Guarda Municipal precisou usar intérpretes de Libras para atender ocorrência; vítima denunciou agressões, ameaças e anos de violência doméstica.
Brasil – Um lutador de jiu-jitsu surdo foi preso em flagrante acusado de manter a própria companheira em cárcere privado e submetê-la a constantes agressões físicas e psicológicas em Jundiaí, no interior de São Paulo. O caso aconteceu na última segunda-feira (25) e mobilizou equipes da Guarda Municipal.
Segundo a corporação, os agentes receberam vídeos que mostravam o homem agredindo a mulher dentro da residência. As imagens também indicavam que o suspeito possuía treinamento em artes marciais, o que aumentou a preocupação das autoridades diante da possibilidade de violência grave.
Ao chegarem ao imóvel, os guardas tentaram contato diversas vezes, mas ninguém respondeu. Moradores da região relataram ter ouvido discussões intensas, gritos e barulho de móveis sendo arrastados durante a madrugada.
Veja ao vídeo
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Diante da suspeita de que a vítima estivesse em perigo, os agentes decidiram arrombar a porta da casa.
Dentro da residência, o casal foi encontrado deitado na cama. A mulher, identificada como Valquíria Aparecida da Silva, estava chorando, extremamente abalada e em estado de nervosismo.
Como ambos são surdos, a Guarda Municipal acionou uma intérprete de Libras para auxiliar na comunicação durante a ocorrência. Por meio da tradução, Valquíria revelou que havia sido agredida fisicamente pelo companheiro, Fabiano Sebastião Cordeiro, e que foi mantida trancada dentro da residência, sem permissão para sair.
Já na delegacia, outra intérprete participou do depoimento oficial da vítima.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher relatou um histórico de quase duas décadas de violência doméstica, incluindo ameaças de morte, humilhações e controle abusivo. Ela afirmou que o companheiro a chamava de “puta” e “safada”, além de controlar sua rotina e impedir que saísse sozinha de casa.
A vítima também contou que Fabiano costumava comprar comida apenas para si e chegou a jogar refeições fora como forma de humilhação. Além disso, ele mostrava conversas e fotos com outras mulheres para provocar sofrimento emocional.
Ainda conforme o relato, a filha do casal, atualmente com 16 anos, também teria sofrido agressões anteriores. A adolescente foi retirada da convivência familiar pelo Conselho Tutelar e adotada por outra família há cerca de quatro anos.
De acordo com a Guarda Municipal, o suspeito também gravava as agressões e compartilhava os vídeos em grupos de mensagens e redes sociais.
Fabiano Sebastião Cordeiro foi encaminhado ao Plantão Policial de Jundiaí, onde teve a prisão em flagrante confirmada pelos crimes de ameaça, injúria e cárcere privado no contexto da Lei Maria da Penha.
A vítima solicitou medidas protetivas de urgência.