Luiz Inácio Lula da Silva aposta em corte de impostos, subsídios e pressão sobre estados para conter efeito da crise internacional nos preços.
Economia – A escalada dos preços dos combustíveis no Brasil, impulsionada pelo conflito no Irã, colocou o governo federal em alerta máximo. Diesel, gás de cozinha e querosene de aviação (QAV) já acumulam fortes altas, levando o Palácio do Planalto a adotar uma série de medidas emergenciais para tentar conter os impactos na economia.
O foco principal tem sido o diesel, considerado estratégico por seu efeito em cadeia sobre transporte, alimentos e inflação. Mas o avanço dos preços de outros combustíveis também já pressiona Brasília.
Diesel no centro da crise
Desde o início da tensão internacional, o diesel acumulou alta de cerca de 24%, com registros de preços próximos a R$ 10 em alguns postos, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Para conter a disparada, o governo zerou PIS/Cofins sobre o combustível e lançou uma subvenção inicial de R$ 0,32 por litro — medida que teve baixa adesão das distribuidoras.
Diante da pressão crescente, o Ministério da Fazenda passou a negociar uma nova proposta mais robusta: um subsídio de R$ 1,20 por litro, dividido igualmente entre União e estados.
Segundo a equipe econômica, mais de 20 unidades federativas já sinalizaram adesão, mas o governo ainda tenta ampliar o apoio para garantir maior efetividade à medida.
Pressão dos caminhoneiros
O aumento do diesel reacendeu o risco de paralisações no transporte rodoviário. Após reajuste de R$ 0,38 anunciado pela Petrobras, caminhoneiros passaram a ameaçar greve.
Como resposta, o governo editou uma medida provisória para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete e intensificou a fiscalização para evitar práticas abusivas no setor.
QAV dispara e preocupa setor aéreo
O querosene de aviação também entrou na lista de preocupações. A Petrobras anunciou reajuste de até 56,26% no combustível, elevando ainda mais os custos das companhias aéreas.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, o combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais do setor.
Diante desse cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos propôs ao governo medidas como:
redução temporária de PIS/Cofins sobre o QAV
diminuição do IOF em operações financeiras
corte no imposto de renda sobre leasing de aeronaves
As propostas ainda estão em análise pela equipe econômica.
Gás de cozinha também entra no radar
O gás de cozinha (GLP) é outro ponto sensível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a anulação de um leilão da Petrobras que, segundo ele, resultou em preços até 100% superiores aos praticados pela estatal.
A medida busca conter repasses excessivos ao consumidor final, especialmente em um item essencial para as famílias brasileiras.
Além disso, Lula voltou a defender a recomposição do papel estatal no setor, incluindo a possibilidade de recomprar a BR Distribuidora no futuro, como forma de influenciar os preços no mercado interno.
Estratégia para conter a crise
O conjunto de ações mostra uma tentativa do governo de agir em várias frentes para reduzir os impactos da crise internacional no Brasil.
Entre cortes de impostos, subsídios e articulações políticas com estados e setores econômicos, o desafio é evitar que a alta dos combustíveis pressione ainda mais a inflação e o custo de vida da população.
Mesmo com as medidas, o cenário segue incerto e dependerá da evolução do conflito externo e do comportamento do mercado global de petróleo nos próximos meses.