 37,5%.
Na avaliação da CNI, a adoção dessas tarifas teria consequências negativas tanto para exportadores brasileiros quanto para empresas norte-americanas que dependem desses insumos.
“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Produtos mais afetados
Segundo levantamento da CNI, alguns dos principais produtos brasileiros que poderão ser atingidos pela tarifa total de 37,5% são:
– Ferro-gusa não ligado;
– Açúcar de cana em forma sólida;
– Sebo não comestível;
– Álcool etílico não desnaturado;
– Molduras de madeira padrão de pinho.
Já entre os produtos que poderão sofrer uma tarifa adicional de 12,5% estão:
– Minério de ferro e concentrados, incluindo pelotas aglomeradas;
– Lajes de quartzito;
– Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;
– Silício;
– Pasta química de madeira utilizada para dissolução.
Medidas ainda não são definitivas
Apesar da preocupação do setor produtivo, as novas tarifas ainda não foram oficializadas.
Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para discutir as investigações e receber contribuições de empresas, associações empresariais, governos e demais partes interessadas.
A expectativa é que o período de debates possa abrir espaço para negociações diplomáticas e comerciais capazes de evitar a adoção das sobretaxas ou reduzir seus impactos sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Até que haja uma decisão definitiva, exportadores brasileiros seguem acompanhando com cautela os desdobramentos das discussões em Washington, diante do risco de perda de competitividade em um dos principais mercados consumidores do mundo.