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  • Caso Benício: médica negociava cosméticos enquanto criança agonizava após dose errada de adrenalina em Manaus

    Investigação aponta negligência grave, tentativa de manipular provas e indiciamento por homicídio com dolo eventual.

    Justiça – A investigação sobre a morte do menino Benício, de 6 anos, revelou detalhes chocantes sobre a conduta da equipe médica responsável pelo atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, a médica Juliana Brasil negociava a venda de cosméticos por meio de mensagens no WhatsApp enquanto a criança apresentava sinais graves após receber uma dose inadequada de adrenalina.

    Benício deu entrada na unidade com sintomas leves, como tosse seca, mas acabou recebendo o medicamento por via intravenosa — procedimento considerado incorreto para o quadro clínico, que exigia administração por inalação. A aplicação direta na veia provocou uma superdosagem, levando o paciente a um estado crítico.

    De acordo com o inquérito, cerca de 90 minutos após a administração do medicamento, quando o menino já apresentava reações severas, a médica alternava a atenção entre o atendimento e conversas comerciais, enviando mensagens, confirmando pagamentos via Pix e trocando conteúdos informais com clientes.

    Para o delegado responsável pelo caso, a conduta demonstra despreocupação com a gravidade da situação e possível negligência no exercício da profissão.

    A investigação também derrubou a principal linha de defesa apresentada pela médica. Juliana havia alegado que o sistema do hospital teria alterado automaticamente a via de administração do medicamento, mas a perícia técnica descartou falhas no software. Além disso, foram identificadas mensagens que indicam uma tentativa de produzir provas falsas para sustentar essa versão.

    Outro ponto levantado pela polícia é que a profissional se apresentava como pediatra sem possuir o devido registro de especialização. O inquérito também apontou falhas estruturais no hospital, como a ausência de farmacêuticos para revisar prescrições e equipe reduzida no momento do atendimento.

    Diante dos elementos reunidos, Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual — quando se assume o risco de causar a morte — além de fraude processual e falsidade ideológica. A técnica de enfermagem responsável pela aplicação do medicamento e os diretores da unidade hospitalar também devem responder por suas condutas.

    Em nota, a defesa da médica afirma que o vídeo apresentado sobre possível falha no sistema é legítimo e sustenta que, no momento mais crítico, a paciente já não estava sob os cuidados diretos da profissional.

    O caso agora segue para a Justiça e pode resultar no julgamento da médica e dos demais envolvidos pelo Tribunal do Júri.

  • Caso Benício: registro de técnica de enfermagem segue ativo no Coren-AM após decisão judicial

    Consulta aos sistemas mostrou divergência: médica aparece suspensa, enquanto técnica segue com registro ativo.

    Justiça – O registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua “ativo” no site do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM). A situação contraria decisão judicial de dezembro de 2025 que determinou a suspensão do exercício profissional por um ano. A medida foi determinada durante as investigações sobre a morte de Benício, em Manaus.

    Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

    Em dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), Coren-AM, além das secretarias estadual e municipal de saúde, sejam oficiados para garantir o cumprimento da suspensão.

    Uma consulta recente aos sistemas dos conselhos mostrou divergências no cumprimento da decisão judicial:

    O registro da Médica Juliana Brasil Santos aparece como suspenso, em conformidade com a ordem judicial.

    Já o da Técnica Raiza Bentes Praia segue ativo, em aparente descumprimento da decisão.

    A decisão judicial também impôs outras medidas às profissionais:

    Comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades;

    Não sair da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial;

    Manter distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas;

    Cumprir a suspensão do exercício profissional por 12 meses, prorrogáveis.

    O portal pediu esclarecimentos ao Coren-AM sobre o motivo de o registro da técnica continuar ativo e aguarda resposta.


    Fonte e Foto: G1 Amazonas

  • CASO BENÍCIO: pais detalham avanços na investigação de morte por erro médico

    Atualmente, o caso é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas e se desdobra em três frentes principais: criminal, ética e cível.

    Manaus – Bruno Freitas e Joyce Xavier, pais de Benício Xavier, de apenas 6 anos, atualizaram no domingo (18) sobre o andamento das investigações que apuram a morte da criança. Benício faleceu na madrugada de 23 de novembro de 2024, no Hospital Santa Júlia, após receber doses elevadas de adrenalina. A família sustenta que o óbito foi causado por uma sucessão de erros médicos fatais.

    Atualmente, o caso é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas e se desdobra em três frentes principais: criminal, ética e cível.

    Segundo os pais, a Polícia Civil já concluiu a oitiva de todos os envolvidos. O próximo passo crucial é a entrega do laudo do Instituto Médico Legal (IML), que analisa tanto os documentos hospitalares quanto a autópsia da criança.

    Somado a isso, a perícia técnico-científica avalia os sistemas do hospital para identificar possíveis falhas eletrônicas ou de registro. Com esses documentos em mãos, o delegado responsável elaborará o relatório final, que será encaminhado ao Ministério Público.

    “A gente espera que seja [denunciado como homicídio] doloso por tudo o que aconteceu com o Benício”, afirmou o pai no vídeo.

    A conduta dos profissionais envolvidos está sob estudo dos conselhos dos Conselho Regional de Medicina (CRM) que já abriu uma sindicância de ofício. A família também formalizou uma denúncia própria. Atualmente, o conselho aguarda as manifestações dos profissionais para que um relator apresente o caso ao plenário e, do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), onde a família busca contato por e-mail para garantir o direito de expor sua denúncia durante o julgamento ético dos enfermeiros e técnicos envolvidos no atendimento.

    Os pais confirmaram que pretendem acionar a Justiça na esfera cível assim que todas as provas forem reunidas. O objetivo é a responsabilização de todos os envolvidos, médicos, técnicos, enfermeiros e a própria unidade hospitalar.

    Durante o pronunciamento, a família reforçou que o objetivo do movimento não é o ódio, mas a preservação de outras vidas.

    “Mais uma vez a gente quer frisar que a gente não busca vingança, apenas justiça. A gente precisa fazer isso pelo Benício e também para que nenhuma família passe pela dor que a gente está passando”, declararam.

    Eles encerraram a mensagem agradecendo a rede de apoio e as orações que têm recebido de amigos e até de desconhecidos sensibilizados pela tragédia.

    Caso Benicío

    Benício Xavier, de 6 anos, morreu na madrugada de 23 de novembro após receber doses de adrenalina intravenosa. A família afirma que a morte foi resultado de uma sequência de erros médicos.

    A Justiça do Amazonas anulou recentemente o habeas corpus que havia sido concedido à médica Juliana Brasil Santos, investigada pelo caso, determinando que o pedido de liberdade deveria ser analisado por um juiz de primeira instância.

    Juliana admitiu o equívoco na prescrição da adrenalina intravenosa em documentos e mensagens trocadas com outro profissional, embora a defesa alegue que a confissão ocorreu “no calor do momento”. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação da medicação, também é investigada.

    Segundo o delegado Marcelo Martins, o inquérito possui quatro linhas principais de investigação: responsabilidade da médica, da técnica de enfermagem, falhas estruturais do hospital e a possibilidade de erro durante o procedimento de intubação.

    Fonte: D24am