Norma sancionada em Campo Grande já é alvo de contestação no Ministério Público e críticas de entidades de direitos humanos.
Brasil – A sanção de uma nova lei em Campo Grande (MS) reacendeu o debate nacional sobre direitos e inclusão. A prefeita Adriane Lopes oficializou uma norma que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em espaços públicos e privados de uso coletivo, medida que já provoca forte repercussão jurídica e social.
A legislação, aprovada pela Câmara Municipal e publicada no Diário Oficial na última quarta-feira (22), integra a chamada Política Municipal de Proteção da Mulher. O texto estabelece que banheiros, vestiários e ambientes semelhantes devem ser utilizados de acordo com o sexo biológico.
Ao justificar a decisão, a prefeita afirmou que a medida busca garantir a proteção e os direitos das mulheres. Segundo ela, a iniciativa foi tomada diante de demandas relacionadas à privacidade em espaços coletivos.

O projeto teve como autor o vereador André Salineiro, que defendeu a proposta sob o argumento de preservar a intimidade e evitar possíveis constrangimentos nesses ambientes.
No entanto, a norma já enfrenta questionamentos no campo jurídico. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul confirmou o recebimento de uma representação contra a lei e avalia a possibilidade de ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade.
Entidades de direitos humanos e movimentos LGBTQIA+ reagiram de forma crítica. O Instituto Jordão Santana classificou a medida como um retrocesso, apontando possíveis violações à dignidade e aos direitos fundamentais da população trans.
O caso deve avançar para o Judiciário e ampliar o debate sobre os limites entre políticas públicas, direitos individuais e garantias constitucionais no Brasil.