Alta impulsionada pela crise global do cacau encarece ovos de Páscoa e força consumidores a buscar alternativas mais econômicas.
Economia – A Páscoa de 2026 chega mais cara para os brasileiros. O preço do chocolate acumulou alta de até 25% nos últimos meses, segundo dados do IPCA-15, e transformou a tradicional compra de ovos em um desafio para o bolso das famílias.
O principal fator por trás do encarecimento é a crise global do cacau, que elevou significativamente o custo da matéria-prima. Mesmo com uma recente queda nas cotações internacionais, o alívio ainda não chegou às prateleiras, já que os produtos vendidos nesta Páscoa foram fabricados com insumos adquiridos quando os preços estavam em níveis recordes.
Tradição mais cara
Com os valores elevados, manter a tradição ficou mais difícil. Em alguns casos, a compra de apenas dois ovos de tamanho médio já representa uma parcela relevante do salário mínimo, exigindo planejamento e mudanças de hábito por parte dos consumidores.
A tendência, segundo especialistas, é de adaptação no consumo, com famílias optando por versões menores, barras de chocolate ou bombons como alternativas mais acessíveis.
Indústria mantém otimismo
Apesar do cenário desafiador, o setor demonstra confiança. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) indicam crescimento na produção total de chocolates, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025.
A fabricação de ovos de Páscoa também avançou, subindo de 45 milhões para 46 milhões de unidades em 2026, resultado de um planejamento industrial iniciado meses antes, geralmente ainda no segundo semestre do ano anterior.
Por que os preços continuam altos?
Mesmo com a recente queda no preço do cacau — que saiu de um pico de cerca de US$ 12,5 mil por tonelada em dezembro de 2024 para cerca de US$ 2,5 mil em março —, os efeitos ainda não foram repassados ao consumidor.
Isso ocorre porque a indústria trabalha com estoques e contratos antecipados, o que faz com que os custos mais altos continuem refletidos nos produtos atuais.
Além disso, outros fatores pressionam os preços:
•aumento no custo de embalagens e brindes
•alta nos combustíveis, que impacta o transporte
•encarecimento geral da cadeia produtiva
Crise do cacau no mundo
A escalada dos preços da matéria-prima começou em 2022, impulsionada por problemas climáticos na África Ocidental, responsável por cerca de 70% da produção global. Países como Costa do Marfim e Gana enfrentaram ainda doenças nas lavouras, reduzindo a oferta mundial.
Agora, a expectativa para a safra 2025/2026 é de recuperação, com possível excedente de cerca de 200 mil toneladas, o que pode ajudar a equilibrar os preços no futuro.
Consumidor precisa se adaptar
Até que esse cenário se normalize, a Páscoa seguirá mais cara. Para muitos brasileiros, o momento será de equilibrar tradição e orçamento, buscando alternativas para não abrir mão da celebração — mesmo que com menos chocolate na cesta.